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Publicado em 7 de setembro de 2026 às 05:00
A construção de uma sociedade mais justa passa, inevitavelmente, pelo enfrentamento das desigualdades de gênero. No campo jurídico, esse desafio se impõe com ainda mais urgência: é preciso garantir que o sistema de Justiça não apenas acolha as mulheres, mas também não reproduza práticas discriminatórias historicamente enraizadas. >
A advocacia tem papel central nesse processo. Advogadas e advogados são, muitas vezes, a primeira escuta de mulheres em situação de vulnerabilidade. Por isso, a atuação profissional precisa estar alinhada a uma perspectiva de gênero, capaz de compreender as múltiplas dimensões dessas violações. Nesse cenário, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB Bahia) tem avançado de forma consistente na construção de mecanismos de proteção, acolhimento e responsabilização.>
Entre as ações, destacam-se a criação de estruturas como o Observatório de Violência Contra a Mulher, a Ouvidoria Adjunta da Mulher Advogada e a Procuradoria Adjunta de Gênero e Raça, além da elaboração do Protocolo de Atendimento a Advogadas e Estagiárias Vítimas de Violência. Aliado a esses mecanismos, o Tribunal de Ética e Disciplina da seccional tipificou a violência processual de gênero como infração disciplinar. >
Para e fortalecer a atuação da advocacia em todo o estado, concebeu o Curso de Formação para Atendimento a Mulheres em Situação de Violência (ESA-BA) e prestou apoio institucional à elaboração e publicação do Protocolo do Feminicídio da Bahia, resultado de uma parceria entre a Secretaria de Política das Mulheres do Estado e a ONU Mulheres. >
Também ampliou o debate através da campanha “OAB-BA Contra o Assédio” e de eventos como “OAB por Elas”, “Quero Você Eleita”, “Julho das Mulheres Negras”, o primeiro “Congresso Baiano da Advocacia com Perspectiva Interseccional de Gênero”, que aconteceu no ano passado e reuniu especialistas e representantes nacionais do sistema de justiça, e a “IV Conferência Estadual da Mulher Advogada”, realizada em 2024 com a presença da ministra do STF, Cármen Lúcia. >
Outro marco importante está na representatividade. Pela primeira vez em 90 anos, uma mulher assumiu sua presidência. O Conselho Seccional superou a exigência nacional de paridade, e 20 mulheres lideram subseções entre 37 presidentes. A entidade instituiu a paridade de gênero e equidade racial nas listas sêxtuplas do quinto constitucional, democratizando o acesso aos espaços de poder no sistema de justiça.>
Os avanços são significativos, mas os desafios permanecem. Estamos em constante processo de aprendizado. Combater desigualdades estruturais exige vigilância constante, atuação integrada e compromisso ético. A OAB Bahia segue firme nesse caminho, fortalecendo a advocacia como instrumento de transformação social e defesa intransigente das prerrogativas e dos direitos das mulheres.>
Dra. Daniela Borges, presidente da OAB-BA>