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Carmen Vasconcelos
Publicado em 2 de janeiro de 2023 às 06:00
O Fórum Econômico Mundial estimou que até 2030, portanto daqui a cinco anos, aproximadamente 1 bilhão de pessoas precisarão ser treinadas em novas habilidades que ainda estão sendo desenvolvidas. Diante de um cenário tão incerto e desafiador, surge uma dúvida: investir em formação acadêmica ainda vale a pena? >
A consultora na LHH, empresa voltada para soluções em Recursos Humanos, Mariângela Schoenacker defende que, num momento de profundas transformações do mercado de trabalho, onde muitas profissões não foram criadas, é fundamental ter curiosidade e atitude de aprendiz. “Desenvolver novas habilidades e fazer pequenas mudanças em linha com seus interesses e demandas do mercado de trabalho é fundamental para manter sua empregabilidade”, ensina. Mariângela Schoenacker lembra que a formação acadêmica é apenas uma das muitas formas de obter formação profissional (Foto: Americo Nunes/Divulgação) Para Mariângela, investir em graduação, pós graduação é uma das formas de desenvolver e ampliar os conhecimentos e habilidades, além de conexões na área de interesse. “No entanto não é a única, não vale ser um colecionador de títulos, é preciso aprender e exercitar novas habilidades no dia a dia. Realizar trabalhos sociais, projetos multiprofissionais, fazer cursos rápidos também podem ajudar os profissionais a se desenvolver”, orienta.>
Aprender a aprender>
A Pró-Reitora de Pós-Graduação Lato Sensu do Centro Universitário SENAI CIMATEC Verena Alcântara defende que a formação acadêmica é sempre um bom investimento para quem se preocupa em manter-se competitivo no mundo do trabalho e está atento a oportunidades de exercer todo o seu potencial. >
“Os pressupostos para o desenvolvimento ou aprendizado de novas habilidades e competências para exercer novas funções concentram-se na realidade atual de que nunca é cedo ou tarde demais para aprender. Atualmente não é mais possível resolver toda a sua formação acadêmica e profissional até os 35 ou 40 anos”, esclarece Verena. >
A representante do SENAI CIMATEC reforça que uma das habilidades essenciais do profissional requerida pelo mundo do trabalho é, justamente, ‘aprender a aprender’. Essa competência vai ao encontro do conceito do lifelong learning (educação continuada). >
“Um movimento relevante, contudo, é escolher com cuidado a Instituição que irá confiar para lhe apoiar no desenvolvimento do seu talento. É fundamental que a Instituição seja reconhecidamente de credibilidade”, diz. Verena Alcântara destaca a responsabilidade pessoal de cada profissional em buscar a melhor formação para a atuação no mercado de trabalho (Foto: Milena Dias/Divulgação) Verena Alcântara acredita que a escolha da instituição é um dos pontos determinantes de sucesso, seja qualquer que for o objetivo do profissional: upskilling, que seria desenvolver competências que já possui ou o chamado reskilling, aprender novas habilidades.>
Outro ponto relevante é a escolha de uma formação que esteja plenamente alinhada aos seus objetivos de carreira. >
“Nos últimos anos, o modelo de operação dos cursos também se tornou determinante para estudantes e profissionais, que desejam formatos mais flexíveis, customizados, que contemple oportunidades de aproveitamento dos estudos já realizados e que conecte mais rapidamente os profissionais/estudantes aos seus objetivos de carreira”, avalia. >
Nova academia>
Mestre e doutor em Psicologia, o professor da Unijorge Mino Rios salienta que a formação acadêmica vem mudando e deixou de ser vista apenas como aquela alcançada após longas horas em sala de aula. O professor lembra que áreas como a de saúde e as engenharias têm na formação acadêmica uma base essencial para a atuação profissional, tanto por questões legais quanto pela necessidade de aquisição de competências cruciais para a atuação. >
“A meu ver, a formação acadêmica ainda é um bom investimento. Ou melhor, pode ser. Mas depende muito de como de porque você busca essa formação e como ela será aproveitada. Mas investir na própria formação deve ser pensado para além disso”, reflete.>
Rios vai além e pontua que a formação de uma pessoa não possui foco apenas no mercado de trabalho, mas também contempla outros aspectos, além de auxiliar na construção de capital social, network, redes sociais. Mino Rios destaca que a formação de um profissional vai além do mercado de trabalho e que a academia ajuda na construção de network importante (Foto: Divulgação) “Essa rede pode se configurar em capital social, seja para a inserção e ampliação de oportunidades de trabalho, seja em termos de trocas que beneficiam a própria formação geral. Para isso, é necessária uma postura mais proativa por parte dos estudantes, inclusive na escolha de uma instituição que possa agregar com programas e oportunidades diferenciadas”, esclarece. >
Para o professor de psicologia, se o mundo passou a exigir um perfil mais complexo de trabalhadores e de estudantes, as instituições de ensino também precisam oferecer diferenciais para a formação de trabalhadores e cidadãos.>
Recrutamento>
Mariângela Schoenacker é enfática, ao destacar que, hoje, muito mais do que formação acadêmica, os recrutadores buscam profissionais que tenham experiências relevantes (cases de sucesso) na área em questão, com capacidade de aprender, se adaptar e vontade para contribuir para o projeto que estão liderando. “Não basta ter um currículo bom, é preciso saber comunicar suas ideias e experiências”, afirma. >
A especialista em RH repete a máxima que afirma que profissionais são contratados pelas suas habilidades técnicas e desligados pelo seu comportamento. “As empresas investem cada vez mais em desenvolver as soft skills das suas equipes e contratar profissionais com competências técnicas que também tenham desenvolvido soft skills, tais como capacidade de aprender, comunicação, habilidade de resolver problemas complexos, liderança, pensamento crítico, relacionamento interpessoal, inteligência emocional”, garante.>
A representante da LHH reforça que só o conhecimento técnico não garante a empregabilidade das pessoas. “Saber buscar ajuda e trocar experiências com as profissionais é fundamental no desenvolvimento de sua carreira profissional, e relações de confiança e rede de apoio começam a ser desenvolvido durante o seu período de formação”, pontua.>
Mino Rios destaca que a sociedade é competitiva e instável, mudando a cada momento, e isso exige profissionais que consigam lidar com as diferenças, além de saber administrar o estresse. “Nesse sentido, não apenas a ideia de uma formação ampla ganha mais valor, mas as soft skills passam a ganhar um valor cada vez maior”, complementa.>
Para ilustrar a análise, Rios cita um estudo desenvolvido por ele, junto a mais de 100 empresas de todo o Brasil, que indicou que, para quase 60% delas, o fator ansiedade e a necessidade de gerenciamento do estresse se mostrou como um dos principais impactos. “Isso é mais um indício de que não se trata mais de uma formação A ou B. Se trata de termos profissionais que consigam agregar com competências que tragam valor”, finaliza o psicólogo. >
Aposte em contratações mais assertivas>
O psicólogo e professor Mino Rios destaca que as mudanças são fenômenos complexos e que não basta simplesmente ter colaboradores abertos a elas. “Existem fatores associados à mentalidade dos gestores, ao contexto macro (incluindo o contexto econômico e social) e recursos disponíveis para dar suporte a essas mudanças. Vale, aliás, destacar a importância de se saber quando, quanto e porque mudar”, reforça, lembrando que mudanças excessivas e abruptas tendem a incrementar o estresse e a resistência a esses processos. “Isso envolve saber manter o equilíbrio entre aceitar as mudanças, mas fazer isso de forma estratégica, seja em termos dos recursos e estratégias utilizadas, seja na forma como vamos mobilizar as pessoas para isso”, completa.>
1.Deixar claro para os participantes do processo seletivo a cultura da empresa e as habilidades requeridas pela função e oportunidades de desenvolvimento.>
2.No processo seletivo, o foco não deve estar só na avaliação de habilidades técnicas, mas também na avaliação do fit cultural e das soft skills chaves para aquele contexto.>
3. Envolver diferentes profissionais no processo seletivo para melhorar a assertividade da contratação e alinhamento aos valores e cultura da empresa.>
4. Dar sempre feedback para os candidatos, sejam eles os selecionados ou não.>
5. Cuidar da marca empregadora, amplia a atração e retenção de colaboradores.>
6. Ter um onboarding bem estruturado para garantir boa integração e retenção do profissional recém-contratado.>
(Fonte: Mariângela Schoenacker) >