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Como proteger idosos de golpes e brigas por herança na família?

Mesmo sendo um rendimento isento de imposto, erros bobos no preenchimento dos bens e na atualização de valores travam a declaração na Receita Federal

  • Foto do(a) author(a) Juliana Rodrigues
  • Juliana Rodrigues

Publicado em 13 de julho de 2026 às 12:18

Como evitar brigas familiares por bens e golpes contra idosos?
Como evitar brigas familiares por bens e golpes contra idosos? Crédito: Foto: Ilustração, IA, Gemini

O aumento de brigas por herança e da violência patrimonial contra idosos põe os Cartórios de Notas em estado de alerta. O problema, que muitas vezes acontece dentro de casa, transformou a proteção dos bens acumulados ao longo da vida em um tema urgente de utilidade pública.

Organizar os bens de forma antecipada surge como a principal barreira contra fraudes. por Pexels, shvets

Embora falar sobre a divisão de propriedades e dinheiro ainda seja um tabu em muitos lares, a falta de uma conversa aberta e de mecanismos jurídicos claros é justamente o que abre brechas para golpes internos e desentendimentos graves.

Para evitar que o patrimônio seja dilapidado ou que o idoso acabe perdendo a posse da própria casa, o Direito Civil oferece saídas preventivas eficientes que podem ser resolvidas diretamente no balcão do cartório.

O alerta emitido pelos Cartórios de Notas de todo o país reforça que a falta de planejamento patrimonial deixa o cidadão sênior vulnerável, transformando a segurança jurídica em um escudo indispensável para blindar as conquistas de uma vida inteira contra fraudes.

As ferramentas jurídicas que funcionam como escudo protetor

O roteiro de proteção indicado pelos registradores envolve atos notariais específicos, desenhados sob medida para dar segurança jurídica a quem deseja definir o destino de seus bens, mas sem abrir mão do controle sobre eles enquanto estiver vivo.

Uma das alternativas mais utilizadas é a doação com cláusula de usufruto, mecanismo que permite transferir o imóvel para o nome dos herdeiros hoje, mas assegura ao idoso o direito exclusivo de morar no local ou receber os valores de aluguéis até o fim da vida.

Sob essa regra, o herdeiro fica impedido de vender a propriedade ou de usá-la como garantia em empréstimos e dívidas.

Outra opção tradicional é o testamento público, considerado a forma mais segura de expressar a vontade do cidadão sobre a divisão de seus bens. Ele reduz drasticamente o risco de contestações na Justiça e de desavenças familiares no futuro.

Há ainda a possibilidade de incluir cláusulas de reserva patrimonial e inacessibilidade nas doações. Na prática, esses termos garantem que o patrimônio repassado não seja vendido pelos filhos e nem se misture aos bens dos cônjuges em caso de um eventual divórcio deles.

Fiscalização em cartório garante a autonomia da decisão

Toda essa engrenagem de proteção patrimonial é respaldada por uma fiscalização rígida nos cartórios. A validade de qualquer doação ou testamento exige a comprovação da plena capacidade mental do declarante, um detalhe verificado e atestado pelo tabelião no momento da assinatura.

Essa análise cautelosa atua como um filtro essencial de proteção para idosos em condições de vulnerabilidade física ou psicológica, impedindo que eles sejam pressionados ou coagidos a assinar procurações que dão plenos poderes a terceiros.

No fim das contas, a estruturação dessas salvaguardas legais tem como objetivo principal manter as rédeas das decisões financeiras nas mãos de quem de fato construiu o patrimônio.

Com isso, fecham-se as portas para fraudadores e familiares mal-intencionados que tentam se aproveitar da proximidade para desviar recursos e antecipar a herança de forma totalmente ilegal.

Tags:

Idosos Família