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Carmen Vasconcelos
Publicado em 17 de agosto de 2026 às 06:00
O que começou como um aplicativo de conversas pessoais tornou-se indispensável no cotidiano corporativo. Contratos, documentos confidenciais, dados financeiros e informações estratégicas de clientes circulam diariamente no WhatsApp de empresas dos mais variados portes. >
No entanto, a agilidade no atendimento e nas vendas vem acompanhada de graves vulnerabilidades quando as companhias operam sem políticas de segurança e governança bem definidas.>
A abrangência da plataforma no país é expressiva. Dados da pesquisa TIC Domicílios, do Cetic.br, apontam o WhatsApp como o principal canal de comunicação do brasileiro. Na Bahia, o aplicativo é amplamente empregado em setores de suporte, cobrança e vendas. O problema, segundo especialistas, não está na ferramenta, mas no uso indiscriminado de celulares pessoais, grupos desregulados e falta de protocolos para o descredenciamento de ex-funcionários.>
O avanço desse cenário coincide com o aumento das fraudes digitais. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou mais de 281 mil estelionatos eletrônicos em um único ano — alta de 17% em relação ao período anterior —, ultrapassando a marca de 2,17 milhões de ocorrências de fraudes virtuais. >
A Bahia figura entre os estados com crescimento contínuo nesses índices."Quando a utilização do WhatsApp ocorre sem políticas internas e controles de governança, a empresa fica exposta a riscos, facilita acessos indevidos, compartilhamento de arquivos sem controle, uso de dispositivos desprotegidos e dificuldades para recuperar informações quando há troca ou desligamento de colaboradores", alerta Weliton Fernandes, advogado, especialista e professor de Direito da Afya Salvador.>
LGPD>
O alerta ganha peso com a fiscalização mais severa da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) bateu recorde de atendimentos, registrando cerca de 5 mil requerimentos apenas no primeiro semestre — sinal de que o consumidor está mais consciente de seus direitos e de que vazamentos por canais informais podem resultar em multas administrativas e processos judiciais. >
Além da regulação, há a ameaça direta das abordagens criminosas. Levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) revela que 38% dos brasileiros relataram ter sofrido tentativas de fraude recentemente, a maioria por meio da engenharia social praticada em aplicativos de mensagens.>
Diante desse panorama, investir apenas nas proteções tradicionais dos computadores da empresa, como antivírus e firewalls, tornou-se insuficiente.>
Controle>
O WhatsApp deve ser tratado como um canal oficial e submetido aos mesmos critérios de conformidade impostos aos demais sistemas corporativos. "O uso do WhatsApp por empresas requer a combinação entre tecnologia, governança e capacitação das pessoas, com o estabelecimento de uma política formal de uso que indique como e quais colaboradores podem usá-lo e quais tipos de informações podem ser compartilhadas", destaca Weliton Fernandes. >
Ele reforça ainda que as empresas também devem oferecer recursos de segurança e procedimentos formais para revogação imediata de acessos em casos de desligamento de colaboradores. "Além disso, treinamentos periódicos sobre segurança da informação, LGPD e boas práticas de comunicação reduzem significativamente a ocorrência de erros humanos", detalha o professor.>
Para o especialista, o uso do aplicativo nos negócios é um caminho sem volta, mas a gestão do canal precisa passar por uma imediata profissionalização, convertendo a governança digital em um pilar de segurança e proteção reputacional.>
RISCOS DO WHATSAPP SEM GOVERNANÇA>
Celulares pessoais Uso de dispositivos sem antivírus ou criptografia>
Ex-colaboradores Manutenção de acessos e histórico após o desligamento>
Falta de registro Ausência de histórico auditável para o cumprimento da LGPD>
Engenharia social Disseminação de golpes via mensagens instantâneas.>