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Lucas Pereira
Publicado em 7 de agosto de 2026 às 08:24
Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) trazem um panorama sobre o perfil do eleitorado brasileiro para essas eleições de 2026. Em comparação ao pleito de 2022, houve um aumento na quantidade de pessoas com mais de 60 anos aptas a votar, enquanto o número dos jovens teve uma redução. Na Bahia, o fenômeno do cenário nacional se repete. >
Se nas eleições gerais de quatro anos atrás o público 60+ correspondia a 2.232.013 pessoas no estado, em 2026, após um crescimento de 9,33%, essa faixa etária soma mais de 2,44 milhões de eleitores em território baiano. O aumento é justificado pelo fenômeno demográfico já presenciado nos últimos anos, com a população vivendo mais, de acordo com o doutor em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidad del Museo Social Argentino (UMSA) e analista político, Melilo Dinis. >
“O fenômeno é demográfico. Não tem motivo que não seja o fato de que vem mudando o perfil da população brasileira. E o eleitorado registra essa mudança”, revelou.>
A faixa entre 60 e 64 anos teve o terceiro maior aumento percentual, de acordo com os dados da Justiça Eleitoral, ganhou mais de 88 mil pessoas entre 2022 e 2026 e hoje são quase 757 mil pessoas. O número de eleitores entre 65 e 69 anos cresceu 16,29% (605 mil), assim como o público entre 70 e 79 anos, dono do maior aumento percentual contabilizado (17,25%), que pulou de 269 mil para mais de 316 mil.>
No lado oposto da pirâmide etária, jovens na Bahia entre 16 e 24 anos tiveram uma queda de 178 mil eleitores nos últimos quatro anos. Apenas a faixa dos menores de idade, abaixo dos 18 anos, teve um decréscimo de quase 40 mil eleitores. O número é maior que a população de pessoas aptas para votarem em cidades como Sento Sé, Seabra e Xique-Xique, por exemplo.>
Quando somamos o público dos 60+ com os eleitores de até 24 anos, percebe-se a importância dessas faixas no destino das eleições baianas. Dos mais de 11 milhões de eleitores aptos a exercerem o direito ao voto no pleito de outubro, 3.896.346 pessoas correspondem ao grupo, cerca de 34,5% do eleitorado do estado, ou seja, mais de um terço da totalidade. >
De acordo com Melilo, esses dois públicos dialogam com a percepção da realidade de maneiras diferentes e possuem interesses diversos:>
“Uma população com esse perfil de idade, modifica também a qualidade da percepção dos problemas. O eleitorado 60+ tem como característica algum grau de resolução dos problemas mais imediatos. Geralmente é a questão da Saúde, (impacta) menos a questão da Educação. A Segurança Pública tem um efeito importante; temas como o INSS, e obviamente, todo o caso de aposentados que foram metidos no escândalo do INSS ”, elencou o analista. Do outro lado dessa moeda, o público mais jovem tem outros interesses prioritários como “emprego, geração de renda, inserção na educação”, por exemplo.>
Outro dado importante é que nas eleições de 2022, a Bahia registrou mais de 21% abstenções (eleitores que faltaram), aproximadamente 2,4 milhões de pessoas. Desse total, quase 48%, cerca de 1.153.871 eleitores, estão na casa de até 24 anos e acima dos 60. Segundo o analista, uma forma de conseguir esses votos se baseia na forma de abordagem dos candidatos diante desses públicos precisa ser inclusiva que dialogue com as diferentes formas de entendimento:>
“O eleitor brasileiro está mudando e, na sua conjuntura, hoje o eleitor também é rejeitador. O voto para grande parte do eleitorado vira veto. Eu creio que as redes sociais e a revolução da Inteligência Artificial modificam profundamente a compreensão do eleitor sobre todos os fenômenos. O candidato, o político, ele tem que apostar em ser conhecido e se fazer conhecer, e as redes sociais jogam um aspecto muito importante dentro disso”, acredita.>