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A maioria das empresas brasileiras ignora as novas regras da nota fiscal e deixa a transição da Reforma Tributária estagnada

Levantamento aponta que sete em cada dez corporações nem sequer começaram a testar o preenchimento dos novos impostos, acendendo o alerta de especialistas sobre o atraso do setor.

  • Foto do(a) author(a) Amanda Cristina de Souza
  • Amanda Cristina de Souza

Publicado em 18 de agosto de 2026 às 17:00

É importante pedir a nota fiscal no ato da compra
Setor empresarial trava mudança no IBS e CBS e corre contra o tempo para evitar prejuízos Crédito: Matheus Lens/ Ascom Sefaz-Ba

Mais de 70% das grandes empresas continuam sem adaptar notas fiscais às regras da Reforma Tributária. O mapeamento da V360 em mais de 11,6 milhões de documentos fiscais confirma a lentidão do setor empresarial na transição para o IBS e CBS. A estagnação no processo expõe companhias nacionais a riscos operacionais do novo sistema de impostos.

Corrida contra o tempo: Congresso Nacional ainda precisa regulamentar o Comitê Gestor e o sistema de cashback para garantir que a transição da Reforma Tributária ocorra sem falhas em 2026 por Banco de imagens

O levantamento da V360, divulgado pelo Times Brasil, escancarou essa realidade ao analisar 11,6 milhões de notas fiscais emitidas entre maio e julho de 2026.

Empresas acumulam risco fiscal

O resultado surpreende ao mostrar que sete em cada dez corporações simplesmente ignoram o preenchimento do IBS e da CBS, acumulando um rastro de inconformidades que deixa 91 gigantes do mercado na corda bamba dos passivos fiscais.

O grande gargalo dessa história vai bater direto no bolso das empresas compradoras. Ao rodar pelas rotas comerciais do país, quase 65% das notas fiscais eletrônicas chegam com os campos dos novos impostos completamente zerados, o que faz mais de 63% dos compradores toparem com inconsistências na recepção e perderem o direito ao crédito tributário no final da fila.

Notas certas e erradas se alternam

Mesmo quando a ponta fornecedora parece ensaiar alguma reação, a conta do compliance não fecha.

Embora tenha crescido em quase 35% o número de vendedores emitindo ao menos um documento correto, a análise das operações revela um efeito sanfona em que a mesma empresa altera emissões certas e erradas sem critério, travando a regularização real do ecossistema.

Para completar o cenário, a folga concedida pelo fisco acabou virando uma armadilha de retrabalho para os times de TI (Tecnologia da Informação) e contabilidade.

A suspensão temporária da rejeição automática de notas zeradas tirou a urgência imediata do sistema, mas jogou toda a responsabilidade de conferência manual para o comprador, transformando a falta de padronização em risco direto de prejuízo financeiro.

A análise mostra que há empresas avançando, mas em ritmos e escalas muito diferentes. Como algumas operações processam milhões de documentos, melhorias pontuais não são suficientes para transformar o fluxo como um todo, explicou Izaias Miguel, CEO da V360, para o Times Brasil.

Izaias Miguel

CEO da V360

Você sabia?

Reforma Tributária vem para descomplicar o bolso e o dia a dia do brasileiro ao juntar cinco impostos em um só. Entre as novidades que prometem dar o que falar na Bahia está o "imposto do pecado", uma taxa extra cobrada sobre produtos que fazem mal à saúde ou à natureza, como bebidas alcoólicas e cigarros. A meta principal é deixar o valor do tributo claro no comprovante e simplificar a vida do consumidor.

Tags:

Imposto Empresas Reforma Tributária