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Por que Ranger confirma seu lugar entre as referências da categoria

Picape da Ford é produzida na Argentina e chega ao Brasil em 12 configurações, sempre com propulsão a diesel

  • Foto do(a) author(a) Antônio Meira Jr.
  • Antônio Meira Jr.

Publicado em 10 de julho de 2026 às 17:15

A configuração Limited é a mais completa da Ranger. Com um kit opcional, ela custa R$ 372.900
A configuração Limited é a mais completa da Ranger. Com um kit opcional, ela custa R$ 372.900 Crédito: Divulgação

A nova geração da Ranger chegou ao mercado brasileiro como o principal símbolo da transformação da Ford no país. Lançada há três anos, a picape consolidou sua posição e passou a disputar espaço com a Toyota Hilux, referência histórica na categoria.

Em 2021, a Ford mudou seu modelo de negócio no Brasil. A empresa encerrou a produção de veículos no país, reestruturou a rede de concessionárias e reformulou seu portfólio. Dentro dessa estratégia, a Ranger se tornou o produto de maior destaque da nova fase da empresa.

Um fator interessante é que o modelo da Ford lidera a faixa mais desejada do segmento, a das versões topo de linha, onde estão as configurações de maior valor agregado e maior margem para os fabricantes. Dessa forma, a escolha para a avaliação desta vez foi uma unidade da versão Limited, na qual rodei por 2 mil quilômetros, tanto em Salvador, quanto em uma viagem para o Sudoeste da Bahia.

Na cidade, o utilitário facilita a vida do motorista com alguns equipamentos como câmera 360 graus, monitoramento do ponto cego e alerta de tráfego cruzado em marcha ré. Assim, mesmo guiando um veículo grande para vagas apertadas e vias movimentadas, o condutor consegue ter apoio da tecnologia para ter mais segurança.

A cabine dupla combina acabamento em couro, ajustes elétricos para o banco do motorista e sete airbags por Divulgação

Porém, todos esses equipamentos são exclusivos da configuração Limited com um kit opcional. Ou seja, é uma picape que custa R$ 372.900, a mais cara entre as 12 versões que a Ford oferece para a Ranger. Entre as opções, estão desde a chassi cabine simples com tração 4x4, passando pela Black 4x2 com motor de quatro cilindros até chegar à mais completa com motor de seis cilindros.

O propulsor V6 é um turbodiesel de 3 litros que entrega 250 cv de potência aos 3.250 giros - rendimento inferior apenas ao da Volkswagen Amarok, que ostenta 258 cv. O torque é o maior da categoria: são 61,2 kgfm disponíveis a partir de 1.750 rpm.

Incorporado a ele, está um câmbio automático de 10 velocidades, que tem uma aplicação ampla na marca. Com calibrações distintas, é utilizado desde o Mustang até a F-150. Na Ranger, entrega respostas rápidas tanto na estrada quanto em trechos off-road. Mesmo com o desempenho elevado do V6, o consumo se mostrou razoável para uma picape desse porte: 9,2 km/l na cidade e 10,5 km/l em rodovias.

Nessa versão, a picape tem capacidade para 1.023 kg
Nessa versão, a picape tem capacidade para 1.023 kg Crédito: Antônio Meira Jr.

Esse conjunto é associado a um sofisticado sistema de tração 4x4, que tem a opção de uso integral nas quatro rodas, como acontece em SUVs, por exemplo. Dessa forma, o motorista pode optar por uma atuação constante do 4x4, mesmo em altas velocidades. O sistema ainda conta com reduzida, bloqueio eletrônico do diferencial traseiro e seis modos de condução.

A Ranger encanta pela dirigibilidade. A posição de dirigir, a resposta do conjunto motriz e a calibração da direção elétrica formam um dos melhores conjuntos do segmento. Um ponto negativo é que nenhuma versão oferece regulagem de altura para os cintos de segurança.

A suspensão também mostra bom equilíbrio, com conforto em pisos ruins e estabilidade em velocidades mais altas, seja no asfalto ou em estradas de cascalho. Os freios são a disco nas quatro rodas.

É também uma picape conectada, que permite que, por meio de um aplicativo para smartphone, o usuário consulte algumas funções, como o tempo de vida do óleo do motor e a autonomia. É possível ainda localizar o veículo e dar a partida no motor.

A tampa da caçamba tem um sistema que alivia seu peso. O compartimento é iluminado e tem seis ganchos para fixação de carga
A tampa da caçamba tem um sistema que alivia seu peso. O compartimento é iluminado e tem seis ganchos para fixação de carga Crédito: Divulgação

MERCADO BAIANO

O desempenho comercial da Ranger também se reflete na Bahia, onde o modelo ampliou sua participação de mercado no primeiro semestre. A Toyota Hilux liderou os emplacamentos de picapes médias entre janeiro e junho, com 1.256 unidades licenciadas. A Ford Ranger ficou na segunda colocação, com 768 unidades, seguida pela Chevrolet S10, que registrou 575 emplacamentos.

Na sequência aparecem a GWM Poer, com 233 unidades, e a Mitsubishi Triton, com 216, ocupando a quarta e a quinta posições, respectivamente. Da sexta à décima segunda colocação, o ranking é formado por Fiat Titano (121 unidades), RAM Dakota (59), Nissan Frontier (44), Volkswagen Amarok (24), JAC Hunter (6), BYD Shark (5) e Foton Tunland (4).

Ao todo, foram licenciadas 3.311 picapes médias na Bahia no primeiro semestre. Desse total, a Hilux concentrou 37,9% do mercado, seguida pela Ranger, com 23,2%, e pela S10, com 17,4%.

O resultado confirma a força da Ranger no mercado regional, onde a picape já aparece consolidada como principal concorrente da líder Hilux.