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O que acontece dentro da urna eletrônica no momento exato em que o eleitor aperta a tecla confirma

Entenda o caminho digital do voto, os mecanismos de sigilo que embaralham os dados e os detalhes técnicos da apuração

  • Foto do(a) author(a) Maiara Baloni
  • Maiara Baloni

Publicado em 19 de agosto de 2026 às 09:45

urna eletrônica
Processamento interno embaralha dados e grava informações em duas memórias no momento da confirmação. Crédito: Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE

No instante em que o eleitor pressiona a tecla verde na cabine de votação, a urna eletrônica dispara uma série de comandos matemáticos para registrar a escolha e, ao mesmo tempo, apagar qualquer ligação entre quem votou e o número digitado. O procedimento ocorre em frações de segundos dentro do equipamento, por meio de sistemas criados pela Justiça Eleitoral para garantir a inviolabilidade da escolha e a integridade da apuração em todas as seções do país.

Urna eletrônica foi aberta ao vivo pela primeira vez por Arisson Marinho/CORREIO

Como funciona o sigilo e o embaralhamento do voto na urna eletrônica

A separação dos dados começa na própria estrutura da seção. O terminal do mesário, onde a identidade e a biometria do cidadão são conferidas, funciona de forma independente da tela de votação. A urna recebe apenas a liberação de que uma pessoa apta está na cabine, sem registrar qual nome ou documento corresponde àquele momento da votação.

Assim que a confirmação é feita, o voto entra no Registro Digital do Voto (RDV). Em vez de seguir a ordem de chegada das pessoas na fila, os dados são gravados em uma tabela aleatória. Cada cargo disputado vai para uma posição sorteada pelo próprio sistema, o que impede reconstruir a sequência de votação mesmo com a lista de presença em mãos. Logo após essa etapa, o arquivo recebe uma camada de criptografia e uma assinatura digital gerada exclusivamente para aquela máquina.

Gravação dupla dos dados e ausência de conexão com a internet

Para evitar a perda de informações em caso de pane elétrica ou falha mecânica, a gravação do voto ocorre de forma simultânea na memória interna e na memória de resultado externa. Se um aparelho apresentar defeito físico durante o dia, a memória externa pode ser transferida para uma urna de reserva sem prejuízo aos registros computados até ali.

O equipamento também é construído sem componentes de comunicação externa. A urna eletrônica não possui placas de rede, receptores de Wi-Fi, antenas de Bluetooth ou entradas para cabos de internet. Trata-se de um sistema isolado que funciona exclusivamente com os softwares instalados e lacrados antes da votação.

Relatórios impressos e conferência pública dos resultados

Antes do início da votação, a máquina imprime a Zerésima, relatório que comprova que nenhum candidato possui votos computados naquele equipamento. Durante o processo de digitação ao longo do dia, uma pausa programada de um segundo mantém a tecla verde temporariamente travada na tela de confirmação, recurso adotado para dar tempo ao cidadão de conferir a foto e os dados do candidato escolhido.

Às 17h, com o encerramento dos trabalhos, a própria máquina calcula os totais da seção e imprime o Boletim de Urna (BU). Uma das vias impressas é fixada na porta da sala de votação para visualização pública, permitindo que fiscais, partidos e eleitores tenham acesso aos números locais antes mesmo do envio dos arquivos criptografados para a totalização central.

Tags:

Brasil Voto Urna Eletrônica Eleições 2026