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Nervoso na entrevista? Veja como se destacar na seleção

Pesquisa aponta que medo afeta mais de 40% dos candidatos; confira técnicas para transmitir confiança e passar no teste comportamental

  • Foto do(a) author(a) Carmen Vasconcelos
  • Carmen Vasconcelos

Publicado em 17 de agosto de 2026 às 06:30

Do currículo à entrevista: o guia para não falhar nas etapas do recrutamento
Do currículo à entrevista: o guia para não falhar nas etapas do recrutamento Crédito: Shutterstock

Em um cenário competitivo como o baiano — que exige jogo de cintura tanto no comércio e setor de serviços quanto nas indústrias e grandes empreendimentos —, a capacidade de controlar a ansiedade e demonstrar segurança é um fator decisivo, especialmente nas entrevistas de emprego e seleções.

De acordo com Vitória Alves, analista de Pessoas e Cultura da plataforma de recrutamento e educacional Refuturiza, a chave para virar esse jogo não está em adivinhar o que o selecionador quer ouvir, mas sim no planejamento e na autenticidade.

“Não existem respostas certas em um teste comportamental. O RH busca autenticidade e alinhamento com a cultura da empresa.” — Vitória Alves, especialista em Pessoas e Cultura.
“Não existem respostas certas em um teste comportamental. O RH busca autenticidade e alinhamento com a cultura da empresa.” — Vitória Alves, especialista em Pessoas e Cultura. Crédito: Divulgação

Respostas genéricas, ausência de exemplos práticos e falta de clareza sobre aprendizados passados estão entre as falhas mais recorrentes nos processos seletivos. Para Vitória Alves, o antídoto para a insegurança é o conhecimento prévio da própria trajetória e da vaga almejada.

"O nervosismo é natural e faz parte do processo seletivo. O que reduz a ansiedade é a preparação. Antes da entrevista, o candidato deve pesquisar sobre a empresa, revisar a descrição da vaga e refletir sobre suas experiências profissionais para conseguir relacioná-las às competências exigidas", orienta a especialista.

A preparação deve começar com a "lição de casa": acessar o site da instituição, analisar as redes sociais da organização em questão, entender a cultura organizacional e conferir os requisitos exigidos. Candidatar-se a diversas vagas sem verificar a aderência ao perfil gera frustração para ambos os lados.

Além disso, ter um alinhamento logístico prévio — conferir documentos, horários e endereço ou conexões de internet — garante que o foco do candidato fique concentrado na conversa.

Metodologia CAR

Para evitar respostas prolixas, fugir do assunto ou parecer que está inventando situações, a analista recomenda a adoção de uma estrutura objetiva de comunicação baseada em três pilares: Contexto, Ação e Resultado (CAR).

Contexto: Apresente brevemente a situação vivida na empresa ou projeto anterior.

Ação: Explique exatamente qual foi a sua participação e a sua tomada de atitude.

Resultado: Mostre os impactos alcançados ou as lições que você tirou daquela experiência.

A metodologia se aplica também a quem busca a primeira oportunidade ou a reinserção profissional. Experiências acadêmicas, trabalhos voluntários, cursos e projetos pessoais servem como excelentes insumos para demonstrar iniciativa, capacidade de aprendizado e responsabilidade.

Mitos e verdades

Com o avanço da tecnologia no recrutamento, o preenchimento de testes psicológicos e comportamentais tornou-se etapa padrão na maioria das seleções. No entanto, tentar "gabaritar" a avaliação pode sair caro.

Vitória ressalta que não existem respostas certas ou erradas ou um perfil único ideal. O objetivo da ferramenta é identificar a compatibilidade do estilo de trabalho do profissional com as exigências da função e o ambiente da equipe.

Tentar simular traços de personalidade gera inconsistências cruzadas nas respostas — contradições que ficam evidentes tanto para os algoritmos de recrutamento quanto para as bancas de RH. "A autenticidade continua sendo o caminho mais seguro para garantir um encaixe saudável e sustentável no ambiente de trabalho", orienta.

Atitudes inadequadas durante a conversa podem encerrar as chances de contratação logo nos primeiros minutos. Criar histórias ou omitir dados, por exemplo, gera quebra de confiança e elimina o candidato do processo.

Tentar simular proximidade com o recrutador demonstra falta de profissionalismo e pode soar invasivo.

Demonstrar resistência a críticas, não assumir erros ou demonstrar desinteresse pelo aprendizado contínuo geram uma imagem negativa.

Expor conflitos passados revela imaturidade emocional. Ao abordar desligamentos, o foco deve ser estritamente no aprendizado obtido e no desejo de evolução.

Demonstrações de desatenção, atrasos injustificados ou postura desleixada indicam baixo interesse genuíno na oportunidade.

As seleções no formato remoto vieram para ficar, mas exigem cuidados específicos para que instabilidades de conexão ou imprevistos não prejudiquem a avaliação do profissional. Por isso mesmo, antes da entrevista começar, verifique câmera, áudio e conexão com a internet com antecedência. Deixe o celular carregado com dados móveis como plano B. Escolha um local silencioso, organizado e com boa iluminação.

Caso ocorra uma queda de sinal ou falha técnica, comunique o recrutador com calma e transparência. A maturidade para lidar com imprevistos é bem vista pelas bancas.Mantenha a cordialidade, respeite a fala do entrevistador, expresse entusiasmo de forma equilibrada e evite usar tom de voz excessivamente alto ou linguagem inadequada.

A principal virada de chave para perder o medo da entrevista de emprego é mudar a perspectiva sobre a etapa. O encontro não deve ser encarado como um julgamento unilateral, mas sim como uma conversa de duas vias, na qual o candidato também analisa se a cultura da empresa e a proposta oferecida fazem sentido para os seus objetivos de vida e carreira.

Mesmo quando a aprovação não vem, cada processo seletivo deixa um aprendizado prático que fortalece a comunicação, aprimora o autoconhecimento e prepara o profissional com mais firmeza para o próximo desafio.

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