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Antônio Meira Jr.
Publicado em 24 de julho de 2026 às 13:00
Em entrevista exclusiva ao CORREIO, o brasileiro Luís Rezende detalha a guinada estratégica da marca sueca, a guerra de software contra rivais europeias e Tesla, e analisa o avanço das marcas chinesas no mercado.>
Após consolidar uma trajetória de sucesso no Brasil e na América Latina, o executivo brasileiro Luís Rezende assumiu a presidência da Volvo Cars para a região Américas - braço que engloba Estados Unidos, Canadá e toda a América Latina. Baseado nos EUA, o executivo detalhou os novos rumos estratégicos da marca e os desafios para os próximos anos em um cenário global dinâmico.>
Em uma conversa que transitou entre desafios geopolíticos, reestruturação demográfica de consumidores e a vanguarda dos veículos definidos por software, Rezende revelou como a marca sueca - controlada pela chinesa Geely - planeja expandir sua fatia de mercado e se consolidar frente a concorrentes tradicionais e às novas ameaças asiáticas.>
Para o executivo, a evolução dos automóveis nos próximos quatro a cinco anos transformará radicalmente a relação das pessoas com os veículos, assemelhando-se à transição do celular analógico para o smartphone.>
Luís Rezende
presidente da região Américas para a Volvo CarsCom baterias de alta capacidade e processamento de dados avançado, os carros permitirão customizações completas por assinatura (como compra temporária de mais potência ou autonomia), controle total de automação residencial de dentro do veículo e até a devolução de energia excedente do carro para a rede elétrica de casa. “Pensaremos: ‘Nossa, como a gente vivia sem isso antes?’”, comenta.>
Volvo Cars
Guerra do software>
Para Rezende, um dos principais trunfos da marca frente aos concorrentes tradicionais alemães (Audi, BMW e Mercedes-Benz) é a maturidade de seu software. Enquanto marcas como a BMW enfrentam desafios de estabilização em suas novas plataformas, a Volvo já consolidou essa tecnologia.>
Recentemente, a fabricante realizou uma atualização massiva de experiência do usuário na tela central de mais de 600 mil carros nas Américas. Rezende revelou que 80% do processo foi feito remotamente (Over-The-Air). >
“Quando você vai para a Audi, não tem essa tecnologia. Quando vai para a Mercedes, ainda precisa conectar o carro”, explica. Essa capacidade coloca a Volvo em patamar de igualdade técnica com a pioneira Tesla.>
Porém, Rezende é enfático ao pontuar a diferença: “Qual é a nossa vantagem versus a Tesla? Eles não estão investindo em modelos novos. Então, nós estamos vindo com algo capaz de ser igual ou melhor em termos de processamento de dados”.>
Adequação regional>
Globalmente, a Volvo mantém o compromisso com um futuro eletrificado, mas adaptou sua estratégia de transição à realidade de cada região. Nos EUA, a jornada não seguiu o ritmo de 100% de eletrificação imediata visto no Brasil. >
Com a redução dos incentivos governamentais para carros elétricos em setembro do ano passado, o mercado de elétricos puros recuou em solo americano. “Não ser 100% elétrico, mas ser cada vez mais eletrificado. A gente acredita nesse futuro, mas vai ter aí uma adaptação”, comentou o brasileiro.>
O grande desafio da Volvo em solo americano é ampliar sua participação em um mercado maduro e estável. Atualmente, a marca detém cerca de 5% da fatia premium nos EUA, com volume próximo de 120 mil carros por ano. A ambição é atingir 8% de participação nas vendas até 2030, saltando para 200 mil veículos comercializados anualmente.>
Historicamente, o cliente típico da Volvo nos EUA é homem, branco e com mais de 50 anos. Para reverter esse cenário e competir com Tesla, BMW e Mercedes-Benz - que já realizam um trabalho consolidado com jovens e minorias -, a empresa reformulou sua comunicação sob a liderança de marketing do também brasileiro Rafael Ugo.>
A escuta ativa da rede de concessionárias levou a uma mudança no tom de voz, troca de influenciadores e novo posicionamento. Segundo Rezende, as campanhas na Califórnia e em Nova York agora possuem abordagens completamente distintas para preservar a essência da marca, respeitando as nuances locais.>
A estratégia repete o sucesso obtido na América Latina: enquanto o Brasil adotou uma linha voltada para esportes e estilo de vida outdoor - com influenciadores do surfe e a skatista Rayssa Leal -, o México direcionou sua comunicação para o segmento de luxo e moda, utilizando atores da Netflix e presença na Fashion Week.>
Avanço chinês>
Quando questionado sobre o avanço das marcas chinesas no Brasil, Rezende fez um resgate histórico: “Costumo dizer que é um movimento similar ao da Hyundai e da Kia no passado. A diferença é que, na época, eram apenas duas marcas - com gestões diferentes no Brasil, mas eram duas”. >
Para o executivo, a expectativa é que, após essa primeira onda focada no mercado de massa, as novas fabricantes asiáticas tentem migrar para o segmento premium.>