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Matheus Marques
Publicado em 11 de julho de 2026 às 13:00
A estratégia de recuperação financeira dos Correios sofreu um forte revés operacional neste mês. Vivenciando uma crise profunda, com prejuízo consolidado de R$ 8,5 bilhões em 2025 e um novo déficit de R$ 3,1 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026, a estatal precisou paralisar pontos centrais do seu plano de reestruturação.
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O recuo, provocado pela ameaça de uma greve geral dos servidores, acontece em um momento crítico: a direção tenta fechar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões para manter a empresa circulando no azul.
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Correios anuncia empréstimo de R$ 20 bilhões e demissões na empresa
Para evitar que a categoria cruzasse os braços na terça-feira, 7, a cúpula da empresa enviou uma carta aos líderes sindicais congelando, até 31 de julho de 2026, as medidas mais impopulares.
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Ficaram suspensas a desativação de unidades de atendimento, o fim da gratificação de R$ 500 destinada a quem atende ao público (AAG e Quebra de Caixa) e o novo sistema de dimensionamento de distribuição, que mapeia os recursos logísticos necessários para as entregas.
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Apesar da paralisação desses eixos, a estatal corre para sinalizar ao mercado e ao governo que a austeridade continua. Em nota, a empresa garantiu que o congelamento é pontual:
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“A suspensão das medidas citadas é temporária e restrita aos temas em discussão, permitindo que as demais iniciativas previstas no Plano de Reestruturação tenham continuidade”, disseram os Correios.
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Estão mantidas, por exemplo, as vendas de patrimônio imobiliário ocioso e outras ações de contenção.
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O adiamento das medidas afeta diretamente a meta de enxugamento estrutural. Do plano original de fechar 1.000 agências e centros de tratamento para economizar R$ 2,1 bilhões, apenas 256 unidades foram extintas até agora. O restante do cronograma travou, deixando no limbo o novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), que mirava justamente os 7 mil servidores dessas localidades remanescentes.
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Esse novo PDV tenta corrigir a frustração do primeiro programa de desligamento deste ano. Naquela etapa, a meta de 10 mil saídas ruiu: apenas 3.075 funcionários aderiram, gerando uma economia de R$ 700 milhões frente ao objetivo inicial de R$ 1,4 bilhão.
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Agora, de forma mais modesta, os Correios planejam cortar entre 2 mil e 3 mil vagas. Vale lembrar que o plano de reestruturação foi desenhado no ano passado como uma imposição do Palácio do Planalto, que exigiu a reforma interna para dar o aval do Tesouro Nacional a um socorro anterior, de R$ 12 bilhões.
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A estatal firmou um acordo nesta semana com o Banco do Brasil, no valor de R$ 2,3 bilhões, para a prestação de serviços postais pelos próximos cinco anos. A contratação foi realizada de forma direta, por dispensa de licitação. Em nota, o BB justificou a ação apontando a “inviabilidade de competição”.
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"Adicionalmente, para os serviços não sujeitos ao monopólio, a ECT-Correios é a única organização com capilaridade, abrangência nacional e capacidade operacional suficientes para assegurar atendimento integrado, contínuo e padronizado em todo o território nacional, inclusive em localidades remotas e de difícil acesso, inexistindo, na prática, terceiros com capacidade equivalente para atender integralmente às necessidades do Banco, caracterizando a inviabilidade de contratação de terceiros para esses serviços."
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O acordo abrange a distribuição de cartões de crédito e débito, talões de cheque, correspondências a clientes, envio de malotes entre agências e notificações oficiais de cobrança ou jurídicas, em âmbito nacional e internacional. >