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VR acabou na metade do mês? Veja quanto o trabalhador gasta do próprio bolso para almoçar

Levantamento mostra que o valor do VR caiu para o menor nível da história; saiba como o trabalhador está se virando para garantir o almoço até o fim do mês

  • Foto do(a) author(a) Juliana Rodrigues
  • Juliana Rodrigues

Publicado em 10 de agosto de 2026 às 18:00

Vale refeição
Vale-refeição atinge menor nível histórico no Brasil e cobre só nove dias de almoço. Crédito: Shutterstock

Se você sente que o saldo do seu vale-refeição (VR) evapora logo no começo do mês, saiba que não está sozinho nessa maratona. A cobertura do benefício despencou e atingiu o menor nível já registrado no país, pois hoje o crédito corporativo é suficiente para pagar apenas 9 dias úteis de almoço na rua.

Trabalhador gasta R$ 589 por mês do próprio bolso para almoçar. por Crédito: Foto: Ilustração, IA/ Gemini

A constatação vem de um estudo inédito da empresa de benefícios Pluxee. No ano passado, o mesmo benefício ainda conseguia garantir a refeição por 10 dias. A queda reflete o descompasso entre a inflação dos restaurantes, que subiu 6,22%, e o reajuste do VR pago pelas empresas, que avançou só 1,5%.

A conta não fecha e exige 13 dias cobrados do seu próprio bolso

A conta do mês comercial de 22 dias virou uma dor de cabeça para quem precisa comer fora. Como o cartão só cobre 9 dias de trabalho, o trabalhador é forçado a tirar dinheiro do próprio salário para bancar os 13 dias restantes.

Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT).

O preço do almoço: a refeição completa no Brasil (com comida, bebida, sobremesa e café) já custa, em média, R$ 56,86. Nas capitais do Nordeste, como Salvador, o valor médio oscila próximo de R$ 48,00.

O valor pago pelas empresas: a média do benefício diário nacional é de apenas R$ 22,58, o que não cobre nem metade de um prato padrão no restaurante.

O prejuízo no contracheque: essa diferença gera um "rombo" médio de R$ 589,00 por mês no salário do trabalhador só para pagar o almoço do expediente.

Marmita, PF e malabarismo mostram como o baiano está se virando

Para não ver o salário ir embora na mesa do restaurante, a rotina nos escritórios e comércios mudou drasticamente. A ordem agora é economizar onde dá:

Volta forte da marmita: levar o almoço preparado em casa virou a principal estratégia para economizar o saldo do cartão.

Adeus ao restaurante a quilo: a tradicional refeição por quilo perdeu espaço para os comerciais e "Pratos Feitos" (PF) com preço fechado.

Jogada dos benefícios flexíveis: quem tem cartão flexível anda transferindo o saldo do vale-alimentação (VA) do mercado para reforçar o VR do almoço.

Dor de cabeça também para as empresas

O aperto no bolso do funcionário acabou virando problema dentro dos escritórios e departamentos de Recursos Humanos.

Com o valor do VR defasado e a insatisfação em alta, o reajuste do benefício passou a ser uma das principais cobranças nas negociações sindicais e um fator decisivo para quem está pensando em trocar de emprego.

Tags:

Dinheiro Trabalhador Restaurante