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Carmen Vasconcelos
Publicado em 17 de agosto de 2026 às 06:30
Em um cenário competitivo como o baiano — que exige jogo de cintura tanto no comércio e setor de serviços quanto nas indústrias e grandes empreendimentos —, a capacidade de controlar a ansiedade e demonstrar segurança é um fator decisivo, especialmente nas entrevistas de emprego e seleções. >
De acordo com Vitória Alves, analista de Pessoas e Cultura da plataforma de recrutamento e educacional Refuturiza, a chave para virar esse jogo não está em adivinhar o que o selecionador quer ouvir, mas sim no planejamento e na autenticidade.>
Respostas genéricas, ausência de exemplos práticos e falta de clareza sobre aprendizados passados estão entre as falhas mais recorrentes nos processos seletivos. Para Vitória Alves, o antídoto para a insegurança é o conhecimento prévio da própria trajetória e da vaga almejada.>
"O nervosismo é natural e faz parte do processo seletivo. O que reduz a ansiedade é a preparação. Antes da entrevista, o candidato deve pesquisar sobre a empresa, revisar a descrição da vaga e refletir sobre suas experiências profissionais para conseguir relacioná-las às competências exigidas", orienta a especialista.>
A preparação deve começar com a "lição de casa": acessar o site da instituição, analisar as redes sociais da organização em questão, entender a cultura organizacional e conferir os requisitos exigidos. Candidatar-se a diversas vagas sem verificar a aderência ao perfil gera frustração para ambos os lados.>
Além disso, ter um alinhamento logístico prévio — conferir documentos, horários e endereço ou conexões de internet — garante que o foco do candidato fique concentrado na conversa.>
Metodologia CAR >
Para evitar respostas prolixas, fugir do assunto ou parecer que está inventando situações, a analista recomenda a adoção de uma estrutura objetiva de comunicação baseada em três pilares: Contexto, Ação e Resultado (CAR).>
Contexto: Apresente brevemente a situação vivida na empresa ou projeto anterior.>
Ação: Explique exatamente qual foi a sua participação e a sua tomada de atitude.>
Resultado: Mostre os impactos alcançados ou as lições que você tirou daquela experiência.>
A metodologia se aplica também a quem busca a primeira oportunidade ou a reinserção profissional. Experiências acadêmicas, trabalhos voluntários, cursos e projetos pessoais servem como excelentes insumos para demonstrar iniciativa, capacidade de aprendizado e responsabilidade.>
Mitos e verdades >
Com o avanço da tecnologia no recrutamento, o preenchimento de testes psicológicos e comportamentais tornou-se etapa padrão na maioria das seleções. No entanto, tentar "gabaritar" a avaliação pode sair caro.>
Vitória ressalta que não existem respostas certas ou erradas ou um perfil único ideal. O objetivo da ferramenta é identificar a compatibilidade do estilo de trabalho do profissional com as exigências da função e o ambiente da equipe.>
Tentar simular traços de personalidade gera inconsistências cruzadas nas respostas — contradições que ficam evidentes tanto para os algoritmos de recrutamento quanto para as bancas de RH. "A autenticidade continua sendo o caminho mais seguro para garantir um encaixe saudável e sustentável no ambiente de trabalho", orienta.>
Atitudes inadequadas durante a conversa podem encerrar as chances de contratação logo nos primeiros minutos. Criar histórias ou omitir dados, por exemplo, gera quebra de confiança e elimina o candidato do processo. >
Tentar simular proximidade com o recrutador demonstra falta de profissionalismo e pode soar invasivo.>
Demonstrar resistência a críticas, não assumir erros ou demonstrar desinteresse pelo aprendizado contínuo geram uma imagem negativa.>
Expor conflitos passados revela imaturidade emocional. Ao abordar desligamentos, o foco deve ser estritamente no aprendizado obtido e no desejo de evolução.>
Demonstrações de desatenção, atrasos injustificados ou postura desleixada indicam baixo interesse genuíno na oportunidade.>
As seleções no formato remoto vieram para ficar, mas exigem cuidados específicos para que instabilidades de conexão ou imprevistos não prejudiquem a avaliação do profissional. Por isso mesmo, antes da entrevista começar, verifique câmera, áudio e conexão com a internet com antecedência. Deixe o celular carregado com dados móveis como plano B. Escolha um local silencioso, organizado e com boa iluminação.>
Caso ocorra uma queda de sinal ou falha técnica, comunique o recrutador com calma e transparência. A maturidade para lidar com imprevistos é bem vista pelas bancas.Mantenha a cordialidade, respeite a fala do entrevistador, expresse entusiasmo de forma equilibrada e evite usar tom de voz excessivamente alto ou linguagem inadequada.>
A principal virada de chave para perder o medo da entrevista de emprego é mudar a perspectiva sobre a etapa. O encontro não deve ser encarado como um julgamento unilateral, mas sim como uma conversa de duas vias, na qual o candidato também analisa se a cultura da empresa e a proposta oferecida fazem sentido para os seus objetivos de vida e carreira.>
Mesmo quando a aprovação não vem, cada processo seletivo deixa um aprendizado prático que fortalece a comunicação, aprimora o autoconhecimento e prepara o profissional com mais firmeza para o próximo desafio.>