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Inema é sucateado na Bahia: órgão perde 36% do quadro e 62,5% dos técnicos

Órgão ambiental tem mais de 17 mil processos em tramitação e enfrenta redução da estrutura responsável por licenciamento, fiscalização e outorga de recursos hídricos

  • Foto do(a) author(a) Donaldson Gomes
  • Donaldson Gomes

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 05:00

Inema é responsável por decidir sobre licenças ambientais e outorgas Crédito: Carla Ornelas/SECOM

A palavra é sucateamento

Os números relacionados ao sistema de meio ambiente na Bahia são desoladores. Enquanto o estado disputa investimentos bilionários em energia, portos, infraestrutura e agronegócio, o órgão responsável por licenciar, fiscalizar e outorgar o uso dos recursos naturais do estado opera hoje com uma fração da estrutura que tinha há alguns anos. O Inema - Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos perdeu um terço da sua força de trabalho. Em 2011, contava com pouco mais de 550 profissionais entre os efetivos, cedidos e ‘Redas’. Atualmente, são 360, o que representa uma redução de 36%. No corpo técnico especializado a situação é mais grave, o número de analistas técnicos, responsáveis por formular pareceres, despencou de 40 para 15 no mesmo período – uma queda de 62,5%. Por outro lado, existem mais de 17 mil processos em tramitação, entre licenciamento ambiental e outorga de recursos hídricos.

Parou no tempo

Quem convive com a realidade acredita que ela seria menos dura se o órgão tivesse passado por uma transformação tecnológica. Não foi o caso e o sucateamento também é evidente no SEIA, sistema que controla os atos administrativos do próprio Inema e da Secretaria do Meio Ambiente (Sema). A instabilidade e a fragilidade expõem gestões atrasadas, a despeito de terem gastado mais de R$ 100 milhões em pouco mais de uma década. As novas tecnologias, como a inteligência artificial, ainda não chegaram por lá. As queixas pela ineficiência são praticamente generalizadas. Passam por setores como o agro, atividade florestal, petroquímica, energia e mineração. Vez por outra, vêem-se empresários lamentando “aniversários” de até cinco anos em pedidos de licença ou outorga. Na mesma fila padecem também grandes concessionárias e operadoras de infraestrutura pública, o que impacta na expansão de serviços públicos essenciais, como o fornecimento de água, barragens, energia e estradas, por exemplo.

Problema estrutural

O cenário já motivou o Ministério Público Federal e o Ministério Público da Bahia a expedir despachos de urgência exigindo respostas do Inema e até os técnicos do órgão já assinaram uma carta aberta denunciando a “desestruturação institucional” e o enfraquecimento de instâncias como o Conselho do Meio Ambiente. Os números apresentam um problema estrutural e histórico, não conjuntural. O Inema está sendo sucateado. É impossível fazer um bom trabalho sem um quadro técnico compatível com a responsabilidade do órgão. Outra coisa, por que não utilizar os milhões em multas ambientais para incrementar a capacidade de licenciamento e fiscalização do sistema? Não é razoável que o estado com mais potencial para atração de investimentos do Nordeste opere seu principal órgão ambiental nestas condições. O ônus recai sobre empresas, comunidades e sobre a própria credibilidade ambiental da Bahia.

Contas digitais

A Bahia registrou um dos maiores crescimentos no número de contas digitais ativas do iFood Pago, no segundo trimestre de 2026. No recorte anual, o estado também se destaca: cresceu 59% entre abril e junho de 2026 sobre o mesmo período de 2025, terceiro maior índice do país. Nacionalmente, o iFood Pago registrou média de 171 mil contas ativas por mês e movimentou R$ 20,25 bilhões no trimestre. As transferências por Pix e TED cresceram 340% em quantidade no comparativo anual. “Os números de crescimento no Nordeste e no Centro-Oeste mostram que a demanda por inclusão financeira digital é latente”, afirma Fernanda Monnerat, iFood Pago. “Desta forma, levamos a tecnologia financeira e acesso ao crédito, por meio da concessão e também do cartão de crédito iFood Pago, para promover o crescimento dos negócios dos nossos parceiros de todo o país”, ressalta. Desde o início de suas operações, a plataforma já concedeu mais de R$ 3 bilhões em crédito para empreendedores do setor de alimentação em todo o país.

Rede moderna

A TIM finalizou a modernização da sua rede móvel na Região Metropolitana de Salvador (RMS) utilizando automação e inteligência artificial para aumentar a eficiência da operação. O plano contou com a atualização de mais de 500 sites (antenas), com soluções de IA, o que gerou um crescimento de mais de 20% no tráfego de dados 5G. A substituição por equipamentos mais modernos reduziu em 15% o consumo de energia da infraestrutura na região. O investimento reforça a posição estratégica do Estado para a operadora, que expandiu sua presença 5G na Bahia de 29 para 54 municípios — uma alta de 85% na cobertura baiana.

Aviso de férias

O colunista está saindo de férias hoje e retorna em 15 dias.