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Pombo Correio
Publicado em 17 de julho de 2026 às 05:00
Enquanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT) insiste em vender a imagem de uma saúde pública fortalecida, a própria máquina estadual tratou de dar um banho de água fria no discurso do petista. Decisões finais da Diretoria de Vigilância Sanitária e Ambiental (Divisa), publicadas no Diário Oficial desta quinta-feira (16), revelam uma sucessão de autuações em unidades da rede estadual e de fundações ligadas ao governo. Entre os problemas apontados estão falhas na potabilidade da água, irregularidades na esterilização de materiais, inutilização de produtos por risco sanitário, descumprimento de protocolos de radiodiagnóstico e até falhas em procedimentos hemoterápicos. Em outras palavras, o governo acabou reprovado pela própria fiscalização. Quem paga o preço é o povo. >
Reação em cadeia>
O episódio do 2 de Julho em que o governador Jerônimo Rodrigues afastou com um movimento brusco o braço de uma mulher que se aproximou para fazer uma pergunta acendeu um sinal de alerta na campanha à reeleição. A avaliação interna é de que a cena, que repercutiu nacionalmente e foi interpretada por muitos como uma atitude agressiva, ainda está rendendo impactos negativos e produziu um desgaste maior do que o inicialmente previsto, especialmente entre o eleitorado feminino. Nos bastidores, integrantes da equipe já discutem estratégias para conter os danos e reduzir os efeitos do episódio. O entendimento é que o caso deixou marcas e pode custar votos se não for neutralizado rapidamente.>
Respirando por aparelhos>
O avanço das investigações sobre a compra frustrada de respiradores pelo Consórcio Nordeste, cuja apuração atinge em cheio o ex-ministro Rui Costa, acendeu um sinal de alerta no Palácio de Ondina. Interlocutores do governo admitem, reservadamente, que a divulgação da auditoria do TCE, que aponta "erros administrativos grosseiros" e abre caminho para responsabilizar Rui Costa pelo prejuízo de R$ 48,7 milhões, elevou a preocupação dentro da gestão Jerônimo Rodrigues. O temor é que novos desdobramentos ampliem o desgaste do ex-governador, principal liderança do PT baiano, e acabem contaminando o ambiente político às vésperas da disputa de 2026. >
Zangado>
Por falar em Rui Costa, o ex-ministro anda cada vez mais irritado em entrevistas e agendas públicas do grupo governista. Parlamentares e aliados que acompanham o petista dizem que as expressões de ódio e raiva estão cada vez mais comuns e intensas durante as atividades políticas. Deputados observam que o estilo áspero sempre foi uma marca de Rui, mas piorou consideravelmente desde que deixou a Casa Civil de Lula e voltou à Bahia para disputar o Senado. Em uma reunião com a base nesta semana, relataram parlamentares, o destempero foi evidente e até causou incômodo em alguns dos presentes. Ao final, alguns se questionaram se a irritação crônica tem sido motivada pelo caso dos Respiradores ou pelo aumento da rejeição do grupo petista. >
Sinal vermelho>
O clima de festa nos PGPs do PT contrasta com o clima de tensão observado nos bastidores da base petista nos últimos dias. Deputados aliados passaram a relatar uma preocupação crescente com o cenário eleitoral de 2026. O motivo são pesquisas internas que, segundo parlamentares, apontam desgaste na imagem do governador Jerônimo Rodrigues e também de Rui Costa e Jaques Wagner. Na avaliação desses governistas, o desempenho dos três tem sido afetado pela combinação entre o desgaste natural de um grupo que está há quase duas décadas no poder e o impacto das investigações envolvendo Rui e Wagner. No interior, onde muitos deputados mantêm contato diário com prefeitos e lideranças locais, o relato é de que o sentimento de rejeição ao grupo governista já extrapolou os levantamentos quantitativos e passou a ser percebido nas ruas. >
Cadê Dandan>
O ex-candidato a prefeito de Barreiras, Danilo Henrique, tem se visto rodado depois de ter sido desafiado a debater temas regionais com um vereador da cidade de Wanderley. É que apesar de bancar a fama de ser o mais preparado da política local, ele não consegue explicar o estranho giro que fez para migrar à base do PT nem tão pouco explicar as promessas não cumpridas do governo Jerônimo, do qual ele virou emissário inglório aos 45 do segundo tempo. >
Peroba>
Mesmo diante da repercussão negativa da não-obra da ponte Salvador-Itaparica, o ex-ministro Rui Costa resolveu dobrar a aposta e antecipar uma discussão sobre o valor do pedágio da travessia fantasma. Mas para isso, entrou em outra enrascada: disse que o preço será o mesmo da tarifa do Ferry-boat. Administrado pelo Governo do Estado, o ferry virou, ao longo dos anos, sinônimo de reclamação, com filas intermináveis, embarcações antigas e um serviço de péssima qualidade, se analisado o preço que se paga. Para uma obra prometida há quase duas décadas, e que já virou motivo de piada, a comparação de Rui não poderia ser mais infeliz.>
Bomba em Brasília>
Enquanto o governo Lula queima as pestanas lá em Brasília com a pauta-bomba que passou pelo Senado Federal, aliados do presidente aqui na Bahia comemoram, sem o menor constrangimento, a aprovação de matérias que lhes conferem proveitos eleitorais, mas criam um gargalo orçamentário de bilhões para o Planalto. É o caso da PEC 14, que, apesar de fazer justiça garantindo aposentadoria diferenciada a agentes comunitários de saúde e de combate a endemias, traz um impacto fiscal de R$ 27,9 bilhões em dez anos de vigência.>
Fogos na Bahia>
Quem puxou a fila das comemorações foi o deputado federal Zé Neto (PT), chamando o momento de “uma vitória expressiva” e capitalizando o feito para si em razão de ser o coordenador da frente parlamentar mista que discute os interesses da categoria dos agentes. Outro que também colocou a digital na proposta foi Antonio Brito (PSD), relator da PEC na Câmara. Se depender dos aliados baianos, Lula ficará apenas com o ônus da história. >
Ameaça e tirania>
O vídeo do prefeito de Érico Cardoso ameaçado demitir servidores que não votarem no governador Jerônimo Rodrigues virou, na avaliação de observadores da política, a síntese do estado de desesperou que abateu o campo petista nas últimas semanas. Mas estranho mesmo foi o silêncio da esquerda baiana e dos defensores da democracia diante da típica política de cabresto que ocorre à luz do dia nas redes sociais. Os mesmos que cantam “com tiranos não combinam”, emudeceram quando a tirania pareceu conveniente.>