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Antônio Meira Jr.
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 17:15
Provavelmente, a primeira memória que você tem de um Lotus é a de um carro de Fórmula 1 com as cores preta e dourada, em alusão ao patrocínio da John Player Special. Foi em um bólido da escuderia britânica que Emerson Fittipaldi ganhou seu primeiro título, em 1972, e que Ayrton Senna conquistou sua primeira vitória, em 1985. Nelson Piquet também pilotou para a equipe, em 1988 e 1989. Na época, foi ao pódio algumas vezes guiando o F1 amarelo e azul, cores da patrocinadora Camel.>
Apesar do sucesso dos brasileiros nas pistas a bordo de modelos da Lotus, a marca só agora chegou ao país, 78 anos depois da sua fundação. A iniciativa partiu de Clemente Faria Jr., empresário e ex-piloto, que chegou a fazer testes com outra equipe britânica, a Williams. Faria Jr., que comanda concessionárias de automóveis e máquinas pesadas em 18 estados, se tornou o importador da Lotus para o mercado brasileiro e apresentou os modelos que vai comercializar no país em um autódromo no interior de São Paulo, o Velocittá.>
O portfólio principal é composto por três modelos: Emira, Emeya e Eletre. O primeiro é a essência mais pura de um carro esporte, com duas portas, tração traseira, espaço apenas para motorista e passageiro e até a opção de câmbio manual. São duas opções para esse modelo: Turbo SE (R$ 1.030.000) e V6 SE (R$ 1.230.000).>
Lotus Emira
A configuração inicial, a Turbo SE traz um motor 2 litros turbo de quatro cilindros em linha fornecido pela Mercedes-AMG e otimizado pela própria Lotus. No Emira, entrega 406 cv de potência e 48,9 kgfm de torque, levando o coupé de 1.530 kg de zero a 100 km/h em exatos 4 segundos. O câmbio é automatizado de dupla embreagem e oito marchas.>
Por R$ 200 mil a mais, o cliente pode levar o Emira V6 SE. A potência é a mesma: 406 cv, mas a proposta é distinta; a configuração mais cara é movida por um propulsor de seis cilindros em V supercharged com 3.5 litros fornecido pela Toyota. Nesse caso, o torque é menor, de 42,8 kgfm, e o tempo para ir aos 100 km/h é um pouquinho maior: 4,3 s. No entanto, para quem prefere uma condução raiz, o prazer de trocar as marchas manualmente está garantido.>
A outra opção é para quem quer a versatilidade de um SUV embalada por uma propulsão elétrica. Para isso, a Lotus oferece duas versões do Eletre: 600 Sport SE (R$ 795 mil) e 900 Carbon (R$ 995 mil). Os números refletem a potência em hp, que, na conversão para cv, correspondem a 612 e 918, respectivamente. Ambos possuem tração integral, bateria com 112 kWh de capacidade e o porte similar ao do Lamborghini Urus.>
Lotus Emeya
O Eletre 600 Sport SE tem 72,4 kgfm de torque, o que faz com que sua aceleração seja próxima à do Emira: 4,5 segundos para chegar aos 100 km/h. Mérito dos motores síncronos de ímãs permanentes, um em cada eixo. São desenvolvidos 302 cv na frente e 310 cv atrás. >
Na opção 900 Carbon, o Eletre chega aos 100,4 kgfm de torque graças ao propulsor traseiro otimizado. Ele entrega 604 cv e a transmissão automática tem duas marchas, com a primeira utilizada para arrancadas. Na dianteira, a potência de 302 cv não muda. A aceleração de zero a 100 km/h é feita em apenas 2,95 segundos, muito rápido para um veículo de 2.710 kg.>
Com o mesmo conjunto do SUV mais potente, a Lotus entrega o Emeya 900 Carbon, que custa R$ 975 mil. Esse sedã de quatro portas tem um estilo coupé e é ligeiramente maior que o Porsche Panamera. Porém, a aerodinâmica é mais favorável que a do Eletre, com o coeficiente de arrasto menor. Um reflexo disso é a aceleração menor: 2,7 segundos são necessários para ir de zero a 100 km/h.>
Lotus Eletre
Além deles, um produto especial pode ser encomendado: o Evija um hipercarro elétrico com mais de 2 mil cv de potência. Amplamente personalizável, esse veículo que acelera de zero a 300 km/h em menos de 10 segundos já teve uma unidade vendida para um brasileiro por mais de R$ 35 milhões.>
O importador esperar comercializar até 150 unidades no país este ano, tendo o Emira como o principal produto. A primeira concessionária será estabelecida em São Paulo, com expansão natural para outros estados.>
Origem britânica, gestão chinesa>
Fundada pelo engenheiro Colin Chapman, em 1948, a Lotus passou por diversas gestões, incluindo até a da americana General Motors na década de 1990. Desde 2017, 51% da Lotus pertence à chinesa Geely, que, além de atuar com a marca de carros homônima, controla fabricantes como Volvo, Zeekr e Lynk & Co, que vai estrear neste ano no Brasil. >
Globalmente, a companhia chinesa tem um perfil de respeito à história de empresas que é acionista, mantendo suas essências, como acontece com a Volvo e a Lotus. No país, a Geely é parceira da Renault e irá produzir veículos no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná.>
*O JORNALISTA VIAJOU A CONVITE DA LTS BRASIL>