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Carol Neves
Publicado em 24 de maio de 2026 às 08:54
A fabricante Ypê anunciou um investimento de cerca de R$ 130 milhões para reestruturar a fábrica de Amparo, no interior de São Paulo, depois de sucessivas autuações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) relacionadas ao risco de contaminação microbiológica em produtos de limpeza. >
A crise ganhou novos desdobramentos após a Anvisa publicar, em 7 de maio de 2026, uma medida que suspendeu a fabricação, comercialização, distribuição e uso de lotes terminados em número 1 de lava-louças, sabões líquidos e desinfetantes produzidos pela empresa.>
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O plano de adequação da unidade foi reformulado depois de uma inspeção realizada entre os dias 27 e 30 de abril de 2026, com participação da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) e da vigilância municipal.>
Inicialmente, a previsão da empresa era investir entre R$ 100 milhões e R$ 110 milhões em um período de 12 meses. Após novas falhas operacionais serem apontadas pelos fiscais, o valor estimado subiu para aproximadamente R$ 130 milhões.>
Entre as mudanças previstas estão a revisão dos protocolos de sanitização, melhorias no sistema de tratamento de água e a criação de um laboratório de microbiologia. Segundo a própria companhia, o espaço terá tecnologia de “nível farmacêutico”.>
Ao jornal Folha de S.Paulo, o diretor jurídico e de assuntos corporativos da Ypê, Sergio Pompilio, afirmou que o plano passou por revisões recentes e destacou que há “um foco muito grande no tratamento da água”.>
A Anvisa afirma que as medidas foram adotadas após análises técnicas apontarem descumprimentos em etapas consideradas críticas da produção. Entre os problemas identificados estão falhas nos processos de fabricação, no controle interno e nos mecanismos de garantia de qualidade da unidade.>
De acordo com a agência, as irregularidades comprometem requisitos fundamentais das Boas Práticas de Fabricação de saneantes e aumentam o risco de contaminação microbiológica, incluindo a possibilidade de presença de microrganismos patogênicos nos produtos destinados aos consumidores.>
Mesmo após a empresa apresentar recurso, que suspendeu temporariamente os efeitos da resolução, a Anvisa manteve a recomendação para que consumidores não utilizassem os produtos atingidos pela medida.>
Em 15 de maio de 2026, a Diretoria Colegiada da agência decidiu manter a suspensão da fabricação, distribuição e venda dos lotes afetados, conforme informou a Agência Brasil.>
O voto do diretor-presidente da Anvisa, Leandro Pinheiro Safatle, apontou que a mais recente inspeção foi motivada pelo histórico de não conformidades relacionadas à qualidade microbiológica dos produtos fabricados pela Química Amparo, responsável pela marca Ypê.>
O documento menciona medidas sanitárias anteriores, incluindo uma resolução publicada em 2024 que atingiu 361 lotes e outra decisão, em 2025, motivada pela identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em análises feitas pela própria empresa.>
Segundo a Anvisa, a medida adotada em maio de 2026 também envolveu suspeita de contaminação microbiológica pela bactéria Pseudomonas aeruginosa, além de descumprimento das normas de Boas Práticas de Fabricação para saneantes.>
Nas manifestações enviadas aos órgãos públicos, a Ypê argumentou que o plano de adequação busca elevar os padrões de controle industrial e afirmou que parte das ações já vinha sendo implementada antes das medidas cautelares mais recentes.>
A fabricante também sustentou, conforme registrado no voto da agência, que produtos bloqueados internamente não chegaram a ser distribuídos ao mercado. A empresa ainda contestou a avaliação de que haveria risco iminente à saúde dos consumidores.>
Apesar dos argumentos apresentados, a Anvisa concluiu que os problemas identificados não se limitavam a um caso isolado, mas faziam parte de um conjunto de falhas persistentes nos controles do processo produtivo.>
A investigação mais recente começou em 19 de fevereiro de 2026, após o sistema Fala.BR receber uma denúncia sobre possível contaminação bacteriana em produtos lava-louças da Ypê e no lava-roupas Tixan Neutraliza Mau Odor.>
Segundo informações publicadas pela Folha, a denúncia foi feita pela Unilever, dona de marcas como Omo, Comfort e Cif, após testes laboratoriais indicarem a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa.>
Posteriormente, a própria Anvisa informou que análises realizadas pela fabricante também identificaram o microrganismo, fator considerado central pela agência para justificar as medidas cautelares aplicadas à unidade de Amparo.>
Consumidores que tenham produtos dos lotes atingidos foram orientados a interromper imediatamente o uso e procurar os canais oficiais da empresa para informações sobre troca, devolução, ressarcimento e demais procedimentos.>