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Fabricantes de veículos criticam aumento do etanol na gasolina sem novos testes

Entidade que representa as montadoras afirma que mudança não foi precedida por estudos específicos sobre impactos nos veículos

  • Foto do(a) author(a) Mariana Rios
  • Mariana Rios

Publicado em 15 de julho de 2026 às 09:59

Etanol em números: curiosidades sobre o biocombustível que move o Brasil
Etanol em números: curiosidades sobre o biocombustível que move o Brasil Crédito: Shutterstock

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirmou que a elevação da mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 32% (E32) foi aprovada sem estudos técnicos específicos que comprovem a segurança da medida para os veículos que circulam no país. Em nota divulgada na noite de terça-feira (14), a entidade defende que a mudança deveria ter sido precedida por novos testes.

Segundo a associação, os estudos usados para embasar a adoção da gasolina com 30% de etanol não servem para validar o aumento para 32%. A Anfavea afirma que os testes avaliaram apenas o desempenho e a dirigibilidade dos veículos, sem analisar possíveis impactos na durabilidade dos motores, no consumo de combustível, nas emissões de poluentes e na compatibilidade da nova mistura com toda a frota brasileira.

De 1975 até 2022, o Brasil consumiu mais de 637 bilhões de litros de etanol entre as versões anidra e hidratada por Shutterstock

A entidade também alerta que, com a nova regulamentação, a gasolina poderá ter teor de etanol de até 34% dentro da margem de tolerância prevista, cenário que, segundo a associação, também não passou por validação técnica.

Apesar das críticas, a Anfavea reiterou que apoia o uso de biocombustíveis e considera o etanol uma vantagem competitiva do Brasil na redução das emissões de carbono. A entidade, porém, defende que mudanças na composição da gasolina sejam adotadas apenas após comprovação técnica de que não haverá riscos para os veículos nem prejuízos aos consumidores.

Expectativa do governo

preço da gasolina poderá cair cerca de R$ 0,03 por litro com o aumento temporário da mistura obrigatória de etanol anidro no combustível. A estimativa foi apresentada nesta terça-feira (14) pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, após a aprovação da medida pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Segundo o ministro, além do impacto no bolso do consumidor, a mudança fortalece a segurança energética do país ao reduzir a necessidade de importar gasolina.

"Vai baratear em 3 centavos, mas, principalmente, diminuir a nossa dependência de importação de gasolina", afirmou Alexandre Silveira durante coletiva de imprensa.

A resolução do CNPE eleva, por 180 dias, o percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina comercializada no Brasil, passando de 30% para 32%. A medida havia sido anunciada pelo governo em abril, mas dependia da aprovação do colegiado, formado por representantes de 17 ministérios.

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Gasolina Veiculos Etanol