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Thais Borges
Publicado em 27 de julho de 2026 às 05:00
Ao longo do ano de 2025, as quatro Universidades Estaduais da Bahia (Uebas) teriam direito a receber R$2.616.225.168, de acordo com a previsão orçamentária. No entanto, mesmo que o valor tenha sido aprovado pela Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), somente 86% do total foi autorizado. De acordo com o Fórum das ADs, entidade que representa as associações docentes das quatro instituições, R$365 milhões foram cortados. >
O orçamento das universidades estaduais, tal qual acontece com as instituições federais de ensino, é dividido em três rubricas: a de pessoal (pagamentos de salários de servidores), a de custeio (manutenção) e a de investimentos. Os cortes principalmente foram nessas duas últimas - em especial, na de investimentos, que teve o maior percentual. No caso dela, como mostram os estudos do fórum, apenas 30% dos investimentos autorizados foram realizados.>
Universidades estaduais na Bahia
Segundo a professora Iracema Lima, coordenadora do Fórum e presidente da Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Adusb), os cortes comprometem o funcionamento das universidades, especialmente com o aumento das demandas devido à expansão nos últimos anos. Em geral, a rubrica de pessoal não pode ser alterada ou cortada, porque é diretamente ligada a pagamentos, reposições trabalhistas e progressão de carreira dos servidores. No levantamento feito pelo Fórum das ADs, 98,03% dos recursos destinada a esse orçamento foram usados. >
“Em contrapartida, investimento e custeio são rubricas que eles conseguem contingenciar”, diz Iracema. O investimento está diretamente ligado a ampliação de espaços como laboratórios, aquisição de mobiliário e insumos. “Isso não está sendo executado como deveria”. >
Estrutura>
Um dos principais problemas do corte no orçamento de investimentos, segundo a professora, é que a estrutura das Uebas hoje não seguem o crescimento dos cursos nos últimos anos. Somente 29,9% do que estava previsto foi de fato executado. >
O quadro de docentes, inclusive, não teria tido ampliação desde 2011. “Hoje, as universidades estaduais têm um número muito maior de alunos, com a mesma quantidade de professores. Quando vão autorizar concursos, são de vagas remanescentes. Por isso, cada vez mais temos que ficar com a carga de trabalho majorada. Isso leva a um projeto de intensificação do trabalho docente, que resulta em adoecimento de colegas”, explica. >
De acordo com ela, as vagas que costumam ser abertas em processos seletivos são de colegas que se aposentaram, que pedem exoneração ou até mesmo que falecem. >
Além disso, o valor destinado ao orçamento de manutenção e custeio também tem tido problemas. Do que estava previsto, 71,4% foi executado - o restante foi alvo de cortes. >
“No custeio, isso impacta nas condições de permanência dos alunos. Não são todas as Uebas que têm restaurante universitário, por exemplo. Impacta nos servidores e nos estudantes, principalmente os de baixa renda. A gente tem ausência de insumos nos laboratórios que impedem validação ou continuidade de pesquisas, salas de aula que precisam estar melhor ocupadas e estruturas que precisam ser ampliadas para graduação e pós-graduação,” cita.>
Para a professora, para haver mais equilíbrio no orçamento e destinação de recurso ideal, o valor correspondente às despesas de pessoal não poderiam ser maiores do que 50% do orçamento total. >
“Mas acaba sendo a maior parte porque eles contingenciam o restante, inclusive com retirada de direitos trabalhistas, como o adicional de insalubridade. Além disso, o movimento docente não é recebido pelo governo há um ano. No dia 29, vai fazer um ano que o governo não se reúne com a categoria”. >
Mais recursos>
Outra demanda dos docentes é que o recurso destinado às universidades seja maior. Em 2025, do total de R$57,3 bilhões no orçamento estadual, 3,92% foi destinado ao ensino superior. >
“A gente já chegou próximo a 5% (do orçamento total do estado sendo destinado às Uebas) e o movimento docente vem requerendo, para manutenção e ampliação, que seja de 7% e mais 1% para a permanência estudantil”. >
Na próxima quarta-feira (29), os docentes estaduais universitários planejam um ato no Centro Administrativo da Bahia (CAB). O protesto promete levar um 'mega bolo’ para marcar, de forma simbólica, o aniversário de um ano sem que o movimento docente seja recebido pelo governo do estado. >
O CORREIO procurou as assessorias das Universidades Estaduais de Feira de Santana (Uefs), do Sudoeste da Bahia (Uesb), do Santa Cruz (Uesc) e da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), bem como a Secretaria da Educação do Estado (SEC) para se pronunciar sobre o caso, no último dia 20, sem resposta. O espaço segue aberto para manifestação. >