Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Editorial
Publicado em 7 de agosto de 2026 às 05:30
Na tentativa, mais uma vez, de maquiar a realidade, o governo Jerônimo Rodrigues divulgou um texto para sustentar a narrativa de avanço da educação no estado. No material, afirma que a “Bahia cresce no Ideb pela quarta vez consecutiva e consolida histórico na Educação sob gestão Jerônimo”. A maquiagem, entretanto, desmancha-se quando confrontada com os fatos. >
Os números divulgados um dia depois pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC), mostram uma realidade bem diferente. A Bahia continua apresentando resultados preocupantes e ocupando posições que deveriam envergonhar o estado diante do restante do país e, especialmente, do Nordeste.>
No ensino médio, a Bahia ocupa a 26ª colocação nacional e apresenta o pior desempenho entre os estados nordestinos. É estarrecedor que, após quase 20 anos de um mesmo grupo político à frente do governo estadual, ainda não existam resultados verdadeiramente positivos a serem celebrados.>
Cabe reforçar que o Ideb combina indicadores de aprendizagem e de fluxo escolar para medir o desempenho das escolas, dos municípios, dos estados e do país. Divulgado a cada dois anos, o índice é elaborado pelo governo federal e constitui uma das principais referências para a avaliação da qualidade da educação básica brasileira. Não se trata, portanto, de um levantamento produzido por adversários políticos ou de números cuja credibilidade possa ser facilmente colocada em dúvida.>
O governo Jerônimo costuma se vangloriar dos bilhões de reais destinados à educação. Os resultados, porém, deixam claro que esses investimentos não têm produzido os efeitos necessários sobre a qualidade do ensino. Será que os recursos estão sendo aplicados de maneira equivocada? Essa é uma hipótese que precisa ser explicada pelas autoridades responsáveis.>
Não é aceitável que a Bahia, o estado mais populoso e uma das principais economias do Nordeste, permaneça com indicadores tão decadentes na educação. Como este jornal tem reiterado, o ensino é uma área fundamental para a ampliação do desenvolvimento econômico e social. Nenhum país avançou de forma consistente sem investir em educação e melhorar a aprendizagem de seus estudantes. A experiência das nações asiáticas é uma demonstração evidente disso.>
O problema não está restrito ao ensino médio. Nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, a situação também é vergonhosa. A Bahia caiu de 4,0 para 3,9, o que a torna um dos poucos estados brasileiros a registrar redução no índice durante o período, na contramão do desempenho nacional e dos avanços observados em outras unidades da Federação. Ou seja: não apenas deixamos de melhorar, como retrocedemos.>
A situação educacional da Bahia é estarrecedora e exige uma mudança urgente de rumo. O estado precisa de um projeto capaz de melhorar efetivamente a aprendizagem. Não basta reformar prédios, inaugurar escolas ou ampliar a infraestrutura física da rede pública. É indispensável garantir que os estudantes aprendam.>
Na era da inteligência artificial, os alunos precisam estar preparados para lidar com as novas tecnologias e enfrentar os desafios do mundo contemporâneo. Sem uma transformação profunda na qualidade do ensino, a Bahia continuará exatamente onde está: muito atrás.>