Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Encurralado, Correios adiam cortes e recorrem a empréstimos bilionários

Sob risco de paralisação nacional, estatal recua do fechamento de mil agências e tenta captar cifras bilionárias para manter as operações.

  • Foto do(a) author(a) Matheus Marques
  • Matheus Marques

Publicado em 11 de julho de 2026 às 13:00

Correios
Gestão  suspende fechamento de agências  ate o final de julho. Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

A estratégia de recuperação financeira dos Correios sofreu um forte revés operacional neste mês. Vivenciando uma crise profunda, com prejuízo consolidado de R$ 8,5 bilhões em 2025 e um novo déficit de R$ 3,1 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026, a estatal precisou paralisar pontos centrais do seu plano de reestruturação.

O recuo, provocado pela ameaça de uma greve geral dos servidores, acontece em um momento crítico: a direção tenta fechar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões para manter a empresa circulando no azul.

Correios anuncia empréstimo de R$ 20 bilhões e demissões na empresa por Antonio Saturnino/Arquivo CORREIO

A trégua com os sindicatos e o destino das despesas

Para evitar que a categoria cruzasse os braços na terça-feira, 7,  a cúpula da empresa enviou uma carta aos líderes sindicais congelando, até 31 de julho de 2026, as medidas mais impopulares.

Ficaram suspensas a desativação de unidades de atendimento, o fim da gratificação de R$ 500 destinada a quem atende ao público (AAG e Quebra de Caixa) e o novo sistema de dimensionamento de distribuição, que mapeia os recursos logísticos necessários para as entregas.

Apesar da paralisação desses eixos, a estatal corre para sinalizar ao mercado e ao governo que a austeridade continua. Em nota, a empresa garantiu que o congelamento é pontual:

“A suspensão das medidas citadas é temporária e restrita aos temas em discussão, permitindo que as demais iniciativas previstas no Plano de Reestruturação tenham continuidade”, disseram os Correios.

Estão mantidas, por exemplo, as vendas de patrimônio imobiliário ocioso e outras ações de contenção.

Metas frustradas no PDV e o aval do Tesouro

O adiamento das medidas afeta diretamente a meta de enxugamento estrutural. Do plano original de fechar 1.000 agências e centros de tratamento para economizar R$ 2,1 bilhões, apenas 256 unidades foram extintas até agora. O restante do cronograma travou, deixando no limbo o novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), que mirava justamente os 7 mil servidores dessas localidades remanescentes.

Esse novo PDV tenta corrigir a frustração do primeiro programa de desligamento deste ano. Naquela etapa, a meta de 10 mil saídas ruiu: apenas 3.075 funcionários aderiram, gerando uma economia de R$ 700 milhões frente ao objetivo inicial de R$ 1,4 bilhão.

Agora, de forma mais modesta, os Correios planejam cortar entre 2 mil e 3 mil vagas. Vale lembrar que o plano de reestruturação foi desenhado no ano passado como uma imposição do Palácio do Planalto, que exigiu a reforma interna para dar o aval do Tesouro Nacional a um socorro anterior, de R$ 12 bilhões.

Acordo bilionário com o Banco do Brasil

A estatal firmou um acordo nesta semana com o Banco do Brasil, no valor de R$ 2,3 bilhões, para a prestação de serviços postais pelos próximos cinco anos. A contratação foi realizada de forma direta, por dispensa de licitação. Em nota, o BB justificou a ação apontando a “inviabilidade de competição”.

"Adicionalmente, para os serviços não sujeitos ao monopólio, a ECT-Correios é a única organização com capilaridade, abrangência nacional e capacidade operacional suficientes para assegurar atendimento integrado, contínuo e padronizado em todo o território nacional, inclusive em localidades remotas e de difícil acesso, inexistindo, na prática, terceiros com capacidade equivalente para atender integralmente às necessidades do Banco, caracterizando a inviabilidade de contratação de terceiros para esses serviços."

O acordo abrange a distribuição de cartões de crédito e débito, talões de cheque, correspondências a clientes, envio de malotes entre agências e notificações oficiais de cobrança ou jurídicas, em âmbito nacional e internacional.

Tags:

Brasil Correios Economia Banco do Brasil Greve