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Amanda Cristina de Souza
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 08:42
SUS (Sistema Único de Saúde) libera 100 mil teleatendimentos mensais para tratar vício em bets. A nova rede de apoio em saúde mental começou a funcionar nesta semana na rede pública. O serviço gratuito atende apostadores que enfrentam o uso compulsivo de apostas digitais com acolhimento psicológico à distância. >
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O serviço opera de forma totalmente remota, gratuita e sigilosa por meio do aplicativo Meu SUS Digital, atuando em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).>
A expansão representa um salto de mais de 160 vezes em relação às cerca de 600 consultas mensais disponibilizadas quando a iniciativa foi lançada, em março. O aumento acelerado atende à alta procura por socorro no ambiente virtual.>
A estratégia digital elimina barreiras de deslocamento e contornando a vergonha e o medo do julgamento social, fatores que frequentemente impedem o cidadão de buscar suporte em uma unidade presencial.>
Para ingressar no programa de suporte, o usuário deve acessar o aplicativo Meu SUS Digital com credenciais da conta Gov.br, entrar na seção dedicada à saúde mental e realizar um autoteste de triagem.>
Quando o diagnóstico aponta risco de dependência, o sistema direciona o paciente para a equipe da AgSUS, que gera o protocolo para o agendamento de até 10 sessões de 50 minutos com psicólogos e enfermeiros especializados.>
A retaguarda também acolhe os familiares atingidos pela desestruturação orçamentária do lar.>
A utilidade do modelo remoto para vencer o estigma e aproximar o cidadão da rede pública foi enfatizada pelo Ministério da Saúde. Ao defender a acolhida digital como porta de entrada contra a ludopatia, o vício em bets, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, declarou:>
Alexandre Padilha
Ministro da SaúdeA ampliação dos teleatendimentos ocorre em sintonia com as medidas do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, que monitora os estragos econômicos do setor em conjunto com o Ministério da Fazenda.>
Dados oficiais apontam que mais de 1 milhão de brasileiros já recorreram voluntariamente à Plataforma Centralizada de Autoexclusão para bloquear o próprio CPF e impedir o acesso a sites de apostas autorizados, as chamadas bets.>
O fantasma do endividamento predomina entre as justificativas de bloqueio: 35% dos usuários relataram perda total de controle sobre o jogo, enquanto 11,8% apontaram diretamente o colapso das finanças pessoais.>
O período de realização de grandes torneios esportivos acelerou esse movimento. Somente durante a Copa do Mundo, entre junho e julho, mais de 387 mil pessoas solicitaram o bloqueio voluntário do CPF, volume que correspondeu a cerca de 38% de todas as autoexclusões registradas na história do sistema nacional.>
A dependência em apostas manifesta-se pelo impulso incontrolável de jogar e pela tentativa recorrente de recuperar valores perdidos.>
As equipes técnicas orientam atenção a sintomas como ansiedade e irritabilidade na ausência de apostas, alterações no sono e humor, além do comprometimento direto da renda familiar destinada a despesas essenciais.>
Para orientar a população, o Ministério da Saúde lançou um guia focado no acolhimento de pessoas com problemas com apostas, reforçando a importância da intervenção precoce antes que o endividamento atinja níveis críticos.>
Caso as teleconsultas semanais não sejam suficientes para a recuperação do paciente, o sistema realiza o encaminhamento direto para os serviços presenciais da RAPS, incluindo os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) nos municípios.>