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Pombo Correio
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 05:30
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) convocou deputados e candidatos da base para uma reunião de alinhamento da campanha, depois que o núcleo político percebeu que muita gente anda cuidando apenas da própria eleição e deixando o governador em segundo plano. O encontro, porém, ficou longe do esperado. A adesão foi baixa, com diversos parlamentares alegando compromissos e agendas no interior para justificar a ausência. Entre os que compareceram, o relato é de que houve mais lavagem de roupa suja do que alinhamento. Deputados e candidatos ouviram cobranças pela falta de material casado com Jerônimo e pela pouca disposição em vincular suas campanhas à do petista. Em vez de sair unida, a tropa deixou a reunião ainda mais frustrada.>
Cada um por si>
O episódio expôs um problema maior na base governista. Deputados e candidatos relatam reservadamente um clima crescente de desânimo com a campanha. Nas andanças pelo interior, alguns dizem perceber com muito mais força do que antes um desejo de mudança entre os eleitores, sentimento que já havia acendido o alerta entre caciques governistas. Para completar, há queixas de que o núcleo do governo privilegia determinados nomes enquanto outros ficam à própria sorte. Preocupados em garantir a própria sobrevivência eleitoral e sem se sentirem devidamente contemplados pelo Palácio de Ondina, parlamentares passaram a concentrar energia nas próprias campanhas.>
Tardio e insensível>
Além de tardia, a manifestação do governador Jerônimo Rodrigues sobre a morte da jovem Brenda Nicole, assassinada com um tiro no rosto na madrugada do último domingo durante uma tentativa de assalto no Imbuí, veio também carregada de insensibilidade. Nas redes sociais, o governador só se pronunciou no final da noite de domingo, quase 24 horas depois do crime e quando Brenda já havia sido sepultada. Jerônimo passou o dia em campanha pelo interior e, pelo visto, não encontrou tempo para o caso que chocou a sociedade baiana. No dia seguinte, no 7 de Setembro, ao comentar a tragédia, Jerônimo chegou a usar a palavra “prejuízo” para se referir à dor dos pais pela perda da filha. A tentativa insistente de negar a crise na segurança pública mostrou que o petista, além de distante da realidade das ruas, assumiu um traço pouco solidário para dizer o mínimo.>
Efeito contrário>
A tentativa de evitar a repercussão do caso, na verdade, provocou uma onda de indignação contra o governador Jerônimo e acabou ampliando ainda mais a cobrança sobre sua postura diante da violência. A reação foi tão forte que o tio da vítima fez um desabafo ao vivo na televisão para criticar justamente o que classificou como uma postura leniente do governador diante do assassinato. Em tom de revolta, ele chegou a afirmar que “o sangue da minha sobrinha está nas mãos do governador”. O silêncio e a tentativa de minimizar o problema produzem justamente o efeito contrário.>
Realidade paralela>
Mesmo diante de toda a comoção, Jerônimo resolveu dobrar a aposta no seu negacionismo quanto à violência na Bahia. Dois dias depois da tragédia, durante entrevista na bancada de um telejornal, afirmou que o Estado vive um “cenário positivo” na agenda da segurança pública, sem demonstrar, novamente, nenhum gesto de solidariedade à família da vítima. A despeito do esforço repetitivo de Jerônimo em tentar ocultar, o retrato da segurança é dramático: a Bahia segue como o estado com o maior número absoluto de homicídios do país, e entre as vítimas da violência estão justamente jovens, negros e mulheres, como Brenda.>
Mais do mesmo, porém vazio>
Dois eventos em Periperi, no último final de semana, e outro esta semana, em Fazenda Coutos, deram mais uma demonstração de que a campanha do governador Jerônimo Rodrigues no Subúrbio de Salvador não enfrenta apenas um movimento de desidratação política, mas também um evidente esvaziamento popular. O pouco público nas agendas de rua chamou a atenção até de moradores dos bairros por onde passou o governador, que registraram e repercutiram as cenas nas redes sociais. Embora tenha transformado o Subúrbio na sua grande aposta eleitoral, Jerônimo não consegue fazer a animação interna ecoar para além da bolha da militância. O choque de realidade com a insegurança pública não permite ao povo de Salvador ouvir mais do mesmo.>
Adesão>
Em outra ponta, os eventos de campanha da oposição, até mesmo aqueles sem a presença de ACM Neto (União Brasil), têm ganhado tração pelo interior do Estado. Diversas cidades registram movimentos de larga adesão popular, numa demonstração de força que confirma, inclusive, a dificuldade de interlocutores do governo em avançar na pedida de votos para Jerônimo no interior. O cenário já começa, inclusive, a produzir mudanças de comportamento entre deputados da base governista, que, ao enxergarem essa dificuldade, adotam uma postura mais amena para não correr o risco de terem prejuízos em suas campanhas proporcionais. >
Salve o filho>
Um caso em particular vem de figuras do staff do vice-governador Geraldo Júnior (MDB), que dizem ter recebido orientação para não discutir o voto da majoritária quando isso puder dificultar a pedida de votos para seu filho, Mateus Ferreira, que tenta a reeleição para a Assembleia Legislativa da Bahia. O episódio mostra que a dificuldade de pedir votos para Jerônimo já chega até ao seu parceiro de chapa, que, diante da bola dividida, prefere preservar o mandato do filho a se indispor com o eleitor para defender a reeleição do petista, e a sua por tabela. É o caso raro de pedido de voto para o pai que atrapalha a campanha do filho.>
Esconde esconde>
Por falar no vice-governador, Geraldo Jr. anda cada vez mais escondido da campanha de Jerônimo. O emedebista não aparece em peças de campanha nas redes sociais nem nos programas de TV. A situação expõe a frágil posição de Geraldo, que ficou quatro anos apagado, só continuou na chapa governista por falta de opção e agora é escondido por seus próprios aliados. >
Lavagem de roupa suja>
A insatisfação de lideranças do PT no extremo sul com a direção estadual do partido deixou os bastidores e foi parar nos grupos de WhatsApp. Em Teixeira de Freitas, dirigentes, militantes históricos e lideranças petistas dispararam uma sequência de áudios com duras reclamações sobre a falta de diálogo e de apoio da cúpula estadual. A queixa é de que quem está na ponta, responsável por mobilizar a militância e colocar gente na rua, estaria sendo deixado à própria sorte justamente em uma região considerada difícil para o governador Jerônimo Rodrigues. Nos áudios, petistas dizem enxergar uma rejeição elevada ao governador e alertam que, sem uma reação da direção estadual e maior atenção às bases locais, o resultado das urnas pode ser adverso.>