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Juliana Rodrigues
Publicado em 26 de junho de 2026 às 19:00
A governança do governo federal virou alvo de uma forte contestação do Tribunal de Contas da União (TCU). O tribunal apurou que quatro grandes estatais receberam recursos bem acima de suas reais demandas de operação. Diante da falta de bloqueios contábeis, o dinheiro da União se misturou ao faturamento das companhias, inviabilizando o rastreamento das verbas. >
A investigação minuciosa da área técnica identificou o destino exato de cada repasse sem destinação específica. Quem liderou o volume de recebimentos foi a Hemobrás, focada em medicamentos de alta complexidade, que recebeu R$ 150 milhões.>
Na sequência das transferências, a Infraero obteve R$ 122,3 milhões, enquanto a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) ficou com R$ 80,7 milhões. A lista fecha com a Ceagesp, que recebeu o aporte de R$ 2,2 milhões.>
O maior temor dos auditores envolve a perda de controle sobre a aplicação final do dinheiro. Como as verbas entram direto na conta corrente comum das empresas, recursos reservados para obras estruturais correm o risco de sumir no fluxo diário.>
"A ausência de mecanismos de rastreabilidade (...) impede a distinção da origem e da aplicação desses recursos, o que fragiliza a vinculação legal dos aportes", apontou o TCU em manifestação técnica revelada pela Folha de S.Paulo.>
Em termos práticos, a verba pública que deveria financiar o desenvolvimento corre o risco de virar blindagem contra erros de gestão. O dinheiro pode acabar queimado no custeio de folhas salariais ou na cobertura de prejuízos internos.>
Para cortar na raiz esse fluxo invisível, o tribunal sugeriu que o Palácio do Planalto suspenda de imediato novos repasses. A torneira só deve ser reaberta quando as estatais apresentarem planejamentos comerciais validados por auditorias independentes.>
O objetivo da Corte de Contas é vincular cada centavo liberado a metas rigorosas de desempenho. A medida tenta evitar o sufoco financeiro dessas empresas no longo prazo, o que exigiria repasses ainda maiores do Tesouro Nacional.>