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CLT ou negócio próprio? Jovens vivem dilema entre estabilidade e empreendedorismo

Brasil já tem cerca de 4,9 milhões de empreendedores entre 18 e 29 anos, mas especialistas alertam que, independentemente da escolha, qualificação é o principal diferencial para crescer no mercado

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 30 de julho de 2026 às 14:41

É possível vencer o medo de empreender (Imagem: fizkes | Shutterstock)
CLT ou negócio próprio? Jovens vivem dilema entre estabilidade e empreendedorismo Crédito: Imagem: fizkes | Shutterstock

Abrir a própria empresa ou buscar a estabilidade de um emprego com carteira assinada? Esse tem sido um dos principais dilemas enfrentados pelos brasileiros entre 18 e 29 anos. Impulsionados pelas novas tecnologias, pelas mudanças nas relações de trabalho e pelo desejo de mais autonomia, cada vez mais jovens enxergam o empreendedorismo como alternativa à CLT. Especialistas, porém, alertam que o sucesso em qualquer um dos caminhos depende de capacitação técnica e desenvolvimento de habilidades comportamentais.

Levantamento do Sebrae, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua/IBGE), mostra que o Brasil reúne cerca de 4,9 milhões de jovens donos de negócios. O perfil desse grupo também mudou. Hoje, quase 28% dos jovens empreendedores têm ensino superior completo ou incompleto, enquanto 46% concluíram o ensino médio. Além disso, aproximadamente 37% já são os principais responsáveis pelo sustento da família.

De office boy a diretor: homem de 96 anos ainda bate ponto na empresa onde foi contratado em 1950 por Divulgação

Segundo Jéssica Giustino, superintendente do Centro Brasileiro de Cursos (Cebrac), o cenário reflete uma transformação na forma como os jovens enxergam a carreira. "O jovem de hoje não quer ser apenas mais uma peça na engrenagem; ele busca propósito e autonomia. Porém, empreender por impulso ou aceitar um emprego sem preparo prévio são armadilhas. Para abrir uma empresa, não basta ter uma boa ideia: é preciso dominar gestão, planejamento financeiro e liderança. Da mesma forma, para se destacar no mercado formal, a exigência por profissionais qualificados e adaptáveis nunca foi tão alta".

Formalização faz diferença na renda

Os dados do Sebrae também mostram uma diferença significativa entre empreendedores formalizados e informais. A renda média de quem possui CNPJ chega a cerca de R$ 4.758, valor aproximadamente 156% maior do que o recebido por jovens que atuam na informalidade.

Apesar disso, apenas 28% dos jovens empreendedores estão formalizados, cenário que evidencia dificuldades relacionadas ao conhecimento sobre gestão, finanças e legislação. Já quem opta pela carreira com carteira assinada enfrenta um mercado cada vez mais competitivo, no qual competências digitais, raciocínio lógico e inteligência emocional ganharam peso nos processos seletivos.

O desafio é continuar aprendendo

Na avaliação da especialista, o debate não deve se limitar à escolha entre empreender ou trabalhar para uma empresa. "O grande dilema do jovem hoje não deve ser 'empreender versus trabalhar para terceiros', mas sim 'como me capacito para ser relevante em qualquer cenário'. O ecossistema de trabalho atual exige intraempreendedorismo dentro das empresas e visão estratégica dentro do próprio negócio".

Com o avanço de áreas como inteligência artificial, marketing digital, logística e serviços, a tendência é que tanto empreendedores quanto profissionais contratados precisem investir continuamente em atualização para acompanhar as transformações do mercado de trabalho.