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Cadê os profissionais de engenharia? Déficit pode chegar a 1 milhão na próxima década

Escassez de mão de obra especializada pode travar o desenvolvimento da infraestrutura brasileira nos próximos anos

  • Foto do(a) author(a) Donaldson Gomes
  • Donaldson Gomes

Publicado em 24 de maio de 2026 às 16:14

Falta de profissionais especializados pode travar obras no país Crédito: Fernando Frasão/Agência Brasil/ARQUIVO

O avanço da infraestrutura brasileira enfrenta um obstáculo estrutural cada vez mais evidente: a falta de mão de obra qualificada. Dados consolidados pelo setor apontam que a escassez de engenheiros e trabalhadores técnicos já compromete a execução de obras e coloca em risco o crescimento sustentável do país.

Atualmente, o Brasil registra um déficit de aproximadamente 75 mil engenheiros, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A tendência é de agravamento. Projeções indicam que esse número pode ultrapassar 500 mil até 2030 e alcançar até 1 milhão de profissionais ao longo da década, de acordo com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).

O problema começa na formação. Entre 2015 e 2024, as matrículas em cursos de engenharia caíram de mais de 1,2 milhão para cerca de 887 mil estudantes, uma redução próxima de 30%, conforme dados do MEC/Inep. No mesmo período, o número de cursos cresceu mais de 50%, evidenciando um descompasso entre oferta e demanda.

Além disso, o interesse dos jovens pela área é baixo. Apenas 12% dos estudantes do ensino médio pretendem cursar engenharia, segundo levantamento do CIEE em parceria com o Instituto Locomotiva. A dificuldade com disciplinas básicas também pesa. O PISA 2022 aponta que cerca de 70% dos alunos brasileiros de 15 anos têm dificuldades em matemática.

Esse cenário se reflete diretamente no mercado de trabalho. Hoje, cerca de 22,4% das empresas industriais relatam dificuldade para contratar profissionais qualificados, segundo a CNI. No setor da construção, o problema é ainda mais crítico. Noventa por cento das construtoras enfrentam dificuldades de contratação, de acordo com a CBIC, e 71% relatam o mesmo desafio segundo o IBRE/FGV.

A escassez impacta diretamente a produtividade. Projetos ficam mais caros, prazos são ampliados e a eficiência operacional é reduzida, comprometendo o retorno dos investimentos em infraestrutura. “O Brasil corre o risco de investir em infraestrutura sem ter quem execute essas obras com a qualidade e a velocidade necessárias. Esse é um problema estrutural que precisa ser enfrentado com senso de urgência e visão de longo prazo”, afirma o diretor-executivo do Sinicon, Humberto Rangel.

Outro indicador preocupante é a comparação internacional. O Brasil forma entre três e quatro engenheiros para cada 10 mil habitantes, enquanto países como Alemanha, Japão e Estados Unidos formam cerca de 14 na mesma proporção. Em outra métrica, são aproximadamente 5,6 engenheiros por 100 mil habitantes no Brasil, contra cerca de 25 em economias avançadas.

Para o Sinicon, a escassez de mão de obra não é apenas um problema setorial, mas um entrave ao desenvolvimento nacional. Sem profissionais qualificados, programas estratégicos de infraestrutura e habitação correm o risco de sofrer atrasos e aumento de custos. “A produtividade não depende apenas da expansão da infraestrutura, mas da combinação entre investimento e capital humano qualificado. Sem enfrentar esse desafio, o país continuará operando abaixo do seu potencial e nossa ambição pelo desenvolvimento seguirá impactada”, destaca Humberto Rangel.

Diante desse cenário, a entidade apresenta, por meio de uma cartilha, um diagnóstico detalhado sobre a escassez de mão de obra e propõe um conjunto de ações estruturantes. Entre elas estão a ampliação da formação em engenharia com maior aderência às demandas do mercado, o fortalecimento da qualificação técnica e profissional, a melhoria do ambiente institucional com maior previsibilidade de investimentos e o avanço na integração entre setor produtivo e instituições de ensino.

Como parte da estratégia de mobilização, o Sinicon também lançou um vídeo voltado a estudantes do ensino médio, com o objetivo de despertar o interesse pela engenharia e pelas profissões ligadas à infraestrutura. A iniciativa busca aproximar os jovens do setor, reduzir barreiras de percepção sobre a carreira e destacar o papel estratégico da engenharia no desenvolvimento do país.

A entidade reforça que a superação desse desafio exige um esforço coordenado e contínuo. Sem capital humano qualificado, o país corre o risco de perder uma janela histórica de crescimento baseada na expansão da infraestrutura.