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Pombo Correio
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 05:30
Pegou muito mal entre aliados a decisão do governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT) de não comparecer ao último debate antes do primeiro turno, promovido pela TV Bahia. Com a fuga de Jerônimo, a Bahia foi o único estado do país que ficou sem o debate para governador na rodada promovida pela Globo e suas afiliadas. Para um governador que pede mais quatro anos no cargo, a cadeira vazia produziu uma imagem especialmente incômoda. Justamente no último grande encontro televisivo antes da votação, o petista abriu mão da oportunidade de confrontar propostas, responder às críticas e, sobretudo, defender o próprio legado diante dos baianos. O fato é que Jerônimo passou quatro anos fugindo das responsabilidades ao culpar prefeitos e até o governo federal. Não surpreende ter fugido do debate. >
Constrangimento>
Até mesmo os aliados de Jerônimo ficaram constrangidos com a ausência do governador. Em conversa com jornalistas, apoiadores do petista não encontraram argumentos para justificá-la. Até ensaiaram algumas explicações, mas preferiram não se identificar, visivelmente constrangidos.>
Cheiro de desespero>
O nível da campanha do grupo de Jerônimo Rodrigues nesta reta final parece ter chegado ao desespero total. Ataques em série, fake news e mentiras passaram a ocupar espaço cada vez maior na disputa. Nos bastidores, observadores da política enxergam nessa escalada um sintoma clássico de campanha acuada: o cheiro de derrota. O problema é que, nessa corrida para empurrar a eleição para a lama, o grupo de Jerônimo deixa para trás o debate sobre a Bahia, justamente aquilo que deveria estar no centro da discussão. A estratégia, segundo relatos de bastidores, já causa desconforto até entre aliados do próprio governador. Quando uma campanha prefere falar o tempo inteiro do adversário a defender o próprio legado, acaba deixando a dúvida: faltaram realizações para apresentar?>
Gabinete do ódio>
A artilharia pratica uma série de barbaridades, com ataques inclusive de ordem pessoal, que vão de informações falsas e documentos apócrifos e conteúdos que desesperadamente tentam dragar o debate público ao vale tudo das fake news, numa selvageria sem precedentes. A postura, entretanto, não chega a ser uma surpresa completa, já que o próprio governador já declarou publicamente sua intenção de enterrar adversários políticos em uma vala usando uma retroescavadeira, no sentido literal.>
Pilhado>
O governador Jerônimo Rodrigues confessou esta semana que “caiu na pilha” quando prometeu zerar a fila da regulação na campanha de 2022. Em entrevista a um influenciador digital, disse que fez uma promessa que envolvia a saúde, a vida e, infelizmente, em muitos casos, a morte dos baianos, no embalo do calor eleitoral, sem efetivamente nem saber do que se tratava. Agora, em 2026, recuou e afirmou que vai se “esforçar”. A forma até debochada como se referiu a uma promessa dessa natureza provocou revolta e deixou claro que a saúde dos baianos nunca esteve em primeiro plano. Afinal, para ganhar a eleição, era preciso prometer a todo custo.>
Atestado de morte>
A confissão de Jerônimo não é sem sentido. Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) revelou que no governo dele o tempo médio de espera por regulação aumentou 213%, quando comparado com o período do seu antecessor, Rui Costa (PT). Ou seja, o que já era ruim ficou ainda pior. Agora, quatro anos depois, além de desistir da própria promessa, Jerônimo fala do assunto em tom jocoso, quase como um deboche, enquanto milhares de baianos ainda agonizam esperando atendimento. Alguns outros sequer conseguiram suportar e viraram estatística na fila da morte, literalmente.>
Promessa em chamas>
Dois incêndios em poucos dias voltaram a colocar fogo também numa velha cobrança em Irecê: afinal, onde está a unidade do Corpo de Bombeiros prometida por Jerônimo para o município? Nesta semana, uma nova ocorrência reacendeu a insatisfação de moradores de Irecê e de cidades vizinhas. Nesta quinta-feira (1º), a cobrança circulava com força em grupos de WhatsApp da região. E não é difícil entender o motivo. Irecê é um dos principais polos do interior baiano e atende uma população que vai muito além dos seus limites municipais. A localização também tornaria uma base em Irecê estratégica para reforçar o atendimento no entorno e, quando necessário, operações de combate a incêndios florestais em áreas próximas da Chapada Diamantina. >
Dalê>
Integrantes da base do governador Jerônimo estão de olho em deputados e candidatos que passaram a participar com mais frequência de atos do 44 pelo interior da Bahia. O que antes era um movimento mais acanhado, ganhou tração nas últimas semanas, inclusive com alguns quadros governistas dançando no meio do povo ao som do Dalê, jingle que marca a campanha de ACM Neto. Até nos discursos já teve gente fazendo acenos e declarando que está com o “time da mudança”. Não à toa, dizem por aí que a eleição proporcional costuma ser um termômetro do sentimento nas ruas.>
Travessia da mudança>
Por falar em adesões ao time de ACM Neto, pelo menos duas foram bem sintomáticas esta semana: a do prefeito e do ex-prefeito de Vera Cruz, Igor Pinho e Marcos Vinícios, respectivamente. Filiados ao MDB, da base do governador, ambos declararam publicamente que votam pela mudança. O anúncio é ainda mais simbólico porque Vera Cruz é uma das cidades mais beneficiadas pelo projeto da ponte Salvador-Itaparica, prometido em 2009 e requentado agora, às vésperas da eleição, pelo terceiro governador seguido do PT na Bahia. A conferir os ânimos dos políticos locais, não há esperança sequer com relação ao projeto. Pelo visto, Vera Cruz resolveu fazer a travessia da mudança, porque travessia da ponte…>
Passivo fantasma >
Tema espinhoso para o fluxo das contas públicas, o volume de pagamentos de Despesas de Exercícios Anteriores (DEA) praticamente dobrou na gestão de governo Jerônimo Rodrigues. O passivo saiu de R$ 1,50 bilhão em 2023, referente a despesas de 2022, para R$ 2,57 bilhões em 2024, R$ 2,66 bilhões em 2025 e já alcança R$ 2,86 bilhões em 2026. Na prática, os números revelam um descompasso crescente entre a previsão orçamentária e a capacidade de execução do governo, que deixa despesas para serem pagas no exercício seguinte, comprometendo recursos que deveriam estar disponíveis para novas ações. O problema é que, além de passivo, o montante acabou virando elemento fantasma, uma vez que a conta não aparece integralmente nas projeções orçamentárias do ano seguinte, conforme já observou o Tribunal de Contas do Estado.>