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Publicado em 18 de agosto de 2026 às 08:00
Ao utilizarmos o termo “juventudes” no plural, reconhecemos a diversidade de formas de vivenciar a condição juvenil, bem como a complexidade das experiências que a constituem, considerando as múltiplas realidades enfrentadas por jovens de diferentes classes sociais, territórios e contextos culturais. >
Inseridas em um cenário marcado por crises socioambientais e por desigualdades territoriais, as juventudes contemporâneas - oriundas de diferentes realidades, como as periféricas, rurais, urbanas, indígenas e quilombolas - não esperam o amanhã: elas ocupam, questionam, criam e resistem nos territórios onde a vida pulsa e também onde ela é ameaçada. Assim, a centralidade das juventudes no campo ambiental põe em xeque perspectivas que, ora as enxergam apenas como problema social, ora as projetam exclusivamente como promessa de futuro. Essa problematização é importante, pois abre brechas para ações transformadoras dessa geração no tempo presente, evidenciando o protagonismo juvenil. Mais do que sujeitos em formação, as juventudes já produzem práticas culturais e sociais diversas, a exemplo do ativismo ambiental, das culturas digitais e da agroecologia, que anunciam possibilidades de mundos plurais e sustentáveis.>
A articulação entre juventudes e educação ambiental evidencia, também, a potência dos coletivos e movimentos juvenis como redes de saberes e de ação política, capazes de incidir no debate socioambiental em escalas locais e globais. Esse protagonismo foi evidenciado nas mobilizações em torno da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), realizada no estado do Pará. Jovens de diversos territórios atuaram em mutirões, em suas comunidades, em projetos para resoluções de problemas locais, contribuindo para que atitudes individuais e iniciativas pontuais se somassem às ações coletivas e às políticas públicas. Organizações lideradas por jovens em redes digitais, a exemplo do Engajamundo e do Fridays for Future Brasil, têm ampliado a participação política dos jovens e consolidado espaços de articulação e incidência no campo socioambiental.>
No âmbito das ações mais localizadas, as diferentes juventudes brasileiras protagonizam iniciativas como o cuidado com a terra, a organização e manutenção de hortas comunitárias, a promoção de ações de conscientização e a realização de mutirões de limpeza. Ao fazerem isso, os jovens reinventam, tensionam e colocam a educação ambiental em movimento, recusando qualquer lugar que os reduza a espectadores passivos do próprio futuro.>
*Ana Raquel de Souza Rodrigues é pedagoga do Instituto Federal de Educação do Espírito Santo, campus Vitória, e doutoranda em Educação pela Universidade Federal da Bahia. anaraquel@ifes.edu.br>