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Eleições 2026: veja como funciona o quociente eleitoral e a disputa por vagas na Câmara e na Alba

Renovação mínima será de 7% na bancada baiana da Câmara e de 18% na Alba, enquanto novos nomes tentam conquistar espaço e veteranos buscam manter seus mandatos

  • Foto do(a) author(a) Rodrigo Daniel Silva
  • Rodrigo Daniel Silva

Publicado em 3 de outubro de 2026 às 08:41

Disputa por vaga na Assembleia Legislativa da Bahia será acirrada
Disputa por vaga na Assembleia Legislativa da Bahia será acirrada Crédito: Arte CORREIO

É verdade que, na Bahia, todas as atenções estão voltadas para quem será o próximo governador ou o próximo presidente da República. Mas também é preciso olhar para quem ocupará as cadeiras da Câmara dos Deputados e da Assembleia Legislativa do estado (Alba) pelos próximos quatro anos.

É difícil (ou melhor, impossível) prever quem serão os eleitos e os derrotados na disputa pelo Legislativo. Seria necessária uma bola de cristal, algo que ninguém tem. Historicamente, porém, a renovação das bancadas da Bahia na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa tem ficado na casa dos 30%.

O que já se pode garantir é que a bancada baiana em Brasília terá uma renovação mínima de 7% em relação à composição atual. Isso porque, dos 39 deputados federais, três desistiram de concorrer à reeleição e, necessariamente, serão substituídos por outros nomes: Alex Santana (Republicanos), João Leão (PP) e José Rocha (União Brasil).

Três deputados federais desistiram de concorrer à reeleição na Bahia
Três deputados federais desistiram de concorrer à reeleição na Bahia Crédito: Arte CORREIO

Na Assembleia Legislativa, onde há 63 cadeiras, a renovação mínima será maior: 18%. Onze deputados estaduais não concorrem à reeleição. Quatro deles decidiram tentar subir um degrau na carreira política e concorrer a uma vaga em Brasília: Olívia Santana (PCdoB), Leandro de Jesus (PL), Robinho e Manuel Rocha, ambos do União Brasil.

Outros decidiram ‘pendurar as chuteiras’: Adolfo Menezes (PSD), Soane Galvão (Avante), Luciano Ribeiro (União Brasil), Maria Del Carmen (PT), Nelson Leal (PP) e Raimundo da JR (PL).

Já Binho Galinha (Avante) teve a candidatura indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). Ele está preso desde outubro de 2025, suspeito de comandar uma milícia responsável por lavagem de dinheiro há mais de uma década.

O cálculo para definir quem serão os novos deputados não é simples, mas também está longe de ser incompreensível. Ele passa por um nome pomposo: o chamado “quociente eleitoral”. Funciona assim: somam-se todos os votos válidos dados aos candidatos e partidos. Depois, o resultado é dividido pelo número de cadeiras em disputa na Alba ou na Câmara. Por exemplo: se houver 1 milhão de votos válidos para 20 cadeiras, o quociente eleitoral será de 50 mil votos.

Isso significa que, para conquistar uma cadeira, um partido ou federação precisa atingir, em princípio, esse patamar de votos. Se uma legenda receber 200 mil votos e o quociente eleitoral for de 50 mil, ela conquista inicialmente quatro vagas. Essas cadeiras serão ocupadas pelos candidatos mais votados daquele partido ou federação.

Para chegar lá, os candidatos a deputado constroem suas bases eleitorais (cidades e regiões onde têm maior atuação política e costumam obter votações mais expressivas). Em regra, recebem o apoio de prefeitos e lideranças locais, mas, claro, enfrentam adversários que também tentam conquistar votos nos mesmos municípios.

Em Salvador, a briga entre candidatos a deputado federal promete ser especialmente acirrada. A entrada de novos nomes com forte capital eleitoral na cidade deve contribuir para uma maior pulverização dos votos.

Estão nesse grupo Carlos Muniz Filho (PSDB), filho do presidente da Câmara Municipal de Salvador, Carlos Muniz (PSDB); a deputada estadual Olívia Santana; o vereador Duda Sanches (PSDB); e o ex-deputado federal Cacá Leão, que ganhou maior projeção na cidade ao integrar a gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil) como secretário municipal.

Além dos novos nomes na disputa, o cenário reúne candidatos tradicionalmente bem votados em Salvador, como Alice Portugal (PCdoB), Lídice da Mata (PSB), João Carlos Bacelar (PV) e Pastor Sargento Isidório (Avante).

Alice, porém, pode enfrentar uma maior divisão de votos entre o eleitorado identificado com a esquerda diante da candidatura de Olívia Santana. Isidório, por sua vez, tenta recuperar espaço após a perda de votos registrada em 2022, quando sua fundação foi alvo de uma reportagem do Fantástico.

No pleito passado, o deputado federal Léo Prates (Republicanos), que concorre à reeleição, foi o campeão de votos em Salvador.

Com tantos nomes competitivos na eleição deste ano, a expectativa é que o postulante mais votado na capital baiana alcance algo em torno de 60 mil votos.

Em 2022, a atual presidente da Alba, Ivana Bastos (PSD), foi a deputada estadual mais votada da Bahia, com 118 mil votos. Neste ano, busca repetir o feito. Já Otto Filho, filho do senador Otto Alencar (PSD), foi o deputado federal mais votado do estado no pleito anterior, com cerca de 200 mil votos. Ottinho, como é conhecido, porém, tornou-se conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), o que abre espaço para que um novo nome assuma o posto de campeão de votos para a Câmara dos Deputados. E quem será? Façam suas apostas!