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Arezzo desmancha fusão de R$ 12 bilhões e volta às origens

Após dois anos, Arezzo&Co e Grupo Soma vão se separar em duas companhias abertas; Farm Rio terá estrutura societária própria

  • Foto do(a) author(a) Estadão
  • Estadão

Publicado em 2 de setembro de 2026 às 13:30

Birman e Jatahy
Jatahy, comandava o Grupo Soma, e Birman, a Arezzo Crédito: Reprodução

Dois anos após a criação da Azzas 2154, a Arezzo&Co e o Grupo Soma decidiram separar novamente seus negócios e voltar a operar de forma independente. A reorganização dará origem a duas companhias abertas — uma concentrada em calçados, bolsas e algumas marcas de vestuário, e outra dedicada principalmente à moda feminina e masculina — além de uma estrutura societária específica para a Farm Rio.

A operação prevê que os acionistas da Azzas recebam ações das duas novas companhias, mantendo uma participação equivalente à que já possuem. A expectativa é que a reorganização seja concluída no primeiro trimestre de 2027. Até lá, a Azzas continuará funcionando sob a atual estrutura societária e de governança.

Arezzo&Co: ficará com calçados, bolsas e marcas como Arezzo, Schutz e Anacapri por Divulgação

Criada em 2024 com faturamento combinado de cerca de R$ 12 bilhões, a Azzas nasceu com planos ambiciosos de crescimento. A estratégia previa, entre outras iniciativas, ampliar a venda cruzada de produtos, integrar operações internas, acelerar franquias internacionais e tornar os ciclos de produção mais ágeis.

Os planos, porém, esbarraram em conflitos de gestão e disputas de poder entre os principais acionistas. Apesar de a companhia ter alcançado receita de R$ 14,7 bilhões no ano passado, as diferenças entre as lideranças acabaram contribuindo para a decisão de separar novamente os negócios.

Um dos principais pontos de tensão envolveu Alexandre Birman, da Arezzo, e Roberto Jatahy, que comandava o Grupo Soma. Segundo pessoas próximas aos negócios, os dois tinham estilos de gestão diferentes: Birman adotava uma atuação mais centralizadora, enquanto Jatahy dava maior autonomia aos executivos responsáveis por cada marca.

Os atritos começaram antes mesmo da conclusão da fusão. Jatahy defendia uma avaliação externa e independente para definir os cargos de liderança da nova companhia, enquanto Birman queria escolher pessoalmente os principais executivos na condição de CEO da holding.

A crise ganhou dimensão pública com a disputa envolvendo a Reserva. A marca de moda masculina estava sendo integrada à estrutura de Jatahy, no Rio de Janeiro, por questões de eficiência comercial. Birman, porém, decidiu reverter a mudança e trazer a operação novamente para sua estrutura.

Jatahy recorreu à Justiça e conseguiu, em maio, uma liminar para barrar a decisão. Na ação, argumentou que a mudança poderia provocar prejuízo de R$ 116 milhões na geração de caixa, medida pelo Ebitda.

Outros conflitos também chegaram à Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM) da B3. Os procedimentos discutiam, entre outros pontos, os limites de atuação da diretoria e o cumprimento do acordo de acionistas.

Agora, o acordo entre os acionistas de referência prevê o encerramento das controvérsias. Birman e Jatahy também se comprometeram a extinguir o procedimento arbitral e a medida cautelar em andamento, além de não iniciar novas disputas judiciais relacionadas a fatos anteriores à conclusão da operação.

Como ficará a divisão

A Arezzo&Co concentrará as operações de calçados e bolsas, além de marcas como Hering, Carol Bassi e ZZ Mall. O grupo reunirá Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Vans, Vicenza, Paris Texas e Brizza, além das operações da Hering e de suas extensões, como Hering Sports, Hering Intimates e Hering Kids.

Já a Soma ficará responsável pelas marcas de vestuário feminino Animale, Cris Barros, Maria Filó e NV. No segmento masculino, estarão Reserva, Reserva Mini, Reserva Ink, Reserva Go, Oficina e Foxton, além da Off Premium.

As duas companhias serão listadas no Novo Mercado da B3 e terão conselhos de administração, estruturas de gestão, capital, estratégias, orçamentos e planos de negócios próprios.

A separação, segundo pessoas próximas ao negócio, tende a ser relativamente simples porque as empresas não chegaram a ser completamente integradas. Serviços como vendas online e logística continuarão podendo ser prestados de uma companhia para a outra.

E a Farm Rio?

A Farm Rio terá uma estrutura societária própria, mas continuará ligada economicamente às duas companhias. A Arezzo&Co ficará com 57,4% da sociedade que reunirá a marca, enquanto a Soma terá os 42,6% restantes.

Os acionistas também continuarão avaliando alternativas estratégicas para a Farm. A Arezzo&Co coordenará o processo, com aprovação de ambas as partes para uma eventual venda. O Morgan Stanley foi contratado para assessorar a operação.

A Farm é considerada uma das marcas mais valiosas do grupo. Segundo o comunicado ao mercado, porém, não existe até o momento decisão de venda nem acordo vinculante com terceiros.

Uma das possibilidades que vinha sendo avaliada, conforme informações do Estadão/Broadcast, é uma abertura de capital da Farm nos Estados Unidos, além da eventual venda da marca. No primeiro trimestre deste ano, a operação internacional da Farm cresceu 21,1% em dólar.

Após a permuta de ações entre os acionistas de referência, a família Birman ficará com 32,13% da Arezzo&Co e 57,4% da sociedade da Farm Rio. O bloco ligado a Jatahy terá 25,95% da Soma, enquanto Birman permanecerá com 6,18% da companhia.

Para os demais acionistas, a operação não altera a participação que possuem. Eles passarão a ter exposição direta às duas companhias independentes e continuarão economicamente ligados à Farm por meio das participações mantidas por Arezzo&Co e Soma.

A reorganização ainda depende de uma série de etapas, incluindo aprovação dos documentos da cisão, laudos de avaliação, aprovações societárias e regulatórias, aval do Cade, registro e listagem da nova companhia no Novo Mercado e anuências de credores e parceiros contratuais.

A previsão é que a operação seja concluída no primeiro trimestre de 2027. Até a conclusão, a Azzas 2154 seguirá funcionando normalmente sob a estrutura atual.

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