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Donaldson Gomes
Publicado em 3 de outubro de 2026 às 13:00
Com realidades sociais e econômicas diferentes, a insegurança aparece entre os poucos aspectos em comum entre as grandes cidades no interior baiano. A exceção é Vitória da Conquista. Tirando a principal metrópole do Sudoeste baiano, todos os maiores colégios eleitorais da Bahia convivem com elevados índices de homicídios. >
O outro aspecto que conecta as dez cidades, que juntas somam um eleitorado semelhante ao de Salvador, com 1.856.332 de pessoas, é a condição de polos regionais. Os municípios que respondem por quase 16,5% dos votos nas eleições deste ano têm vocações econômicas diferentes, mas todos funcionam como polos de serviços.>
Maior cidade do interior baiano, Feira de Santana é possivelmente também a melhor síntese do conceito de polo regional. A população de Feira é estimada em mais de 660 mil pessoas. >
A cidade de Vitória da Conquista, na Bahia
Apesar de ter uma indústria forte, o principal motor econômico da Princesa do Sertão é o setor terciário, com muita força em seu comércio, serviços, logística e distribuição, graças a uma localização privilegiada, nos entroncamentos das BR-101 e BR-116 e a conexão com Salvador. O PIB per capita de R$ 35,45 mil em 2023 é relativamente alto para o padrão da Bahia. A cidade sofre muito na área de segurança é um problema importante. >
Em Conquista – o ponto fora da curva em relação à criminalidade, com uma taxa de homicídios de 22,1 por grupos de 100 mil habitantes –, outro destaque que destoa dos outros grandes colégios eleitorais do interior é o desenvolvimento da educação, segundo dados do Ideb 2025, com uma média de 6,1 pontos nos anos iniciais e 4,9 pontos nos anos finais. Em segundo lugar, aparece Camaçari, com 5,3 e 4,1 pontos, respectivamente. >
12 lugares em Feira de Santana que não existem mais e deixaram saudade
A cidade de 370 mil habitantes possuía um Produto Interno Bruto (PIB) de 12,7 bilhões e PIB per capita foi de R$ 34.153. Assim como as outras cidades tem a força na condição de um polo regional de serviços, com forte influência na saúde, educação superior, comércio, serviços especializados, construção e transporte.>
Sede do mais importante distrito industrial da Bahia, Camaçari é o caso mais peculiar da lista. O município tem cerca de metade da população de Feira, mas produz mais PIB que qualquer outra cidade do interior. Seu PIB per capita de R$ 91.283 é quase 2,6 vezes o de Feira, 2,7 vezes o de Vitória da Conquista e 3,5 vezes o de Juazeiro.>
Em Juazeiro, o maior problema social é o mesmo de diversas cidades da Bahia, segurança pública. Com cerca de 240 mil habitantes e um PIB de R$ 6,2 bilhões, o município tem uma economia profundamente ligada à agricultura e compartilha com a pernambucana Petrolina, do outro lado do Rio São Francisco, uma forte dinâmica urbana. >
Quinto maior colégio eleitoral da Bahia, Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, compartilha a dinâmica urbana da capital. É o que os especialistas chamam de uma anomalia territorial. Tem somente 57,9 quilômetro quadrado (km²) e mais de 200 mil habitantes, o que produz uma densidade de aproximadamente 3,5 mil habitantes por km², uma das maiores da Bahia. Dois terços da economia dependem do setor terciário, com a indústria respondendo por cerca de 20% e agropecuária próxima a zero. >
Entre os 10 maiores colégios eleitorais da Bahia é o que possui o maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), mas compartilha com as outras cidades a convivência com elevados índices de violência. >
As vizinhas Itabuna e Ilhéus ocupam, respectivamente, as posições de 6º e 7º maiores colégios eleitorais do interior. Em Itabuna, a economia historicamente vinculada ao cacau sofreu forte ruptura com a crise da monocultura e da vassoura-de-bruxa. A cidade se tornou cada vez mais dependente de comércio, serviços, saúde, educação e administração pública. A cidade tem um IDHM elevado, mas enfrenta desafios nas áreas de saúde e de educação. Já Ilhéus tem uma economia relativamente sofisticada e diversificada, mas apresenta uma das maiores distâncias da amostra entre desempenho econômico e indicadores sociais.>
A menos de 200 quilômetros de Ilhéus, Jequié é outro importante polo regional do estado, com uma população de 159 mil habitantes e PIB de R$ 3,88 bilhões. Na área social apresenta indicadores positivos, como a mais baixa taxa de mortalidade entre os dez municípios, além de melhoras na educação, mas sofre com os efeitos da crise de insegurança alastrada por toda a Bahia. O município baiano aparece entre os mais violentos do país, com uma taxa de 91,9 mortes por 100 mil habitantes. >
Com pouco mais de 168 mil habitantes, Porto Seguro é um dos destinos turísticos mais desejados do país. A atividade econômica explica boa parte do resultado do PIB do município, acima de R$ 5 bilhões. Importante polo hoteleiro, gastronômico e de entretenimento, a cidade possui uma economia relativamente grande para sua população, mas isso não significa distribuição homogênea da riqueza.>
A décima cidade da lista é Alagoinhas, que desponta com uma dinâmica econômica bastante robusta, graças à sua indústria e à atividade logística. O município possui um PIB em torno de R$ 5,71 bilhões e um resultado per capita de R$ 37.769.>
Os dez maiores colégios eleitorais do interior baiano revelam, portanto, uma Bahia marcada por diferenças profundas, mas também por desafios que se repetem. Mais do que reunir quase 1,9 milhão de eleitores, ajudam a desenhar um retrato da própria Bahia, com todo o seu potencial, contradições e sonhos de um futuro melhor. >