Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Fim da escala 6x1 pode levar até 30 anos para ser absorvido pela economia, diz CNI

Para evitar demissões ou cortes salariais, produtividade teria de crescer até 8,5% de imediato e ainda mais em setores como comércio e agropecuária

  • Foto do(a) author(a) Matheus Marques
  • Matheus Marques

Publicado em 1 de setembro de 2026 às 17:37

Fim da escala 6x1
A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1 traz à tona um dilema direto para o dia a dia dos negócios: como conceder mais folgas sem inviabilizar o funcionamento Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

A discussão nacional sobre o fim da escala 6x1 coloca em pratos limpos o histórico dilema do mercado de trabalho brasileiro: como garantir mais tempo livre ao trabalhador sem desorganizar a estrutura financeira das empresas? Segundo projeção apresentada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a resposta a essa equação pode exigir um período de adaptação de 15 a 30 anos.

Para que a conta feche sem demissões ou cortes salariais, a produtividade do trabalhador brasileiro precisaria aumentar de imediato entre 8,3% e 8,5%. Contudo, nas atividades que mais movimentam a economia regional, o esforço exigido seria ainda maior: o setor de comércio precisaria elevar a produtividade em 10,6%, enquanto a agropecuária teria de alcançar um aumento de 13,6%.

Deputado federal Antonio Brito por Reprodução

O presidente da CNI, Ricardo Alban, depois da publicação do levantamento alertou para os sobre as consequências para a população:

“Não existe redução de jornada imposta por lei que não afete empregos, salários e produção. Nos três cenários, os trabalhadores perdem”.

Desafios operacionais para o setor produtivo

Escalas de plantão encarecidas: setores que operam de segunda a domingo terão de contratar novos profissionais para preencher as lacunas das folgas estendidas. Nas últimas quatro décadas (1981 a 2024), a produção por hora no Brasil subiu apenas 0,5% ao ano.

Pressão sobre o pequeno empreendedor: pequenos negócios têm margens de lucro reduzidas e menor capacidade de absorver o aumento repentino nos custos de contratação. Nos últimos seis anos, a taxa caiu para 0,28% anuais. Nesse passo, o país levará cerca de 17 anos para cobrir o buraco gerado pela nova escala

Defasagem histórica: a taxa média de crescimento da produtividade no Brasil nas últimas décadas é insuficiente para neutralizar os custos da proposta no curto prazo. A indústria do país amarga a 91ª posição global em produção por hora trabalhada e o 100º lugar por funcionário.

Busca por um ponto de equilíbrio

A entidade argumenta que reformas que incentivem a qualificação profissional e a inovação tecnológica precisam anteceder ou acompanhar as mudanças na Legislação Trabalhista, garantindo que o avanço social não resulte em perda de postos de trabalho formais.

discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1 traz à tona um dilema direto para o dia a dia dos negócios: como conceder mais folgas sem inviabilizar o funcionamento. Segundo a projeção, o fim desse regime causará um corte imediato de 7,8% nas horas trabalhadas no Brasil, exigindo um nível de reorganização que os pequenos e médios empresários dificilmente absorverão sem repassar custos.

Risco para os empregos e salários

Comentaristas e líderes do setor produtivo apontam que a conta do encarecimento das escalas operacionais acabará sendo dividida com o cidadão comum, seja no aumento da inflação dos serviços ou no freio para novas contratações formais.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, ressalta que o avanço da proposta no Congresso precisa levar em conta a realidade do ambiente de negócios.

“O desempenho brasileiro mostra que a redução do tempo de trabalho só é sustentável se houver condições que permitam elevar a eficiência econômica. O desafio é bem maior do que condensar em menos tempo o mesmo esforço. São necessárias condições estruturais capazes de tornar o trabalho mais eficiente”, adverte o líder empresarial.

Tags:

Brasil Trabalhadores Economia Escala 6x1 Politica