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Transação no Pix pode custar R$ 0,39 ao governo para cobrir novo modelo de impostos

Mecanismo do Split Payment depende de um acordo com o setor financeiro que pode custar R$ 585 milhões anuais ao Tesouro Nacional.

  • Foto do(a) author(a) Maiara Baloni
  • Maiara Baloni

Publicado em 11 de agosto de 2026 às 17:10

o uso do Pix via CPF agora é critério de desempate para subir na fila da restituição, acelerando o depósito para quem quer receber o dinheiro logo nos primeiros lotes.
Pagamentos via Pix, cartão e boleto passarão por fatiamento automático de impostos no momento da compra. Crédito: IA/GEMINI

O comprador que paga uma conta no Pix, no cartão ou no boleto nem percebe, mas o valor gasto passará a ser fatiado no mesmo segundo em que a operação é confirmada. Essa é a premissa do Split Payment, mecanismo de arrecadação do novo modelo tributário brasileiro. A implementação da ferramenta, porém, depende de um acordo comercial, bancos e credenciadoras querem receber R$ 0,39 a cada transação processada.

Com a estimativa de movimentar até 1,5 bilhão de operações anuais, a tarifa geraria uma conta próxima de R$ 585 milhões ao ano. A quantia é cobrada pelas instituições sob a justificativa de cobrir investimentos em tecnologia e conexão com a Receita Federal.

Corrida contra o tempo: Congresso Nacional ainda precisa regulamentar o Comitê Gestor e o sistema de cashback para garantir que a transição da Reforma Tributária ocorra sem falhas em 2026 por Banco de imagens

Crédito em impostos e ressalvas do governo

A proposta construída por técnicos do Ministério da Fazenda, da Controladoria-Geral da União (CGU) e do setor bancário não prevê pagamento em dinheiro vivo às instituições. A remuneração ocorreria via compensação tributária: os R$ 0,39 virariam desconto nos impostos futuros devidos pelas próprias instituições financeiras em um prazo de dez anos, com atualização pela taxa Selic.

A solução enfrenta entraves regulatórios. A CGU apontou que a concessão desses descontos em tributos esbarra nas regras do Arcabouço Fiscal quando o governo federal opera em déficit. O órgão de controle também solicitou o detalhamento das planilhas de custo apresentadas pelas entidades do setor bancário para validar o preço sugerido.

Mudança na rotina do comércio e cronograma de testes

Para o ambiente de negócios, a separação imediata dos impostos altera a dinâmica do caixa das empresas. Diferente do modelo atual, no qual o dinheiro arrecadado com tributos permanece disponível na conta do comerciante até o vencimento da guia de pagamento, o Split Payment retém a fração pública de forma instantânea, liberando ao vendedor apenas o saldo líquido.

A transição para a nova tecnologia segue prazos definidos pela legislação. O ano de 2026 é dedicado aos testes operacionais nas redes bancárias, aplicados com alíquotas de adaptação de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS. A cobrança oficial do novo modelo de arrecadação começa em 2027, com expansão progressiva até a implementação total do sistema em todo o território nacional até 2033.

Tags:

Brasil Pixar Reforma Tributária