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Crise nas estatais: balanço do TCU indica rombo na logística, reafirma colapso nos Correios e risco em docas da Bahia

Relatório de fiscalização aponta fragilidades estruturais em companhias públicas de logística e transportes; Codeba entra no radar de risco médio por altos gastos

  • Foto do(a) author(a) Matheus Marques
  • Matheus Marques

Publicado em 15 de agosto de 2026 às 08:38

Saiba quem são os 9 ministros do TCU que fiscalizam o Governo e a disputa pela nova vaga na Corte
Relatório do TCU alerta para risco de colapso financeiro em 11 estatais federais Crédito: Andreas SOLARO / AFP

A saúde financeira das empresas públicas de logística e infraestrutura operadas pela União passou a ser um fator de incerteza para o orçamento federal. A auditoria fiscalizadora conduzida pelo Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que 11 companhias federais enfrentam grave deterioração operacional. O alerta é respaldado pelos dados recentes do Banco Central, que apontam um saldo negativo de R$ 1,5 bilhão na conta consolidada das estatais em junho.

Entre os setores analisados, os serviços postais e a gestão portuária regional estão no epicentro dos gargalos operacionais e trabalhistas.

Correios anuncia empréstimo de R$ 20 bilhões e demissões na empresa por Antonio Saturnino/Arquivo CORREIO

Balanço das companhias Docas e setor portuário

A fiscalização do TCU dividiu os portos públicos federais em diferentes faixas de vulnerabilidade:

Companhia Docas do estado da Bahia (Codeba), Docas do Ceará e Docas do Pará: classificadas com risco médio, as estatais enfrentam forte compressão de margens devido ao avanço dos custos operacionais e demonstram baixa capacidade de execução de investimentos em infraestrutura (veja trecho do relatório do TCU).

Mesmo diante dos dados mostrados pelo relatório do TCU,  a Codeba entrou em contato com a reportagem e  afirmou ser "lucrativa, e vem sistematicamente distribuindo dividendos a seus acionistas e consolidou, em 2025, um dos melhores desempenhos financeiros de sua história". 

Ainda segundo a Codeba, a companhia tem capacidade financeira para "honrar seus compromissos de curto e longo prazo".  (Veja integra da nota no final do texto) 

Codern (Docas do Rio Grande do Norte): listada com risco médio-alto, os registros de déficits em série entre 2021 e 2024, dependendo de capitalização de emergência pela União em 2025.

Relatório do TCU sobre as empresas em questão
Trechio do relatório do TCU sobre o setor Portuário no Brasil, incluindo a Bahia Crédito: Relatório do TCU

PortosRio: enquadrada no nível de alto risco, a autoridade portuária fluminense tem patrimônio líquido negativo, fraca geração de caixa e exigiu R$ 1,14 bilhão em subvenções do Tesouro em 2024, além de carregar provisões trabalhistas avaliadas em R$ 435 milhões.

Relatório TCU
Relatório TCU Crédito: Relatório TCU

O colapso dos Correios

A situação dos Correios lidera as preocupações do TCU. A empresa encerrou 2025 com prejuízo líquido de R$ 8,5 bilhões. Entre 2018 e 2025, a estatal perdeu 30% da sua fatia no mercado de entrega de encomendas, enquanto a folha de pagamento passou a consumir mais de 60% da receita total.

Para manter os serviços, a estatal contratou R$ 12 bilhões em empréstimos garantidos pela União no fim de 2025, operação que vai gerar um custo de R$ 34,2 bilhões em juros até 2040. A operação pressupõe aporte direto de R$ 6 bilhões do Tesouro até 2027, ao passo que a empresa busca captar mais R$ 8 bilhões em linhas de crédito para 2026.

Os planos de reestruturação estão estagnados: o Registro de vendas (PDV) registrava 3.748 adesões até abril de 2026 (meta de 10 mil), e a venda de patrimônio imobiliário rendeu R$ 11 milhões dos R$ 1,5 bilhão projetados.

O analista de contas públicas Murilo Viana, em entrevista para a CNN adverte para a classificação dos Correios como empresa não dependente:

“Hoje, ele não impacta diretamente o déficit primário do governo, propriamente dito, porque o Correios é considerado uma empresa não dependente. Existe o déficit das estatais, mas ele não entra naquela métrica que acompanha o resultado primário do governo.”

Todavia, ele adverte que o cenário exige revisão.

“Ela tem cara, cheiro e tudo de uma estatal que não dá conta de se sustentar por si só. Se passar de não dependente para dependente, vira um problema gravíssimo, porque terá que entrar no orçamento normal do governo.”

Aviação, Casa da Moeda e Ativos Fiscais

O diagnóstico abrange ainda a Infraero, com perda projetada de R$ 983 milhões até 2030 devido à readequação de voos no Aeroporto Santos Dumont (compensada temporariamente por um caixa de R$ 2 bilhões); a Casa da Moeda, que vem queimando reservas financeiras antigas para cobrir prejuízos operacionais registrados em 2022, 2024 e 2025; e a Emgea, que perderá em dezembro de 2026 a gestão dos créditos do FCVS, sua principal fonte geradora de caixa.

Relatório do TCU
Trecho do relatório do TCU Crédito: Relatório do TCU

Na área de energia, a Eletronuclear registrou prejuízo de R$ 142,1 milhões em 2025 pelo desequilíbrio entre a tarifa regulada da Aneel e os custos de Angra 1, 2 e as dívidas de Angra 3, arrastando junto a holding ENBPar e a INB (dependente em 99% das compras da geradora nuclear).

Relatório do TCU
Trecho relatório do TCU Crédito: Relatório do TCU

“Quando uma estatal deixa de conseguir se financiar sozinha, o problema deixa de ser apenas da empresa e passa a ser um problema fiscal do governo”, destacou Viana.

LEIA NA INTEGRA A NOTA DA CODEBA

Em relação à matéria intitulada "Crise nas estatais: balanço do TCU indica rombo na logística, crise nos Correios e risco em docas da Bahia, a Autoridade Portuária Federal – CODEBA informa que não procede que a companhia esteja enfrentando "forte compressão de margens devido ao avanço dos custos operacionais e demonstram baixa capacidade de execução de investimentos em infraestrutura".

A CODEBA é uma Companhia lucrativa, vem sistematicamente distribuindo dividendos a seus acionistas e consolidou, em 2025, um dos melhores desempenhos financeiros de sua história ao alcançar uma posição de liquidez recorde de R$ 331,2 milhões, resultado que evidencia a eficiência da gestão operacional, a recuperação estratégica de ativos e a robustez de sua governança financeira.

Destaca que o Relatório Anual sobre o Risco da Evolução dos Benefícios a Empregados 2025, aponta que a Companhia superou amplamente as projeções conservadoras que estimavam um saldo de caixa de R$ 201,7 milhões ao final do exercício. O resultado efetivo representa um superávit de R$ 129,5 milhões acima do previsto.

Os indicadores financeiros confirmam a capacidade da CODEBA de honrar seus compromissos de curto e longo prazo. A Liquidez Corrente atingiu 720%, superando inclusive o índice de 666% registrado em 2024, enquanto a Liquidez Imediata alcançou 644%, frente aos 618% do exercício anterior.

Informa, também, que de janeiro a Junho deste ano de 2026, os portos públicos baianos apresentaram crescimento de 22,49% na movimentação de cargas, em comparação com o mesmo período do ano anterior. O desempenho representa o maior volume já registrado para um primeiro semestre. Já no Porto de Itajaí, em Santa Catarina, que está sob gestão transitória da Companhia, o crescimento foi de 40,97%.

Os demonstrativos financeiros estão disponíveis para consulta pública na área de Transparência, no site institucional da Autoridade Portuária Federal - CODEBA

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