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Kaíky Almeida
Agência Correio
Publicado em 16 de agosto de 2026 às 11:11
Curitiba ganhou uma moradora com uma casa bastante diferente do comum no início dos anos 2000. A arquiteta Karina Pimentel comprou um vagão de trem de cerca de 37 toneladas em um leilão e decidiu transformar a estrutura metálica em casa e escritório. >
Antes de o projeto sair do papel, porém, surgiu um problema difícil de ignorar: o vagão precisava chegar ao terreno onde seria instalado, mas os trilhos que passavam diante do imóvel não podiam ser utilizados.>
Trem Escritório
A solução foi levar o trem pelas ruas de Curitiba.>
Primeiro veio o terreno>
Karina havia comprado, em julho de 2001, um terreno no bairro Hugo Lange. O lote tinha 11 metros de frente por 24,50 metros de profundidade e ficava diante da linha férrea.>
Meses depois, em abril de 2002, ela participou de um leilão da Rede Ferroviária Federal e arrematou um carro de passageiros metálico.>
A peça tinha 18,64 metros de comprimento, 2,75 metros de largura e aproximadamente 37 toneladas. O prazo para retirá-la era de três meses, o que transformou a mudança em uma operação que exigia planejamento.>
O trem virou carga>
Como os trilhos não poderiam conduzir o vagão até o destino, a estrutura precisou ser retirada dos próprios rodados e transportada sobre caminhões.>
A operação foi dividida em duas viagens. Um dos caminhões levou os dois rodados originais, que pesavam cerca de 3,5 toneladas cada. Outro ficou responsável pelo vagão, já sem as rodas, com aproximadamente 30 toneladas.>
Para permitir a movimentação, a estrutura foi suspensa por macacos mecânicos. A parte dianteira ficou acoplada ao caminhão, enquanto a traseira recebeu um eixo adaptado com pneus.>
Curitiba foi medida antes>
O percurso não poderia ser escolhido de qualquer maneira. Antes da operação, a equipe estudou as ruas que seriam utilizadas e verificou obstáculos encontrados pelo caminho.>
Entre as medições estavam a altura dos fios de tensão elétrica e o espaço disponível em um viaduto da Rua Sete de Setembro.>
A operação aconteceu em 7 de julho de 2002, um domingo. O cuidado com o trajeto era necessário justamente pelas dimensões do vagão, que tinha quase 19 metros de comprimento.>
Do trem para a casa>
Depois de chegar ao terreno, o vagão ganhou uma nova função. A estrutura passou a abrigar a residência e também o escritório da arquiteta.>
A transformação preservou elementos do carro de passageiros e incorporou móveis e equipamentos para o uso cotidiano. Bancos de couro originais foram aproveitados na área de jantar, enquanto os banheiros receberam adaptações.>
A proposta também manteve características visuais do antigo vagão, fazendo com que a estrutura continuasse reconhecível como um veículo ferroviário.>
Uma casa diante dos trilhos>
O resultado criou uma situação curiosa: o antigo trem passou a funcionar como moradia justamente em um terreno diante da linha férrea.>
A ideia que começou com a compra de um terreno e de um vagão acabou se tornando um projeto de arquitetura e adaptação de um espaço pouco convencional.>
A história de Karina Pimentel mostra como uma estrutura pensada para transportar passageiros acabou ganhando outra finalidade. Depois de sair dos trilhos e atravessar a cidade sobre caminhões, o vagão encontrou um lugar permanente em Curitiba, desta vez como casa e escritório.>
A trajetória foi registrada em reportagens da época, que destacaram tanto a operação de transporte quanto a transformação do carro de passageiros em espaço de moradia.>