Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Donaldson Gomes
Publicado em 11 de junho de 2026 às 22:10
Mesmo separados por quase 1000 quilômetros (km) de distância, Salvador e Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia, têm mais em comum do que se possa imaginar. A capital baiana representa uma solução logística eficiente para um dos maiores desafios dos produtores de algodão do oeste da Bahia. Nesta quinta-feira (dia 11) as administrações municipais dos dois municípios firmaram um acordo para potencializar a relação favorável às duas cidades. >
O prefeito de Salvador Bruno Reis esteve em Luís Eduardo para defender a capital baiana como porta de saída para a produção agrícola do Oeste – com destaque para o algodão. Há pouco mais de um ano, 6% da produção baiana era escoada por Salvador e atualmente a participação do Porto de Salvador é de 18%, com perspectiva de encerrar o ano próxima de 30%, projeta o prefeito. “Essa produção vinha sendo escoada pelo porto de Santos, um porto mais distante que o nosso porto da capital”, lembra. Segundo o gestor municipal, após uma grande mobilização, os números foram crescendo. Nesta sexta-feira, ele deve visitar a Bahia Farm Show, também em LEM. >
“Nós viemos apresentar aqui as potencialidades, o conjunto de investimentos que a Prefeitura tem feito em retroáreas, estimulando o privado, dando estímulos, incentivos fiscais, para que essa produção possa ser exportada por Salvador, que é muito mais vantajosa para o produtor da Bahia”, destacou. “Isso é para a Bahia, sem sombra de dúvidas, um grande ganho, porque quando se exporta pelo porto de Santos, esse tributo fica lá em São Paulo, fica na cidade de Santos. A gente está trazendo esse imposto aqui para o estado, para a cidade de Salvador”, ressaltou o prefeito. >
Projeto Conexão LEM Salvador
Questionado a respeito da iniciativa, Bruno Reis defendeu que o processo deveria estar sendo liderado pelo governo do estado. “Quem devia estar viabilizando a infraestrutura, fazendo essa articulação era o governo do estado. Mas nós prefeitos — eu, Júnior Marabá (de Lem), Otoniel (Teixeira, de Barreiras) e Valderico (Junior, de Ilhéus) — não ficamos esperando o governo para que as coisas aconteçam.>
Junior Marabá, prefeito de LEM, comemorou o convite de Bruno Reis para a aproximação. “A gente precisa encurtar cada vez mais essa distância. Então, parabenizo demais a iniciativa do prefeito Bruno Reis, de comentar que essa produção agrícola venha a ser exportada pelo Porto de Salvador, na Bahia de Todos os Santos”, afirmou. >
Marabá destacou a excelência do trabalho desenvolvido pelos produtores do Oeste e de outros estados na região do Matopiba, além da infraestrutura portuária em Salvador. Para ele, um dos grandes desafios está em melhorar as condições de infraestrutura entre os dois municípios. >
Sem dúvida alguma, tem uma necessidade de adequação em vias, mas vai muito além disso. Temos necessidade também da logística ferroviária, através da Fio (Ferrovia de Integração Oeste-Leste). O prefeito destaca ainda a necessidade de melhorias na logística aérea. “Eu tenho diversos investidores que querem vir para cá, mas eles têm dificuldade por conta de não termos aqui vôos comerciais”, conta.>
Segundo Marabá, a Prefeitura tem interesse em municipalizar o aeroporto local, mas vem encontrando dificuldades no poder público federal. >
Potencial marítimo>
Murilo Xavier, diretor do Tecon Salvador, por onde o algodão baiano é escoado na capital baiana, diz que os investimentos feitos no terminal, tornaram a operação mais competitiva. “O crescimento de movimentação tem sido vertiginoso, bem grande, e isso, junto com outras demandas, estimula a Wilson Sons, que é a proprietária da concessão do porto Salvador, a fazer investimentos contínuos para poder estar absorvendo isso”, diz.>
Mila Paes, secretária de Desenvolvimento Econômico de Salvador (SDE), destaca a importância econômica da atividade portuária para a cidade. “Dentre os desafios que a gente vem enfrentando desde o início da primeira questão do prefeito Bruno, quando a gente recebeu a missão de olhar a diversidade dessa matriz econômica de Salvador, olhar para essa questão da logística e da logística portuária”, lembra. >
Duda Lomanto, secretaria do Mar de Salvador, destacou as vantagens competitivas que Salvador tem em relação a outros lugares para o escoar o algodão. “A gente tem essa distância de 1000 km, mas o algodão escoado por Santos percorre uma distância muito maior, com um desgaste maior”, avalia. >
“O agro não funciona sem o mar, 90% dos produtos do Brasil hoje são exportados pela via náutica. Então a gente precisa entender que Deus nos deu o patrimônio da Baía de Todos-os-Santos e vamos aproveitar da melhor forma possível”, projetou.>
A secretária do Mar diz que a atividade portuária representa 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) de Salvador.>