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A Bahia num só lugar

Já é tempo de estar na rede um site onde você possa ter uma visão das festas que acontecem de ponta a ponta no interior do estado, não se restringindo somente a Salvador

Publicado em 24 de maio de 2026 às 05:00

Em termos culturais, a Bahia é uma nação diversificada, cheia de nuances, e Salvador é apenas uma parte desse todo. É necessário reunir isso tudo num só lugar para que turistas e baianos possam ter uma visão mais justa da riqueza cultural do estado. Tínhamos projetos que mostravam essa força, e davam uma visão do todo. Esses projetos acabaram e não foram substituídos por outros ou mesmo aperfeiçoados, ficando um vácuo que precisa voltar a ser preenchido. Posso citar três: a Feira dos Municípios depois chamada Feira do Interior, onde se reuniam todas as regiões da Bahia no Parque de Exposição, numa mostra rica de cultura popular, culinária e artesanato. Você viajava pelo estado, passeava pelo Recôncavo, litoral, sertão, chapada, baixo sul, oeste, usufruindo daquela variedade e aprendendo com aquele mosaico de cores, que um desavisado poderia pensar tratar-se de vários países reunidos. Era grandioso, bonito de ver e interagir.

O segundo era a Caminhada Axé, um cortejo formado por manifestações tradicionais dos quatro cantos da Bahia. Ali você via nitidamente a formação do povo baiano. Uma variedade de música, dança, vestimentas, costumes. A Caminhada abria o verão de Salvador. Era o grito de começar com diversidade. O escritor, professor, compositor, estudioso da música popular brasileira Fred Góes viu ainda algo além quando assistiu à Caminhada e, impactado, escreveu: “Mais do que a abertura de verão, a Caminhada é um belíssimo exemplo de comemoração natalina de maneira baiana, festiva, em que formas de expressão cultural da nossa gente simples se confraternizam, se encontram, demonstrando com todo vigor a riqueza plural das manifestações que a Bahia concentra”. E completou: “Como carioca, tive um grande orgulho de ser brasileiro ao presenciar o desfile, mas confesso que, na verdade, senti uma certa inveja de não ser baiano”. Palmas para nossa rica cultura de raiz. Como bem disse Gilberto Gil, a vanguarda bebe na fonte da raiz. Raiz forte, cultura forte e criativa.

O terceiro projeto que eu citaria, é o dos salões regionais de artes plásticas, que aconteciam nas diversas regiões do estado com os trabalhos dos melhores desaguando em Salvador, para serem expostos junto com os nossos. Sempre lançava grandes artistas e era uma oportunidade de intercâmbio, fazendo a festa de quem gosta de arte. Ficamos meio órfãos, principalmente, com o término também da Bienal do Recôncavo, patrocinada pela Dannemann e com curadoria de Pedro Arcanjo.

No mais, já é tempo de estar na rede um site onde você possa ter uma visão das festas que acontecem de ponta a ponta no interior do estado, não se restringindo somente a Salvador. É nas quebradas que se encontram os melhores frutos. Finalizo com um trecho da poesia de Jorge Portugal (em memória) musicada por Roberto Mendes, em que ele canta. (...) “Gente que tira alegria da dor/ no baticum do batente/ todas as cores de gente/ contas de todos os guias/ uma nação diferente/ toda prosa e poesia/ tudo isso com certeza / só se vê / só se vê na Bahia”.