Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

O drama das populações ilhadas: 3,3 mil municípios estão isolados por conta do encolhimento da malha interestadual

Queda de 17% nas linhas interestaduais deixa mais de 60% dos municípios brasileiros sem transporte regular; veja os impactos

  • Foto do(a) author(a) Amanda Cristina de Souza
  • Amanda Cristina de Souza

Publicado em 11 de agosto de 2026 às 16:38

Novo terminal começa a operar e velha rodoviária fecha as portas no mesmo dia em Salvador
Apagão no transporte: Mais de 400 rotas de ônibus foram canceladas no Brasil, isolando milhares de municípios. 60% dos municipios estão desassistidos Crédito: Arison Marinho

Apagão no transporte de ônibus isola 3,3 mil cidades e corta mais de 400 rotas no país. O encolhimento de 17% das linhas interestaduais deixa mais de 60% dos municípios sem serviços regulares, apontam dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT, analisados pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia, a Amobitec. A perda de conexões atinge passageiros que dependem do modal rodoviário, encarecendo bilhetes e limitando horários.

Novo terminal começa a operar e velha rodoviária fecha as portas no mesmo dia em Salvador por Arison Marinho

Os dados analisados são dos anos 2019-2026. O encolhimento da oferta acompanhou uma forte queda de demanda, que passou de 43,1 milhões de passageiros em 2023 para 36,7 milhões em 2025, reduzindo a receita das viações de R$ 6,7 bilhões para R$ 6,15 bilhões no mesmo período.

Essa retração acelerou a concentração de mercado no setor rodoviário. Atualmente, apenas cinco grandes conglomerados econômicos, Gontijo, Guanabara, JCA, Suzano e Águia Branca, controlam 36,5% de todo o ecossistema nacional de transporte por ônibus.

Na prática, para o passageiro, cerca de 80% das rotas interestaduais funcionam sob regime de monopólio ou duopólio, dominadas por apenas uma ou duas empresas que frequentemente pertencem ao mesmo grupo financeiro, limitando a concorrência e pressionando o valor das tarifas.

Com essa concorrência limitada, mais de 3,3 mil municípios e mais de 60% das cidades do país estão desassistidas de serviços regulares.

Impasse no STF paralisa regras da ANTT e afeta o interior

Para tentar resolver o represamento histórico e abrir o mercado à concorrência, a ANTT planejou lançar a chamada Janela Extraordinária para licitar 47.291 mercados no país. A medida visa atender 38.379 localidades atualmente desassistidas de transporte interestadual e abrir 8.912 rotas de ônibus que hoje operam sob domínio de uma única empresa.

A tentativa de abertura de mercado, porém, sofreu uma reviravolta no Supremo Tribunal Federal (STF). O processo foi paralisado por determinação judicial após questionamentos apresentados pela Associação Nacional das Empresas de Transporte Intermunicipal e Interestadual de Passageiros (Anatrip) sobre supostas fragilidades no sistema tecnológico da agência reguladora.

Com o impasse travado no STF, a concorrência segue congelada nas rodoviárias, deixando os passageiros reféns de tarifas elevadas e com pouca oferta de horários para viagens pelo interior e para outros estados do país.

Guerra judicial e disputa por liminares travam 25 mil linhas

Por trás do afunilamento das opções nas rodoviárias, o Transporte Rodoviário Regular Interestadual de Passageiros (Trip) transformou-se em um prolongado campo de disputa judicial em Brasília.

Dos 33 mil mercados cadastrados formalmente na agência reguladora, cerca de 25 mil dependem exclusivamente de liminares e decisões judiciais precárias para manter os ônibus circulando nas estradas brasileiras.

Enquanto as viagens operam sob incerteza jurídica, novos concorrentes tentam ingressar na malha nacional para oferecer passagens mais acessíveis. A ANTT acumula aproximadamente 70 mil pedidos de autorização submetidos por novas empresas nos últimos dois anos.

O avanço desses novos operadores, contudo, enfrenta forte resistência dos grandes grupos tradicionais, que alegam riscos à segurança das operações e desequilíbrio econômico para travar a entrada de novos ônibus nas linhas.

Tags:

Ônibus Rotas Transporte Stf Disputa