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Estabilidade e carteira assinada superam home office na lista de desejos do trabalhador

Pesquisa da CNI revela que o ganho financeiro e a segurança do emprego fixo pesam muito mais do que a flexibilidade de horários no Brasil

  • Foto do(a) author(a) Matheus Marques
  • Matheus Marques

Publicado em 11 de junho de 2026 às 13:00

Red flag no trabalho de Escorpião: centralização silenciosa - reter o andamento de um projeto ou dados importantes até ter controle total sobre a execução, deixando a equipe sem atualizações até o último minuto
Ao projetarem as metas de carreira para os próximos cinco anos, os trabalhadores colocaram o salário e a segurança do vínculo empregatício no topo absoluto das prioridades. Crédito: Imagem gerada por IA

O amplo debate corporativo sobre a flexibilização das relações trabalhistas, impulsionado pelo avanço das plataformas digitais e do trabalho remoto, esbarra em um forte pragmatismo econômico por parte dos profissionais. Um levantamento nacional realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que os fatores tradicionais de contratação continuam ditando as regras do mercado.

Ao projetarem as metas de carreira para os próximos cinco anos, os trabalhadores colocaram o salário e a segurança do vínculo empregatício no topo absoluto das prioridades, deixando em segundo plano os pacotes de benefícios baseados em autonomia de jornada ou formatos híbridos.

Gestores apontam que os jovens são sensíveis demais e pedem flexibilidade em excesso para entregar pouco por Freepik

Por que a flexibilidade de horário perdeu espaço no orçamento das famílias

Os dados coletados apontam que o rendimento financeiro direto é o principal balizador de escolha para 28,7% dos entrevistados no país. Na sequência, a estabilidade na vaga desponta como o segundo fator mais relevante, registrando o apoio de 22,4% dos participantes, seguida de perto pelo desejo de crescimento e promoção interna, com 20,1%.

Essa configuração de interesses supera com margem considerável os novos modelos laborais, uma vez que a flexibilidade de horário obteve 19,3% das menções, o home office isolado somou 15,9% de preferência, e as propostas de jornada reduzida amargaram a última colocação do ranking, com 9,8% de apelo popular.

De acordo com a análise técnica dos especialistas da entidade industrial, os resultados comprovam que a proteção oferecida pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ainda funciona como o porto seguro da força produtiva do país.

Segundo a especialista em Políticas e Indústria da CNI Claudia Perdigão o trabalhador tende ainda a valorizar a estabilidade mesmo em um ambiente em que a liberdade de rotina é usada pelas corporações como moeda de troca para atração de talentos:

“Apesar de novas modalidades de trabalho estarem crescendo, como aquelas vinculadas a plataformas digitais, o trabalhador ainda valoriza o acesso a direitos trabalhistas, estabilidade e proteção social, que continuam, portanto, sendo um diferencial relevante mesmo em um contexto de maior flexibilização das relações de trabalho”, destacou.

O trabalhador brasileiro associa o regime de carteira assinada à previsibilidade orçamentária necessária para fazer frente ao custo de vida de médio e longo prazo, reduzindo o espaço para a migração rumo a regimes mais voláteis.

Carteira assinada é o modelo preferido dos jovens

A preferência pelo emprego formal tambem é vista entre os jovens, alcançando 41,4% dos brasileiros de 25 a 34 anos que estavam ocupados e procuraram trabalho no mês anterior à pesquisa.

As vagas com carteira assinada também foram consideradas mais interessantes por 38,1% das pessoas que tinham entre 16 e 24 anos. Portanto, o percentual de atratividade do emprego formal nesses grupos superou a média de 36,3%.

“O emprego formal traz mais segurança para os jovens, que procuram maior estabilidade no início da carreira profissional”, acredita Claudia Perdigão.

Incerteza atinge quase metade da população ativa na projeção de carreira

Apesar de a estabilidade despontar como um desejo consensual, o mapeamento revelou um abismo profundo em relação ao planejamento de futuro. A pesquisa identificou que 43% dos brasileiros não sabem detalhar em qual ocupação ou cargo estarão inseridos em um horizonte de cinco anos, um indicador que sinaliza o alto grau de insegurança gerado por reestruturações econômicas e substituições tecnológicas.

Entre a parcela minoritária que consegue estruturar uma meta clara de independência fora das empresas, 13,9% manifestam o plano de iniciar o próprio negócio, concentrando as ambições em ramos convencionais como o comércio varejista e setores de serviços locais, a exemplo de bares, restaurantes e salões de beleza.

Tags:

Trabalho Emprego Trabalhadores Economia Clt