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O que acontece com o dinheiro que sobra da campanha após a eleição? Veja as regras

Recursos não utilizados e bens adquiridos durante o pleito têm destinos definidos pela legislação eleitoral, que diferencia valores do FEFC, Fundo Partidário e outras fontes

  • Foto do(a) author(a) Juliana Rodrigues
  • Juliana Rodrigues

Publicado em 2 de setembro de 2026 às 09:00

Candidatos que não devolverem as sobras de campanha ou tiverem as contas rejeitadas perdem o direito de disputar novas eleições.
Candidatos que não devolverem as sobras de campanha ou tiverem as contas rejeitadas perdem o direito de disputar novas eleições Crédito: Crédito: José Cruz/Agência Brasil

Quando as urnas apuram o último voto e as atividades do comitê chegam ao fim, surge uma dúvida sobre o destino do dinheiro e dos bens que sobraram da campanha. A legislação eleitoral estabelece regras específicas para esses recursos, que precisam ser declarados na prestação de contas e, conforme a origem, transferidos ao partido ou devolvidos ao Tesouro Nacional.

O que acontece com o dinheiro que não foi usado

As sobras de campanha incluem a diferença positiva entre os recursos financeiros arrecadados e os gastos realizados, além de bens e materiais permanentes adquiridos ou recebidos durante a campanha e créditos contratados e não utilizados de impulsionamento de conteúdo.

Essas sobras devem ser transferidas ao órgão partidário correspondente à circunscrição da eleição, conforme a origem dos recursos e a filiação partidária do candidato. A transferência deve ocorrer até a data prevista para a apresentação das contas à Justiça Eleitoral.

No caso dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), a regra é diferente. Os valores não utilizados não são considerados sobras de campanha e devem ser recolhidos integralmente ao Tesouro Nacional, por meio de Guia de Recolhimento da União (GRU).

Já as sobras de recursos do Fundo Partidário devem ser transferidas para a conta bancária do partido destinada à movimentação desse tipo de recurso. As demais sobras financeiras devem ser depositadas na conta do partido destinada a outros recursos.

E os bens comprados para a campanha?

Computadores, móveis, veículos e outros bens permanentes também entram nas regras de prestação de contas. Quando não houver utilização integral desses bens durante a campanha, eles devem ser transferidos ao órgão partidário correspondente, com a documentação que comprove a operação.

Há uma exceção importante para bens permanentes adquiridos com recursos do FEFC. Nesse caso, os bens devem ser alienados ao final da campanha, e o valor obtido com a venda deve ser recolhido ao Tesouro Nacional por meio de GRU.

Créditos de impulsionamento também entram na conta

As regras alcançam ainda os créditos contratados e não utilizados para impulsionamento de conteúdo em plataformas digitais. Esses valores são considerados sobras de campanha e precisam seguir o mesmo tratamento previsto para os recursos conforme sua origem.

Isso significa que não basta considerar apenas o dinheiro que permaneceu na conta bancária. A prestação de contas também deve registrar créditos de impulsionamento não utilizados e bens permanentes adquiridos ou recebidos durante a campanha.

Qual é o prazo para entregar as contas?

Para as Eleições 2026, as prestações de contas finais referentes ao primeiro turno devem ser apresentadas à Justiça Eleitoral até o 30º dia posterior à realização da eleição.

Quando houver segundo turno, candidatos e órgãos partidários que se enquadrem nas regras devem apresentar as contas até o 20º dia posterior à segunda votação, com a movimentação financeira relativa aos dois turnos.

As sobras também têm prazo próprio. O candidato deve transferi-las ao órgão partidário correspondente, observada a origem dos recursos, até a data prevista para a apresentação das contas à Justiça Eleitoral. No caso do FEFC, os valores não utilizados devem ser recolhidos ao Tesouro Nacional.

Erros nas contas podem ser corrigidos

A existência de inconsistências ou irregularidades na prestação de contas não significa, automaticamente, que o candidato terá as contas julgadas como não prestadas. Durante o processo, a Justiça Eleitoral pode determinar diligências para esclarecer informações e apresentar documentos.

A situação mais grave ocorre quando as contas são efetivamente julgadas como não prestadas. Nesse caso, o candidato fica impedido de obter a certidão de quitação eleitoral até o fim da legislatura correspondente, e a restrição permanece depois desse período até a efetiva apresentação das contas.

A falta de quitação eleitoral pode impedir o registro de uma candidatura enquanto a restrição estiver vigente. Portanto, o efeito não deve ser descrito simplesmente como uma “inelegibilidade” ou como uma proibição definitiva de disputar novas eleições.

Quando a sobra pode virar problema na Justiça

A existência de dinheiro ou bens não utilizados, por si só, não significa que houve crime. O tratamento dado pela legislação depende da origem dos recursos, da forma como foram contabilizados e do destino dado a eles.

Em casos de desaprovação das contas com indícios de apropriação de bens, recursos ou valores destinados ao financiamento eleitoral, pode haver apuração do crime previsto no artigo 354-A do Código Eleitoral.

Por isso, a prestação de contas é fundamental para demonstrar quanto foi arrecadado, o que foi gasto e qual foi o destino dos recursos e bens que permaneceram ao final da campanha.

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Eleição Campanha Candidatos Tse Partidos Políticos