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Agência Correio
Publicado em 10 de setembro de 2026 às 13:43
O que começou como uma atividade escolar acabou transformando o quintal de uma família no Vale do Shenandoah, na Virgínia, nos Estados Unidos. Em 2017, aos 14 anos, Maggie Johnson recebeu uma tarefa da disciplina de agricultura e decidiu construir um lago no terreno da família. Nove anos depois, o espaço é frequentado por anfíbios, insetos, aves e até veados.>
A mudança começou com uma pá e um projeto simples. O terreno era ocupado principalmente por gramado e tinha pouca diversidade de ambientes. Durante as noites quentes, os grilos eram os principais sons ouvidos no local.>
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A história foi relatada pelo fotógrafo conservacionista Steven David Johnson, pai de Maggie, em reportagem publicada pela National Wildlife Federation (NWF) em março de 2026.>
Antes de iniciar a obra, Maggie pesquisou maneiras de construir um lago no quintal. A escavação começou no outono de 2017. Alguns meses depois, na primavera de 2018, o espaço estava pronto e já havia acumulado água.>
A partir daí, os pais da adolescente, Steven e Anna Maria, passaram a participar do projeto. A família utilizou terra e pedras para moldar as margens e começou a introduzir plantas no entorno.>
Poucas semanas depois de o lago ficar cheio, sapos-americanos (Anaxyrus americanus) já haviam encontrado o novo ambiente, segundo Maggie.>
A presença dos anfíbios foi o início de uma transformação que continuaria nos anos seguintes.>
Com o crescimento da vegetação e a consolidação do ambiente aquático, novas espécies passaram a aparecer.>
Libélulas e besouros aquáticos começaram a utilizar o lago. Aves passaram a frequentar o local para tomar banho, enquanto veados aparecem para beber água.>
Os sons do quintal também mudaram. Além dos grilos, as noites passaram a ser marcadas pelos chamados de pererecas-cinzentas e rãs-verdes.>
O pequeno lago criou diferentes possibilidades para a fauna. Alguns animais encontraram água, outros abrigo ou alimento, enquanto os anfíbios ganharam um ambiente adequado para etapas importantes de seu ciclo de vida.>
A criação do lago foi apenas o primeiro passo. Os Johnson também passaram a modificar a vegetação ao redor da água para favorecer a presença de animais.>
Entre as espécies cultivadas estão a buttonbush (Cephalanthus occidentalis), plantas conhecidas como Joe-Pye weed, do gênero Eutrochium, e a pickerelweed (Pontederia cordata).>
Posteriormente, a família acrescentou nenúfares-brancos ao lago. As plantas criaram novos espaços de proteção para anfíbios e macroinvertebrados.>
A escolha da vegetação foi feita pensando na fauna local. Plantas nativas podem fornecer alimento, abrigo e locais de reprodução para espécies adaptadas à região.>
Segundo a National Wildlife Federation, jardins voltados à vida selvagem devem ter como objetivo manter pelo menos 70% de plantas nativas.>
A transformação chamou a atenção da própria National Wildlife Federation. O jardim da família recebeu a certificação “Certified Wildlife Habitat”, concedida a espaços que oferecem condições para a sobrevivência de animais silvestres.>
Entre os critérios estão a existência de água e alimento, locais de abrigo e áreas adequadas para reprodução e criação de filhotes. A adoção de práticas sustentáveis de jardinagem também é considerada.>
O lago passou a cumprir parte importante dessas funções. Para os anfíbios, por exemplo, a água pode servir como área de reprodução, enquanto a vegetação próxima fornece proteção e recursos para outras espécies.>
A transformação também chamou atenção pelo custo inicial relativamente baixo.>
Segundo Steven David Johnson, a família gastou aproximadamente US$ 160 no início do projeto. O valor foi utilizado principalmente para comprar a manta impermeabilizante do lago, plantas e ferramentas de jardinagem.>
Desde então, os gastos anuais com novas plantas ficam em torno de US$ 100.>
O maior investimento recente ocorreu no verão de 2025, quando a família gastou aproximadamente US$ 600 para instalar uma cerca. A estrutura foi criada para impedir a entrada de gatos e ajudar a proteger os anfíbios.>
Com o desenvolvimento do ambiente, o lago também passou a exigir menos manutenção. Segundo Johnson, atualmente não é necessário utilizar filtro.>
O projeto que começou como uma tarefa escolar continua fazendo parte da rotina de Maggie. Aos 23 anos, ela acompanha as espécies que vivem no local e registra organismos encontrados no ambiente por meio de desenhos.>
O quintal se tornou, na prática, um laboratório a céu aberto. O que começou com uma adolescente retirando terra do gramado passou a permitir a observação de diferentes espécies e das relações entre elas.>
A National Wildlife Federation destaca que espaços pequenos também podem contribuir para a conservação da fauna quando oferecem água, alimento e abrigo. Segundo a organização, jardins compostos principalmente por plantas nativas podem abrigar até duas vezes mais vida selvagem do que propriedades dominadas por gramados convencionais.>
A experiência da família Johnson não elimina os efeitos da perda de biodiversidade em escala maior, mas mostra como áreas residenciais podem ganhar novas funções para a fauna.>
Um lago pequeno, combinado com vegetação nativa, pode criar um habitat onde antes havia apenas gramado. Com o tempo, organismos começam a ocupar o ambiente e novas espécies podem ser atraídas pela presença de água, alimento e abrigo.>
No caso dos Johnson, a transformação começou em 2017 com uma tarefa de escola. Nove anos depois, o resultado não está apenas na aparência do quintal, mas também nos animais que passaram a fazer parte dele.>
E, todas as noites, a mudança pode ser percebida no som das pererecas e das rãs que agora vivem no local.>