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Publicado em 2 de setembro de 2026 às 05:00
A educação sempre foi a alavanca da minha vida. Filha de professores, cresci em uma família que ancorou nos estudos a sua perspectiva de desenvolvimento. Essa bagagem me deu a clareza de que o conhecimento é o melhor bem que podemos possuir. >
Na juventude, ao dar aulas para estudantes de escolas públicas, consolidei a convicção de que temos de devolver à sociedade aquilo que nos transformou. E foi no ambiente corporativo que descobri o melhor canal para isso: o voluntariado. Exercer a liderança e atuar como voluntária são dimensões que se retroalimentam da mesma fonte: o propósito e a empatia.>
Liderar com empatia é ter a capacidade genuína de escutar. No voluntariado, ela nos tira da nossa bolha e nos conecta com realidades diferentes. Já o propósito aproxima o que temos de melhor como profissionais e indivíduos daquilo que podemos oferecer à sociedade.>
Em 2026, quando a ONU celebra o Ano Internacional do Voluntariado para o Desenvolvimento Sustentável, refletir sobre essa pauta é essencial. O voluntariado corporativo tem um enorme poder de aceleração. Se acharmos que a sociedade vai se autorregular e corrigir suas desigualdades estruturais naturalmente, o processo será dolorosamente lento.>
O setor corporativo, com sua estrutura, tem o potencial de antecipar em décadas as transformações que nosso país precisa. Essa dinâmica se manifesta em iniciativas como os programas de mentoria e ações voluntárias da Braskem. Ao orientar jovens e compartilhar trajetórias, presenciamos potenciais sendo destravados e horizontes se ampliando. Além disso, o voluntariado corporativo consegue reconfigurar a própria cultura interna. Dentro dele, a hierarquia tradicional perde relevância e a liderança passa a acontecer pelo propósito, engajamento e desejo de contribuir.>
Reconheço que a rotina cotidiana é densa e que equilibrar demandas profissionais e pessoais é um desafio. Por isso, o voluntariado não deve ser encarado como uma cobrança. Não se trata de sacrificar nosso tempo livre, mas de encontrar nas ações voluntárias um espaço de renovação, troca e aprendizado.>
O voluntariado é também um investimento no nosso desenvolvimento. Ele amplia nossa visão de mundo, humaniza as relações e nos torna líderes mais empáticos e conscientes. Também não podemos achar que só vale à pena participar quando pudermos oferecer uma contribuição grandiosa. A vivência prática me mostrou que cada pequena atitude tem valor enorme. Doar conhecimento, atenção e mentoria pode ser profundamente transformador.>
Que possamos usar a força do ambiente corporativo para criar essas pontes, ampliar oportunidades e acelerar transformações. Quando compartilhamos nosso tempo, conhecimento e experiência, não estamos só contribuindo para o presente, mas construindo uma sociedade mais justa, empática e repleta de oportunidades.>
Ana Carolina Viana é vice-presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil.>