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Amanda Cristina de Souza
Publicado em 16 de julho de 2026 às 13:00
A disparada no preço das passagens aéreas, que já acumulam alta de 52% em um ano, está forçando o baiano a viajar mais de ônibus. Enquanto voar ficou impraticável para muita gente, as passagens rodoviárias subiram apenas 7%, criando um abismo financeiro entre os dois transportes. Os dados são do Índice IPCA do IBGE cruzados com o Índice do Rodoviário ClickBus, elaborada pela Fipe. A diferença empurrou os passageiros de volta às rodoviárias da Bahia para conseguir garantir as férias e escapar do aperto no bolso. >
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Esse cenário ganha ainda mais força na Bahia e em todo o Nordeste, onde a malha rodoviária conecta rapidamente grandes polos turísticos. Com os bilhetes aéreos proibitivos, muitos passageiros de Salvador passaram a substituir os voos tradicionais por viagens de ônibus interestaduais rumo a destinos populares como Aracaju, Maceió, Recife e Fortaleza.>
O comportamento das tarifas de ônibus ajuda a explicar a migração dos passageiros. Durante o primeiro semestre de 2026, as passagens de ônibus no Nordeste subiram em média 4,4%. O índice ficou bem abaixo dos reajustes registrados em outras regiões populosas, como o Sudeste (8,2%) e o Centro-Oeste (10,2%), apenas a região Sul teve uma variação menor, de 1,9%.>
Essa estabilidade de preços no mercado de transporte terrestre nordestino favorece quem planeja viagens familiares, turismo regional ou precisa se deslocar a trabalho entre os estados vizinhos sem comprometer o orçamento.>
O levantamento da Fipe traz um dado surpreendente. As viagens de ônibus em trajetos longos (superiores a 400 quilômetros), que disputam espaço diretamente com as companhias aéreas, registraram uma queda média de 5,8% nas tarifas no primeiro semestre.>
Para quem embarca no Terminal Rodoviário de Salvador com destino a capitais mais distantes da região, essa redução tarifária neutralizou o impacto do tempo de viagem maior nas estradas. Em contrapartida, as viagens curtas (de até 100 quilômetros) registraram alta média de 10,1%, impulsionadas pela forte demanda de deslocamentos intermunicipais diários no interior do estado.>
A escalada nos preços das passagens de avião é explicada, em grande parte, pelo encarecimento do querosene de aviação (QAV). As instabilidades geopolíticas no Oriente Médio ao longo do primeiro semestre de 2026 mantiveram o preço internacional do petróleo pressionado. Como o combustível representa a maior fatia dos custos das empresas de aviação, o aumento acabou sendo repassado para o consumidor final, acumulando alta de 23,1% nos voos apenas na primeira metade do ano.>
No setor de transportes terrestres, embora o óleo diesel também tenha acumulado alta de 8,5% no período, as empresas de ônibus interestaduais e intermunicipais conseguiram absorver a maior parte desse custo operacional extra, reduzindo a necessidade de reajustes pesados nas passagens oferecidas aos passageiros.>
A distância entre os custos dos dois meios de transporte reflete uma tendência de longo prazo. Desde o início da série histórica do índice da Fipe, em dezembro de 2017, as passagens de ônibus acumulam uma alta de 59,8%, enquanto os bilhetes aéreos dispararam 80,9%.>
Para quem viaja a partir da Bahia, o planejamento de feriados prolongados e períodos de férias passa a exigir contas na ponta do lápis. Com a economia gerada na troca do aeroporto pela rodoviária chegando a cobrir os custos de hospedagem e alimentação no destino final, o transporte rodoviário reconquista seu espaço como o principal motor do turismo dentro da região Nordeste.>
Instalada no bairro de Águas Claras, às margens da BR-324, a nova Rodoviária de Salvador já está em funcionamento e conta com acesso facilitado por diferentes meios de transporte. O terminal é integrado à Estação Águas Claras do metrô e a um terminal de ônibus urbanos e metropolitanos, além de poder ser acessado por aplicativos de transporte. A estrutura foi projetada para concentrar as operações rodoviárias da capital e ampliar a integração com outros modais, incluindo uma futura conexão com o VLT. >