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Mais mulheres na engenharia

No Dia Internacional das Mulheres na Engenharia, celebrado em 23 de junho, é fundamental refletir sobre os avanços e a importância de continuar abrindo caminhos para as próximas gerações

Publicado em 23 de junho de 2026 às 05:30

A engenharia na indústria tem se tornado mais feminina ao longo dos anos. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que o número de mulheres contratadas pelo setor passou de 775 mil para 1,3 milhão entre 2020 e 2025. A indústria 4.0, que exige mais habilidades analíticas e tecnológicas, aliada ao maior nível de escolaridade das mulheres ajuda a explicar esse avanço. Além disso, políticas afirmativas têm impulsionado esse crescimento.

Por isso, no Dia Internacional das Mulheres na Engenharia, celebrado em 23 de junho, é fundamental refletir sobre os avanços e a importância de continuar abrindo caminhos para as próximas gerações. Em 2002, quando ingressei no curso de Engenharia Química da Universidade Federal da Bahia (UFBA), éramos apenas oito mulheres em uma turma de 40 alunos. Hoje, cerca de 50% das turmas do curso são compostas por mulheres. Ainda assim, a busca por equidade no mercado de trabalho permanece desafiadora.

Atualmente, como gerente de Produção de Olefinas da Braskem na Bahia, lidero uma equipe de 165 pessoas, sendo 13% de mulheres. No início da minha trajetória, a resistência à presença feminina na indústria era maior e, conquistar espaço exigiu resiliência. Muitas vezes, sentíamos que precisávamos nos masculinizar para sermos aceitas. Felizmente, o ambiente hoje é mais inclusivo, e a diversidade tem mostrado seu valor ao impulsionar inovação e melhores resultados.

Não somos o sexo frágil e a maternidade não pode ser impedimento para nossa ascensão profissional. Em 2018, quando fui convidada a assumir a coordenação de Olefinas, eu planejava engravidar. Compartilhei isso com a liderança e ouvi uma resposta que nunca esqueci: “Você não vai deixar de crescer por causa disso”. Tive sorte, pois essa ainda não é a realidade de muitas mulheres.

Na Braskem, iniciativas de equidade são fortalecidas desde 2015. Os resultados são claros: em 2025, 63% dos engenheiros admitidos na Bahia foram mulheres. Já ocupamos 32% dos cargos gerenciais da indústria. No setor de Manutenção, entre 2024 e 2025, as engenheiras representaram 58% das admissões.

A representatividade tem papel fundamental nessas conquistas. Quando entrei na Braskem como estagiária, já via Ana Carolina Viana como referência. Hoje, vice-presidente Industrial para a América do Sul, ela mostra que é possível chegar longe.

Deixo um conselho às mulheres que sonham com essa carreira: sejam firmes, curiosas e autênticas. Não há espaço que não possa ser ocupado com talento, preparo e coragem. Que sigamos abrindo portas, inspirando outras mulheres e mostrando, todos os dias, que a engenharia também é lugar de protagonismo feminino. O futuro da indústria será mais inovador, humano e forte, e ele passa, sem dúvida, pelas mãos das mulheres.

*Marina Reis é gerente de Produção da unidade de Olefinas da Braskem na Bahia