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Rodrigo Daniel Silva
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 06:00
Os números impressionam. Em pleno ano eleitoral, o governo Jerônimo Rodrigues (PT) programou R$ 3,007 bilhões para desembolsos em convênios em 2026, mais que o dobro dos R$ 1,422 bilhão previstos em 2025. Os dados são do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) e foram obtidos pela coluna. >
Na prática, a previsão cresceu 111% em apenas um ano, com um acréscimo de quase R$ 1,6 bilhão. Os convênios são instrumentos por meio dos quais o Estado transfere recursos para prefeituras e organizações, destinados à execução de obras, serviços, projetos e outras ações. >
Há, porém, uma diferença relevante entre o que foi programado e o que aparece como efetivamente liquidado nas contas. Dos R$ 3 bilhões previstos para este ano, R$ 673,3 milhões constavam como liquidados no período abrangido pelos dados do TCE, o equivalente a 22,4% do total. Em 2025, o montante liquidado chegou a R$ 709,1 milhões.>
Mais dinheiro, menos convênios>
Outro número ajuda a dimensionar o movimento. Embora a previsão financeira tenha mais que dobrado, a quantidade de convênios caiu. Foram 3.622 em 2025 e são 3.161 em 2026. Uma redução de aproximadamente 13%.>
Ou seja: há menos convênios, mas muito mais dinheiro previsto para eles. O valor médio programado por convênio passou de cerca de R$ 393 mil em 2025 para R$ 951 mil neste ano. É um salto de aproximadamente 142%.>
Anos eleitorais no topo>
A série do TCE também revela uma coincidência que merece atenção: os dois maiores valores dos últimos cinco anos aparecem justamente em anos de eleição estadual.>
Em 2022, último ano do governo Rui Costa (PT) e período em que Jerônimo Rodrigues foi eleito governador, a previsão para convênios chegou a R$ 2,346 bilhões, dos quais R$ 2,039 bilhões foram liquidados.>
Depois disso, a previsão caiu sucessivamente: para R$ 1,889 bilhão em 2023, R$ 1,561 bilhão em 2024 e R$ 1,422 bilhão em 2025. Agora, em 2026, ano em que Jerônimo disputa a reeleição, o montante projetado salta para R$ 3,007 bilhões, o maior valor da série.>
Cabe frisar: todos esses números são oficiais e constam dos dados do Tribunal de Contas do Estado.>
E o restante?>
A coluna perguntou ao TCE se o restante dos recursos previstos para os convênios ainda pode ser executado ao longo deste ano, mesmo com as restrições impostas pelo calendário eleitoral.>
Segundo a assessoria de comunicação do tribunal, a contabilização não ocorre necessariamente no mesmo momento em que o recurso é utilizado pelo destinatário:>
“O Estado só registra na contabilidade, como executado, o recurso dos convênios somente após a apresentação das prestações de contas pelos destinatários. Então quem está executando o recurso repassado não sofre a restrição por conta da eleição”. >
TCE cobra maior controle>
O crescimento do volume financeiro dos convênios já provocou uma cobrança pública dentro do próprio TCE. Durante sessão realizada em 30 de julho, o presidente da Corte, Gildásio Penedo, defendeu a criação urgente de um sistema padronizado de controle desses instrumentos.>
Ao justificar a necessidade, Penedo chamou a atenção para uma “volumização expressiva em relação aos recursos que estão sendo destinados na área de convênios”.>
A manifestação ganha ainda mais relevância diante dos números de 2026: nunca, nos cinco anos analisados, houve uma previsão tão elevada de recursos para convênios do Executivo baiano.>
A coluna procurou a assessoria de comunicação da Secretaria da Fazenda para comentar os dados. A pasta informou que cada secretaria é responsável pela gestão de seus respectivos convênios e orientou que o posicionamento fosse solicitado à Secretaria de Comunicação do Governo da Bahia. A Secom, porém, não respondeu até a publicação deste texto.>