Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Juliana Rodrigues
Publicado em 4 de setembro de 2026 às 13:00
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu regras decisivas sobre o uso de IA nas Eleições 2026. Em julgamento encerrado nesta terça-feira (1), a Corte barrou abusos de conteúdos manipulados. >
No entanto, deu sinal verde para o uso de ferramentas sintéticas em encontros fechados.Com isso, partidos e pré-candidatos ganham respaldo para transmissões pela internet sem o risco de multas automáticas por propaganda antecipada.>
A discussão começou após a oposição questionar um vídeo gerado por IA na convenção do Partido Liberal (PL). A gravação recriava a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro declarando apoio ao filho, Flávio Bolsonaro.>
Por 4 votos a 3, os ministros entenderam que a exibição não violou a lei eleitoral por três motivos centrais.>
Público-alvo restrito: o evento era voltado exclusivamente para militantes e dirigentes partidários.>
Ausência de pedido explícito de voto: o conteúdo tratava apenas de uma demonstração de apoio político.>
Natureza da transmissão: a exibição na internet não transforma, por si só, uma reunião interna em propaganda irregular.>
A nova interpretação sobre a IA nas Eleições 2026 estabelece uma clara divisão entre apoio político e propaganda eleitoral.>
O relator do caso, ministro Kassio Nunes Marques, destacou que buscar o respaldo de aliados em reuniões é um ato legítimo. O descumprimento da legislação só ocorre quando há um pedido direto de voto ao cidadão comum antes do período permitido.>
Além disso, por 5 votos a 2, o TSE estabeleceu uma tese inédita para proibir conteúdos sintéticos na política.>
Para que um material manipulado por regras de inteligência artificial seja barrado na campanha, ele deve preencher requisitos específicos.>
1. Uso de IA ou tecnologia equivalente: o conteúdo precisa ser produzido ou alterado sinteticamente.>
2. Alto grau de realismo: o material deve apresentar semelhança ao reproduzir ou alterar voz e imagem de pessoas vivas, falecidas ou fictícias.>
3. Caracterização como propaganda: a proibição exige que o material esteja sendo usado diretamente no contexto da disputa eleitoral.>
Com a fixação dessa tese, a Justiça Eleitoral consolida diretrizes claras para orientar juízes e trazer previsibilidade ao marketing político nas Eleições 2026.>