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Rodrigo Daniel Silva
Publicado em 8 de setembro de 2026 às 05:50
Duas pesquisas de institutos diferentes mostram um fenômeno relevante na disputa pelo governo da Bahia: ACM Neto (União Brasil) abre suas maiores vantagens sobre Jerônimo Rodrigues (PT) justamente entre os eleitores mais jovens. >
Na Quaest divulgada no fim de agosto, o ex-prefeito de Salvador aparece com 43% das intenções de voto entre os baianos de 16 a 34 anos, contra 34% do governador, uma diferença de nove pontos percentuais. É nesse grupo que Neto apresenta um de seus melhores desempenhos.>
O AtlasIntel, que divide o eleitorado em faixas etárias menores, mostra uma distância ainda mais impressionante. Entre os jovens de 16 a 24 anos, Neto chega a 64,2%, enquanto Jerônimo aparece com 28,1%. São 36,1 pontos percentuais de vantagem.>
O desempenho chama a atenção não apenas pelo tamanho da diferença. Há uma extensa discussão acadêmica sobre o papel dos jovens na antecipação (e até na aceleração) de mudanças eleitorais.>
Um estudo do cientista político Roderik Rekker, publicado na revista Electoral Studies, analisou 219 pesquisas eleitorais nacionais realizadas em 21 democracias ocidentais entre 1948 e 2019. A conclusão foi que partidos vencedores costumam registrar ganhos proporcionalmente maiores entre os jovens. >
Segundo o pesquisador, professor de uma universidade holandesa, os jovens iniciam tendências eleitorais que posteriormente se estendem aos eleitores mais velhos, seja porque substituem gerações anteriores de eleitores, seja porque exercem influência sobre elas. A juventude seria, assim, uma espécie de “vanguarda eleitoral” e daria início a movimentos de mudança que depois se espalham por toda a sociedade.>
No início deste mês, o governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues afirmou que “o quadro (eleitoral) não está fácil” para ele e ressaltou que tem “desafio dentro da juventude”.>
Cury vira terceira força na Bahia>
A pesquisa AtlasIntel divulgada na semana passada trouxe outra novidade no cenário baiano: o desempenho do presidenciável Augusto Cury (Avante).>
O escritor aparece em terceiro lugar na Bahia, com 7,9% dos votos válidos, atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 55,7%, e de Flávio Bolsonaro (PL), com 25,7%. É um resultado expressivo para quem tenta romper a polarização. No limite superior da margem de erro do levantamento, Cury encosta nos 10% no estado.>
Seu desempenho é o melhor patamar de um terceiro colocado na Bahia desde Ciro Gomes, que recebeu 9,41% dos votos válidos em 2018. Quatro anos depois, em 2022, Ciro voltou a terminar na terceira posição, mas despencou para apenas 2,58% no estado. Cury, portanto, começa a ocupar na Bahia um espaço que, desde 2018, nenhum candidato fora dos dois principais polos havia conseguido preencher com tanta força.>