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Carol Neves
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 08:09
Aos 21 anos, Kawe Rodrigues Carneiro Bessa conseguiu a vaga que havia perseguido durante três anos: foi aprovado em Medicina na USP de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. O curso era justamente sua primeira escolha, depois de duas tentativas anteriores sem conseguir ingressar na universidade. >
Morador do Belenzinho, na capital paulista, o jovem passou toda a vida escolar na rede pública. Para conseguir pagar o primeiro ano de cursinho, precisou contar com a ajuda da mãe, do padrinho e de um amigo, já que a preparação para o vestibular representava uma despesa difícil de encaixar no orçamento familiar.>
A trajetória, no entanto, não terminou na primeira tentativa. Depois de não conseguir a aprovação, Kawe manteve o objetivo de cursar Medicina e continuou se preparando. O desempenho obtido ao longo desse período acabou rendendo uma bolsa integral no cursinho Objetivo.>
Aluno de escola pública passa em Medicina na USP após 3 tentativas
Mudança de estratégia>
Segundo o Uol, a mudança ajudou a aliviar o peso financeiro da preparação e permitiu que ele continuasse estudando sem precisar arcar com as mensalidades. Nos dois primeiros anos, a rotina havia sido marcada por uma carga intensa de estudos. Na terceira preparação, porém, Kawe decidiu mudar a estratégia.>
Em vez de apenas aumentar o tempo dedicado aos livros, passou a identificar com mais cuidado os pontos que precisava melhorar e também reservou espaço para conviver com amigos e outras pessoas. A mudança veio depois de duas experiências frustradas no vestibular.>
A aprovação chegou por telefone. Sem saber qual seria o resultado, Kawe havia combinado de sair com um amigo para tentar não ficar preso à expectativa pela divulgação da lista. Foi durante esse período que recebeu a ligação confirmando a vaga em Medicina na USP de Ribeirão Preto.>
Mãe morreu antes da aprovação>
A conquista, porém, aconteceu em meio a uma ausência importante. A mãe do estudante, que teve participação decisiva na trajetória dele, morreu aos 48 anos após um problema cardíaco, antes de poder acompanhar a aprovação do filho.>
Ela havia sido uma das principais responsáveis por sustentar o projeto de Kawe de chegar à universidade. Além de incentivá-lo, ajudou a encontrar maneiras de manter o cursinho e os gastos ligados à rotina de estudos.>
A relação dos dois com a universidade também tinha um plano compartilhado. Segundo Kawe contou ao portal, a mãe não havia concluído o ensino superior porque precisou interromper a graduação quando a própria mãe teve um problema cardíaco. Ela pretendia voltar a estudar e cursar Direito depois que o filho entrasse na faculdade.>
O interesse de Kawe pela Medicina também passou pela experiência familiar. Ele se aproximou da área por causa do interesse em ciências biológicas e do contato com hospitais durante os atendimentos relacionados ao problema cardíaco da mãe.>