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Copom reduz Selic para 14% ao ano: o que muda na prática para empréstimos, financiamentos e investimentos

Banco Central faz novo corte na taxa básica de juros, mas mantém discurso de cautela diante da inflação, das incertezas externas e das expectativas ainda acima da meta

  • Foto do(a) author(a) Mariana Rios
  • Foto do(a) author(a) Agência Brasil
  • Mariana Rios

  • Agência Brasil

Publicado em 5 de agosto de 2026 às 20:13

Banco Central
Banco Central Crédito: Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (5) a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano, em um corte de 0,25 ponto percentual. É a quarta redução consecutiva da taxa básica de juros da economia brasileira.

Na prática, a Selic funciona como a principal referência para os juros cobrados no país. Ela influencia o custo de empréstimos e financiamentos, além da rentabilidade de investimentos de renda fixa. Embora a redução não seja imediatamente repassada pelos bancos, a tendência é que, ao longo do tempo, ela contribua para a queda do custo do crédito e também reduza o rendimento de aplicações atreladas aos juros básicos.

A decisão foi unânime e ocorre em um momento em que a inflação dá sinais de desaceleração e a atividade econômica perde ritmo de forma gradual. Ainda assim, o Banco Central avalia que o cenário continua exigindo cautela.

Segundo o comunicado divulgado após a reunião, o ambiente internacional permanece incerto por causa dos conflitos armados no Oriente Médio e das dúvidas sobre a política monetária de economias avançadas, fatores que aumentam a volatilidade nos mercados e afetam países emergentes, como o Brasil.

No cenário doméstico, o Copom afirmou que a economia segue desacelerando gradualmente, mas continua resiliente, com o mercado de trabalho aquecido. A inflação perdeu força nos últimos meses, porém ainda permanece acima do limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

O Banco Central também chamou atenção para as expectativas de inflação, que continuam acima da meta. Segundo a pesquisa Focus, a previsão do mercado é de inflação de 5% em 2026 e de 4,2% em 2027, enquanto a projeção do próprio Copom para o primeiro trimestre de 2028 é de 3,2%, ainda acima da meta contínua de 3%.

Entre os fatores que podem pressionar os preços estão uma eventual alta do petróleo, efeitos de eventos climáticos sobre alimentos e energia, a persistência da inflação de serviços, uma possível desvalorização do real e um crescimento da economia acima do esperado. Por outro lado, uma desaceleração mais intensa da economia brasileira ou mundial e uma queda nos preços das commodities poderiam ajudar a conter a inflação.

O Copom também informou que segue acompanhando os efeitos da política fiscal sobre a inflação e os mercados financeiros. No comunicado, o colegiado reforçou que as próximas decisões sobre a Selic dependerão da evolução dos indicadores econômicos e da inflação, sem antecipar o ritmo dos próximos movimentos.

Mesmo com a redução, a Selic permanece em 14% ao ano, um patamar ainda elevado. Isso significa que o crédito continua relativamente caro, ao mesmo tempo em que aplicações conservadoras de renda fixa seguem oferecendo retornos considerados atrativos, embora menores do que antes.

O que muda na prática com a Selic em 14%?

Empréstimos e financiamentos

A queda da Selic pode abrir espaço para juros menores em empréstimos pessoais, financiamentos de veículos e imóveis. Mas isso não acontece de forma automática: cada banco decide quando e quanto reduzir as taxas.

Cartão de crédito e cheque especial

Essas modalidades continuam entre as mais caras do mercado. A redução da Selic, sozinha, costuma ter pouco impacto imediato nos juros cobrados dos consumidores.

Financiamento imobiliário

Quem pretende financiar um imóvel pode encontrar condições um pouco melhores ao longo dos próximos meses, caso os bancos repassem parte da redução dos juros.

Investimentos de renda fixa

Aplicações atreladas à Selic, como o Tesouro Selic e muitos CDBs, tendem a render um pouco menos quando a taxa básica cai. Ainda assim, com a Selic em 14% ao ano, esses investimentos continuam oferecendo retornos elevados em comparação com períodos de juros baixos.

Economia

Juros menores costumam estimular o consumo e os investimentos das empresas, já que o crédito tende a ficar mais barato. O Banco Central, porém, mantém a cautela porque a inflação ainda está acima da meta e há incertezas no cenário econômico.

Tags:

Copom Selic