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Helena Merencio
Agência Correio
Publicado em 18 de maio de 2026 às 11:11
Existe uma pequena ironia na segurança digital: quanto mais importante uma senha é, mais difícil ela deveria ser de lembrar. Durante anos, especialistas alertaram que esse era um dos grandes problemas da vida online. >
Combinações simples são descobertas com facilidade por máquinas. Sequências fortes demais, por outro lado, viram um desafio para qualquer pessoa comum.>
No meio dessa rotina, muita gente adotou a saída mais perigosa: repetir a mesma senha em várias contas. Basta um vazamento ou um golpe de phishing, nome dado às tentativas de enganar o usuário para roubar dados, para que e-mail, banco, lojas virtuais e outros perfis fiquem expostos de uma só vez.>
Foi para tentar arrumar essa bagunça que os gerenciadores de senha ganharam espaço. Eles guardam combinações longas e diferentes em um único lugar, deixando o usuário responsável por lembrar apenas a senha principal. A Wirecutter observa, porém, que a solução ajudou, mas nunca virou hábito para a maioria das pessoas. >
O motivo é simples: a pessoa dispõe do seu tempo agora para evitar um problema que talvez, quem sabe, só apareça no futuro.>
Depois veio a autenticação em duas etapas, também chamada de 2FA. Na prática, é aquela confirmação extra além da senha, como um código enviado por mensagem ou gerado em um aplicativo. >
A camada aumenta a proteção, mas também deixa o login mais trabalhoso. E, em alguns casos, esse código ainda pode ser capturado por golpistas bem preparados.>
É aí que as passkeys entram. Em vez de tentar consertar as senhas, elas mudam a lógica do acesso.>
Uma passkey é uma chave digital criada para abrir uma conta específica. No lugar de digitar uma senha, o celular ou computador encontra essa chave e pede uma confirmação. Pode ser um PIN, reconhecimento facial ou impressão digital.>
Para Jacob Hoffman-Andrews, tecnólogo sênior da Electronic Frontier Foundation, a comparação mais simples é pensar na passkey como uma senha enorme, que não pode ser copiada e colada, mas que o aparelho consegue usar de forma mais rápida e segura.>
Na prática, isso resolve alguns dos vícios mais antigos das senhas. Passkeys não precisam ser decoradas, não funcionam em páginas falsas de phishing e não ficam expostas do mesmo jeito quando um serviço sofre vazamento de dados.>
Derek Hanson, diretor de tecnologia da Yubico, chama atenção para outro ponto: essa defesa ganha ainda mais peso num cenário em que a inteligência artificial consegue imitar vozes e criar e-mails fraudulentos em grande escala.>
Antes de usar uma passkey, é preciso decidir onde ela será salva. A chave pode ficar no próprio aparelho, em um gerenciador de senhas ou em uma chave física de segurança.>
De acordo com a Wirecutter, passkeys usam criptografia de ponta a ponta, uma proteção que impede terceiros de lerem essas chaves. Isso vale até para empresas como Apple, Google, Microsoft e gerenciadores de senha. Na prática, apenas dispositivos autorizados pelo usuário conseguem acessá-las.>
No ecossistema da Apple, elas ficam no app Senhas e sincronizam pelo Apple ID. Em Android, Chromebooks e Chrome, passam pelo Google Password Manager. No Windows, o recurso aparece integrado à conta Microsoft.>
Gerenciadores como 1Password e Bitwarden também aceitam passkeys. Já quem prefere evitar a nuvem pode usar chaves físicas, como modelos da Yubico avaliados pela Wirecutter. Só existe um detalhe importante: perder o dispositivo significa perder as passkeys salvas nele.>
Passkeys só funcionam em sites compatíveis. A FIDO Alliance, grupo responsável pela base técnica da tecnologia, mantém uma lista pesquisável de serviços que já aceitam esse tipo de login.>
Mesmo onde o recurso existe, a experiência ainda muda bastante. Alguns sites permitem várias passkeys por conta. Outros limitam o usuário a apenas uma. Há serviços que dispensam a autenticação em duas etapas no acesso por passkey, enquanto outros mantêm etapas extras.>
Apesar disso, a recomendação da Wirecutter é criar uma passkey sempre que um site oferecer essa opção. As senhas ainda não vão desaparecer, mas cada chave criada deixa uma conta menos dependente de combinações fáceis de roubar.>