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Nelson Cadena
Publicado em 16 de julho de 2026 às 05:00
Em 12 de agosto próximo, a Associação Bahiana de Imprensa (ABI) rememora o cinquentenário da inauguração de seu Museu da Imprensa, instalado, à época, em um espaço acanhado: menos de vinte metros quadrados. Era o suficiente para abrigar o acervo inicial, composto pelo retrato e pelas bengalas de Simões Filho, retrato do idealizador da entidade, Thales de Freitas, além de algumas vitrines expondo medalhas, documentos, caricaturas, revistas e jornais. >
Quando da reforma do espaço, o retrato de Thales só não foi parar no banheiro por milagre. Acabou jogado em um canto qualquer, longe dos olhos dos visitantes e sem qualquer identificação. Em 2024, a entidade o recolocou no Salão Nobre, onde deveria ter sido exposto desde a inauguração da Galeria dos Presidentes. Antes, em 2021, durante a presidência de Walter Pinheiro, o museu foi reinaugurado em uma área restaurada e adequada à sua finalidade, com vitrine voltada para a rua. Ganhou também um espaço destinado ao restauro e à manutenção do acervo.>
O Museu da Imprensa foi uma iniciativa de Afonso Maciel Neto, então presidente da entidade, em 1974. O historiador José Calazans foi convidado para elaborar o projeto e cuidar da curadoria. Quando, mais tarde, declinou da tarefa, alegando acúmulo de atividades na Faculdade de Filosofia da UFBA, a historiadora e folclorista Hildegardes Vianna assumiu a incumbência. Com zelo e dedicação organizou o modesto acervo aqui referido, contando com o apoio da museóloga e artista plástica Ligia Sampaio, funcionária da Prefeitura, cedida à ABI. O museu foi inaugurado em 17 de agosto de 1976.>
Ligia tornou-se a mãe do Museu, no melhor sentido da palavra: zelando, protegendo, cuidando e acalentando o acervo. Desenvolveu uma metodologia para identificar personagens dos acervos fotográficos e, durante anos, organizou exposições temáticas, sempre no mês de agosto. Recebeu doações das famílias de Aloísio de Carvalho, Amado Coutinho, Luís Eugênio Tarquínio, Aristóteles Gomes, Homero Pires, Rochild Moreira e muitos outros. Por falta de espaço, a maior parte desse acervo foi direcionada à biblioteca da entidade.>
O Museu da Imprensa da ABI foi o pioneiro no Brasil. E o único da iniciativa privada. Seis anos depois foi inaugurado o Museu da Imprensa Nacional, em Brasília, vinculado à Casa Civil da Presidência da República, hoje considerado o oitavo mais importante do mundo no segmento gráfico. Em Porto Alegre existe o Museu da Comunicação Hipólito da Costa, mantido pelo Governo do Rio Grande do Sul. Niterói chegou a ter um Museu da Imprensa, inaugurado em 2002, na sede da Imprensa Oficial do Estado. Despejado anos depois, em 2009, quando venceu o contrato de comodato, teve seu acervo lacrado e, desde então, só Deus sabe onde foi parar.>
O Museu da Imprensa registra a história da ABI, de seus associados ilustres, além de preservar imagens e textos, passado e presente, de A Tarde, Bahia Hoje, Correio da Bahia, Diário da Bahia, Diário de Notícias, O Estado da Bahia e Tribuna da Bahia; das TVs Aratu, Bahia, Bandeirantes, Educadora e Itapoan; das rádios Cultura, Educadora, Excelsior, Metrópole e Sociedade; de jornais e revistas especializados e alternativos, bem como painéis sobre os meios de produção gráfica, entre outras temáticas. Por ora recebe apenas visitas agendadas de escolas e universidades, com a perspectiva de reabrir ao público em geral, em breve.>