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Thais Borges
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 05:00
Isabela Freitas escreve os livros que gostaria de ler - e que outros milhões de leitores também. Desde 2014, quando fez sua estreia com ‘Não se apega, não’, ela já vendeu dois milhões de exemplares com a saga da personagem Isabela, sua homônima, em busca do amor. Agora, 12 anos depois, encerra a série com ‘Não se apaixona, não’, quinto volume, lançado pela editora Intrínseca nesta quarta-feira (2). >
Na obra, a protagonista Isabela se vê entre a pressão dos holofotes e o peso de viver sob o julgamento constante das pessoas. Depois de aprender a sobreviver a relações abusivas e frustrações, ela se vê diante de um desafio inesperado de descobrir como viver um amor saudável sem permitir que as cicatrizes do passado determinem o presente. >
‘Entreguei um banquete de romance’: Isabela Freitas fala sobre novo livro 'Não se apaixona, não', que finaliza a série ‘Não se apega, não’
Nesse último capítulo, a autora Isabela promete muito romance. “Nos outros livros, eu pisei muito no feio na questão do romance, porque fui dando a conta-gotas, uma migalha aqui. Nesse livro eu entreguei um banquete. Tem muitas reviravoltas? Tem. Mas entreguei um banquete de romance”, adiantou, em entrevista exclusiva ao CORREIO, via Zoom. >
A escritora mineira, que começou a carreira por meio do Twitter e de um blog, será um dos destaques nacionais na Bienal do Livro de São Paulo 2026, que começa nesta sexta-feira (4) e segue até o dia 13.Ela participa de um painel na Arena Cultural no dia 10, às 17h30, e de uma sessão de autógrafos que marca a despedida da série. >
“Estou muito feliz e grata de finalizar a série, sabe? É com uma dor no coração que eu me despeço desses personagens, dessa história. Mas acho que é um lindo final. Encerramos com chave de ouro e eu espero que as pessoas gostem tanto quanto eu gostei de escrever”, completou. >
Na conversa, ela falou sobre o novo livro, os planos para a adaptação da série ‘Não se apega, não’, os próximos passos na escrita e sobre uma de suas paixões, o tarô.>
Confira a entrevista na íntegra>
‘Não se apaixona, não’ é o quinto e último livro da série ‘Não se apega, não’. O que os fãs podem esperar de Isabela na conclusão da história?>
Em ‘Não se apaixona, não’, a Isabela está numa versão mais madura, mas está passando pela fase em que você já é considerada adulta, mas você ainda não se sente adulta. É quando tem aquela síndrome da impostora - está passando por uma fase em que tem sucesso e, às vezes, a gente sente a síndrome da impostora na própria vida. E ela finalmente encontra um amor, algo que ela estava buscando em outros livros, mas percebe que ela também foi quebrada em relacionamentos anteriores. >
Isso é tão comum na vida de nós, mulheres: a gente passa por relacionamentos tóxicos, abusivos e vai pegando um pouquinho de cada um ali, formando as nossas pecinhas. Então, ela percebeu que ela também está quebrada: ela também tem atitudes que são tóxicas e tem muito medo de sabotar o próprio relacionamento com essas inseguranças, com esses traumas, que é o que acaba acontecendo.>
Em ‘Não se apaixona, não’, eu traço essa trajetória da personagem conseguir viver um relacionamento saudável e de conseguir ser finalmente feliz no amor depois de encontrar o amor. >
Isabela mudou bastante ao longo desses cinco livros. Esse era o final que você imaginava quando você começou a série? >
Eu gosto de falar que a história vai ganhando vida. A gente não imagina nada. Na verdade, a única coisa que eu tracei era que o Pedro era apaixonado por ela desde o início. Então, fui pincelando isso desde o primeiro livro, fui criando essa narrativa de que ele já nutria uma um amor secreto por ela. >
Mas a história acaba ganhando vida. Eu já tinha falado em outras entrevistas que a série ia ter sete livros e a galera fica me cobrando: ‘Mas ia ser sete livros e tudo mais?’. Porque eu gosto do número sete. Só que, quando eu estava escrevendo esse quinto livro, ficou muito maior. Ele tem um tamanho de dois livros anteriores meus e eu senti que a história fechou perfeitamente assim, com chave de ouro. Então, falei: "Ah, gente, acho que é a hora de encerrar essa história de uma forma muito bonita, muito linda, e que eu acredito que a galera vai curtir bastante’. >
O personagem Pedro mudou ao longo desses cinco livros?>
Não, ele sempre foi assim mesmo, ele sempre foi traçado para ser desse desse jeito. >
Você se inspirou em alguém para criar esses personagens? >
A Isabela, obviamente, me inspirei em mim. Porque quando eu comecei a escrever o primeiro livro, como eu nunca tinha escrito um livro antes, eu falei: ‘vou colocar meu nome, as minhas características para ficar mais fácil, depois eu mudo’. Acabou que eu não mudei e que ela ganhou vida mesmo. É meu eu literário ali.>
Os outros personagens, na verdade, o que que eu pensei? Eu pensei em uma amiga que eu gostaria de ter e criei a Amanda. É a amiga que eu gostaria de ter e eu tenho amigas também que são tipo a Amanda. O Pedro é o cara que eu gostaria de me relacionar. Foi meio que isso. Espelhei coisas que eu gostaria de viver nos personagens. >
Você fez uma caixinha de perguntas no Instagram e respondeu algumas seguidoras sobre situações do livro que aconteceram de verdade. Pode citar algumas e por que você decidiu incluir especificamente essas situações na história? >
Já que a personagem ganhou meu nome, fui dando umas pinceladas de situações que eu passei na minha vida, para trazer as lições que eu aprendi também. Porque essa série ‘Não se apega, não’ tem muito essa pegada de trazer as lições da vida. Não é só uma história. Tem também todo um conselho ali por trás.>
A história da Sara, que no primeiro livro é a amiga de infância da Isabela, aconteceu comigo de verdade. A história é igual. Eu mudei o nome para tipo não expor a pessoa, mas a mãe da própria Sara leu e ficou emocionada. Ela adorou a homenagem para a filha. Tem várias histórias, como a questão do primo. Eu já fiquei com um primo meu, não daquele jeito do livro, porque eu criei todo uma coisa meio cômica ali e tudo mais, do Camaro Amarelo. Na vida real, não tem essa graça toda. Isso é normal, todo autor faz isso. Mas o meu tem muito disso.>
Eu já vivi a amizade colorida também, não daquela forma. Mas o ensinamento que eu aprendi é real. Às vezes eu trago a situação e o ensinamento. >
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Como autora, o quanto você acha que você mudou ao longo desses 12 anos?>
Sinto que eu amadureci muito, como pessoa, como autora. A gente vai crescendo, vai ganhando confiança. Esse é um livro de 400 páginas e eu escreveria muito mais, porque a gente cortou bastante coisa. Então, a gente vai crescendo junto com a história. Cresci junto com a personagem, inclusive, eu demorei a lançar esse quinto livro porque estava amadurecendo como pessoa.>
O amadurecimento que a Isabela vive no quinto livro de ter que se reconstruir para conseguir viver um relacionamento saudável é algo que eu vivi na minha vida. Vivi no meu relacionamento com o meu marido. A gente está há oito anos juntos, mas precisei me reconstruir, porque eu percebi que não basta encontrar a pessoa que me ama e quer estar comigo. Eu também tinha atitudes erradas que precisava corrigir.>
Então, esse livro demorou a nascer porque ele precisou também de um desenvolvimento pessoal meu para trazer isso para os meus leitores, enfim. Ali no livro vai parecer fácil, mas demorou anos para eu atingir aquilo que a personagem atingiu ali em algumas páginas.>
Como foi essa sua decisão de misturar os gêneros - ficção, autoajuda e um pouco de autoficção também?>
Não foi nada planejado. Foi algo meu mesmo. Eu sou aquela amiga conselheira. Na internet, eu sempre fui essa pessoa também. Nos primórdios da internet, quando eu criei meu blog, era um blog de relacionamentos. Tinha uma coluna que chamava Contos e História. A pessoa mandava a história dela e eu aconselhava. >
Eu estou ali escrevendo a história e daí, de repente, sai uma frase, um conselho, uma coisa meio assim autoajuda. Misturei coisas que eu gosto, que é um bom romance, uma ficção e os conselhos que fazem parte do meu ser >
Nesse começo, você era muito presente no Twitter também, não é? >
Muito. Eu comecei no Twitter, na verdade. Tinha um Twitter que postava frases, tudo voltado meio que para relacionamento em geral. O Twitter começou a bombar muito e todo mundo falou: ‘Ah, cria um blog para a gente ler textos maiores seus’. >
Eu nem sabia o que era blog na época. Joguei no Google ‘como criar um blog’, criei e bombou muito. Em menos de um ano, recebi o convite da editora Intrínseca falando assim. Eu falei: ‘Gente, é o maior sonho da minha vida’, porque eu sou uma uma autora muito leitora. Mas eu nunca imaginei nada que essa oportunidade ia cair no meu colo, através do de um Twitter, através de um blog. Foi uma coisa bem encaixada mesmo de Deus. >
Então essa carreira da escritora não era algo que você imaginava no começo? >
Não, eu nunca tive esse objetivo. Eu era aquela criança que era eleita a leitora do ano na escola todos os anos. Eu sempre gostei muito desse universo, mas via isso muito como inalcançável. Por isso que eu falo que foi muito um desígnio de Deus. >
O primeiro livro que eu escrevi era para ser um livro de crônicas. Cheguei a escrever esse livro e quando eu finalizei, eu li e falei: ‘nossa, isso está muito chato’. E aí eu pensei: ‘não quero que o meu primeiro livro, a minha chance de vida, seja um livro chato’. Eu reescrevi todinho e virou o ‘Não se apega, não’ que é hoje. >
Você ainda pensa em lançar esse de crônicas? >
Não, eu super descartei ele. Era chato (risos).>
Mas crônicas estão no seu radar?>
Depois que eu finalizar a série ‘Não se apega, não’, eu quero lançar romances de volume único. Já estou até escrevendo o próximo. >
Vi que você falou no Instagram que pretendia escrever um romance com esporte, é isso?>
Exatamente. >
Pode falar um pouquinho mais?>
Vai ser um romance com esporte, com essa pegada mais jovem e vai envolver reconquista. Um ex-namorado quer reconquistar o grande amor que ele perdeu. >
Me pareceu um romance de segunda chance. Você escreve pensando nessas tropes literárias (premissas comuns nos livros de romance)? >
Antes eu não escrevia pensando tipo ‘friends to lovers’ (amigos a amantes), porque o Pedro e Isabela é meio que isso. Nesse, eu estou pensando nessa trope que é enemies to lovers (inimigos a amantes). O início do livro é enemies to lovers, depois vira friends to lovers. Não sei ainda se vai ter um fake dating (namoro falso) ali, vamos ver como é que a história vai se desenvolver. >
Vai se passar no Brasil? >
Não, vai se passar nos Estados Unidos. >
Tem data?>
Não tem. A (editora) Intrínseca vai me matar (risos). Estou hablando horrores aqui, mas não tem data ainda. Eu quero para 2027, mas não tem nada planejado. >
Sobre ‘Não se apega, não’, tem muitos comentários de leitores que pedem para que seja adaptada para uma série ou filme. Como estão as conversas sobre isso? >
Eu estou recebendo algumas propostas. Elas estão na mesa e eu acho que esse sonho está perto de se concretizar. É o que eu posso falar, que está bem perto de ter algo mais completo. A gente teve aquela adaptação do Fantástico, mas foi uma minissérie e foi só do primeiro livro. Mas essa pessoa com quem eu estou conversando está querendo ir com tudo bem completo mesmo. Esse ano eu devo falar sobre isso e dar mais detalhes. >
Você tem se dedicado muito ao tarô também e isso aparece no livro. Como o tarô entrou na sua vida?>
Eu sou uma pessoa muito curiosa, eu quero ter todas as respostas da vida. Na pandemia, a gente no tédio ali, eu comecei a pesquisar sobre tarô no YouTube. Comecei a estudar sozinha, pesquisando, comprando livros, fazendo curso e eu fui começando a jogar só para mim, para as minhas amigas. Quando eu vi, as pessoas estavam falando ‘joga para mim’. Eu adoro tarot, eu amo, amo mesmo. Essa é a minha nova skin também, taróloga. Eu tive que colocar no livro novo ali como um Easter Egg (referência oculta).>
Como é a sua relação com o Salvador, com a Bahia? Você já visitou? >
Eu nunca fui para passear. Eu só fui a Salvador uma vez em uma sessão de autógrafos, eu amei. Foi muito rápido, acho que eu fiquei menos de 24 horas na cidade, mas deu para dar uma passeadinha, sentir a vibe. É uma cidade maravilhosa, acolhedora. >